Ao Rubens, obrigado por falar tanto nesse filme. Assisti finalmente, e vale cada segundo.
Quanto a vocês, assistam logo.
Categoria: Filmes
Olga incomoda
Recebi por e-mail uma dessas apresentações de slides com fotos do filme Olga e um texto de Emir Sader intitulado “Por que Olga incomoda” (leiam aqui). E ele desfia razões: porque mostra a vida de revolucionários, porque tem a Internacional na trilha sonora, porque é de esquerda.
Pois bem: sou um sujeito de esquerda, mas não compro o pacote. Ora, Emir Sader chega a dizer que o filme mostra a Alemanha nazista, que teria sido poupada por Holywood todos esses anos. Bom, isso só demonstra que o professor não vê mesmo filmes americanos. Se visse, saberia citar pelo menos meia dúzia de filmes que mostram a Alemanha nazista com muito mais crueza do que aquilo que se vê em Olga. E é risível pensar que tantos roteiristas, produtores e diretores judeus tivessem essa suposta preocupação em poupar o nazismo.
O filme não incomoda por ser de esquerda, por mostrar a suposta realidade dos militantes. Vocês querem saber porque Olga incomoda? Eu lhes digo por quê: porque é um filme ruim de doer, com péssimas atuações, texto fraquíssimo, música ruim, enquadramentos de novela. Fiquei tão incomodado com o filme que não via a hora de terminar.
(Opinião decente aqui)
Marco Aurélio, este derrotado
Assisti Kill Bill, fiquei fascinado com o filme e decidi que não agüentaria esperar até outubro para assistir à continuação. Sendo assim, lá fui eu abrir Kazaa, Soulseek, E-mule e o caralho a quatro para caçar o Kill Bill – vol.2. Quem conhece o maravilhoso mundo do peer to peer sabe como é: vários arquivos são encontrados e você fica feliz da vida. E então começa a arrancar cabelos (caso os tenha) ao ver todo arquivo que tenta baixar como “Remotely queued” ou “Need more sources for download” ou “Your mom is sucking Satan’s cock in Hell”.
Fiquei nesse sofrimento durante dias, até que enfim encontrei um arquivo promissor. Tinha 650Mb. Começou baixando a 3,5 kilobits por segundo, baixou para 0,5, depois subiu para incríveis 45, depois estabilizou em 19. Nesse vai e vem, continuava lá firme e forte enquanto outros downloads eram abortados. Eu torcia — “Vamos lá, você consegue!” — enquanto meu pobre micro, já velho e cansado, reclamava das mais de 24 horas ligado direto. Eu não desistiria tão fácil, porém. E foi graças à minha persistência que, depois de quase dois dias ininterruptos, o download terminou e eu pude enfim assistir a essa maravilha:
Jesus, eu sou um merda…
Kill Bill

Pense numa cena em que alguém combate vários inimigos, todos eles com a mesma cara. Pensou em Matrix Reloaded, com o Neo lutando com os Smiths? Pois esqueça: Uma Thurman dando porrada num bando de japoneses é MUITO melhor.
Falo mais nada do filme. É do Quentin Tarantino, oras, e você sabe o que isso significa: VÁ ASSISTIR AGORA.
Serra, serra, serrador.
Finalmente assisti ao grande clássico do cinema de horror setentista, The Texas Chain Saw Massacre (conhecido por aqui como O Massacre da Serra Elétrica. A serra não era elétrica, é claro: o fio da tomada limitaria muito os movimentos de Leatherface). E agora sei porque é um clássico: trata-se do filme de horror perfeito.
Em Danse Macabre, seu extenso ensaio sobre o gênero, Stephen King diz que os protagonistas de histórias de terror podem ser classificados segundo três principais arquétipos: o Vampiro, o Lobisomem (considerando lobisomem todo aquele que se transforma, não necessariamente em lobo) e o Monstro. Para ilustrar isso, cita como exemplos de cada um, respectivamente, Drácula, de Bram Stoker, O Médico E O Monstro, de Robert Louis Stevenson, e Frankenstein, de Mary Shelley. Em qualquer personagem de história de horror, você encontrará um desses arquétipos, ou uma mistura deles. Pois bem, no Massacre, temos os três: o avô é um vampiro, o pai é um lobisomem e Leatherface e seu amável irmãozinho são monstrengos desajustados. Perfeito, perfeito!
E não é só isso, outros ingredientes dão mais sabor ainda à história: duas gostosas, um paraplégico que é retalhado sem dó, uma mulher ainda viva dentro do freezer, a demorada cena em que vovô tenta, com suas mãos trêmulas e frágeis, matar a mocinha a marretadas.
E há a maravilhosa cena final, que mostra a extrema frustração de Leatherface por deixar a mocinha escapar. Não sei quanto a vocês, mas eu fiquei com uma peninha dele…

A Síndrome de Tourette e o cinema nacional
Engraçado eu ter falado em Síndrome de Tourette no texto anterior, e ter ido assistir ao filme Amarelo Manga logo depois. Por quê? Vamos por partes. Essa síndrome é caracterizada por tiques, que podem ser:
Motores – Piscar os olhos, repuxar a cabeça, encolher os ombros, fazer caretas;
Vocais – Pigarrear, limpar a garganta, grunhir, estalidos com a língua, fungar e outros ruídos
Complexos:
Motores – Pular, tocar pessoas ou coisas, cheirar, retorcer-se e, embora muito raramente, atos de auto-agressão, tais como machucar-se ou morder a si próprio;
Vocais – Pronunciar palavras ou frases comuns porém fora do contexto, ecolalia (repetição de um som, palavra ou frase de há pouco escutados) e, em raros casos, coprolalia (dizer palavras ou expressões socialmente inaceitáveis; podem ser insultos, palavras de baixo calão ou obscenidades). A margem de expressão de tiques ou sintomas assemelhados na ST é imensa. A complexidade de alguns sintomas freqüentemente surpreende e confunde os familiares, amigos, professores e empregadores que dificilmente acreditam que as manifestações motoras ou vocais sejam “involuntárias”.
(Fonte: O que é Síndrome de Tourette?, artigo publicado no NetPsi – Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia. Grifo meu.)
Pois bem. As pessoas que me falaram bem de Amarelo Manga diziam que o filme seguia a tradição do cinema nacional. “E isso lá é bom?”, eu pensava. Mas finalmente resolvi criar coragem e pegar o filme na locadora. E, como de hábito, eu estava certo: minha desconfiança tinha fundamento. Logo nos primeiros minutos de filme, quando a mocinha diz “Eu quero é que vá todo mundo tomar NO CU”, eu senti como se o tempo tivesse voltado. Era a mesma ênfase exagerada no palavrão, como Lima Duarte dizendo “Quem foi que desenhou C’RALHINHOSH VOADORESH na parede do banhéiro???”, lembram? Pois é a mesma coisa. Amarelo Manga é um caso sério de Síndrome de Tourette, assim como toda essa produção nacional dos anos 70 (principalmente). Então temos belas falas, tais como:
— TÁ PENSANDO QUE A MINHA BUNDA É A BOCETA DA SUA MÃE, FILHO DA PUTA?
Ou:
— FILHO DA PUTA É VOCÊ, VEADO ESCROTO!
Além disso, há cenas de rara beleza, como aquela que mostra um novilho sendo abatido no matadouro. Ok, eu como carne. Mas se eu quisesse ver como os bichinhos morrem, iria comprar minha carne no matadouro, não no açougue. Há a outra cena em que a mulher crente do cara do matadouro o pega com a amante e, qual Mike Tyson, arranca a orelha da pobre a dentadas. A cena tem aqueles cortes esquisitos, mal feitos apenas para parecerem cool. Cortes assim, aliás, estão presentes em vários trechos do filme, e se assemelham a tiques. Olha Gilles de la Tourette aí de novo.
Talvez por não conseguir construir personagens tridimensionais convincentes, o roteirista (talvez seja coisa do diretor, sei lá) resolveu sua falta de talento com um artifício reles: há longos monólogos dos personagens, nos quais eles explicam suas motivações, aspirações, objetivos. Chato a não mais poder.
E há também, é claro, o erotismo sutil: Mateus Nachtergaele pratica o felattio no cabo da faca usada há pouco pelo homem que desperta seus desejos (Nachtergaele é o maior canastrão das artes cênicas nacionais: faz sempre a mesma bichinha, e ganha prêmios por isso. Um ator gay que não consegue deixar a afetação de lado mesmo quando faz personagens não-gays é tão sem talento quanto um heterossexual que não consegue desmunhecar. Voltemos). Tem a menina do bar, que levanta o vestido para mostrar que seus pêlos pubianos são da mesma cor de seus cabelos. Uma vulva fulva que faria a delícia de gerações de poetas concretos, em demorado close up. Há a velha gorda que passa o filme todo fazendo inalações, e no final enfia o inalador entre as pernas.
E há, oh maravilha!, Jonas Bloch levando um cabo de escova no rabo. Sem lubrificação nem preparo. Acho é pouco: todos os que participaram do filme mereciam esse castigo. Menos o Mateus Nachtergaele, é claro, porque eu não estou aqui para agradar a ninguém.
LBV
EVERYTHING THAT HAS A BEGINNING HAS AN END.
SOME THINGS DO NOT CHANGE… SOME THINGS DO.
Pelamordedeus, quem foi o gênio que criou essas pérolas para Matrix? O Paiva Netto???
(Post para Marcos Patricio, o tarado por anões cobertos de Catupiry)
Revoluções
Ah, não falei pra vocês? Mas que descuido! Vejam só, ontem fui assistir ao Matrix Revolutions, mais pela obrigação de cumprir a trilogia (associada ao tédio dominical) do que por gosto mesmo. Saí do cinema com uma sensação besta, como se tivesse desperdiçado mais de duas horas da minha vida, duas horas que eu poderia ter melhor aproveitado continuando a leitura de “O Crocodilo e Notas de Inverno Sobre Impressões de Verão”, do meu nunca suficientemente louvado Fiódor Dostoiévski. Mas não, inventei de ver o filme, o tempo não volta atrás etc. Eu ia escrever sobre a outra sensação que tive, a de o filme não acrescentar nada, mas Paulo Vivan já o fez com maestria em seu excelente Chickendog, então apenas faço eco de seu post a respeito.
Sendo assim, resta-me falar sobre alguns pensamentos que me ocorreram durante o filme (as cenas de ação me dão um tédio sem fim, começo a divagar, perco diálogos, é um inferno). Eu pensava: há um grupo (eu ia dizer irmandade mas me contive) de pessoas que gostam de histórias em quadrinhos, de Star Trek, de Star Wars, de X-Files, de Lord Of The Rings etc etc etc. Não vou generalizar e nem ser preconceituoso a respeito, longe de mim. Primeiro porque muitos de meus amigos apreciam várias dessas coisas, e eu mesmo sou fã de HP Lovecraft, escritor que vive no panteão desse povo. Sei que há quem possa gostar da obra de Tolkien, por exemplo, e não se identificar com nenhum dos outros itens da minha lista. Enfim, vocês entenderam: estou falando de um grupo que se identifica com todo um conjunto de símbolos (argh, minhas aulas de Semiótica!). Tais pessoas, ao contrário de mim, não são tomadas por um ímpeto irresistível de gargalhar quando deparadas com personagens chamados O Chaveiro, O Arquiteto e, no novo filme, o nojento Maquinista. Essas pessoas levam a sério o idealismo dos habitantes de Zion. Eu não consigo, deficiência minha. Resumindo: eu gosto muito do primeiro Matrix e desprezo os outros dois filmes da série porque não me dizem nada. As pessoas de que falo conseguem extrair significado de todo aquele blablablá filosófico de Matrix Reloaded e do idealismo exacerbado de Matrix Revolutions. Ponto pra elas; eu sinto mesmo é sono.
De resto, considerações:
- Quanto será que a Oracle pagou para ter um personagem com seu nome com importância cada vez maior no decorrer da série? Mais ainda: um personagem que é um software confiável! Esse tal de Larry Ellison é mesmo um visionário. Agora Bill Gates e outros executivos do mundo da informática vão ter que correr atrás. Não ficaram espertos, deu nisso. Acho que, com tantos personagens, ainda caberiam na trilogia de Matrix alguns outros softwares. Imagino falas como “We need to look through the Windows“, ou “Step into my Office, baby”, ou ainda, “We need some Progress here!”. Este último talvez até aumentasse meu bônus.
- Falar que Keanu Reeves é viado é verdade, mas não chega a ser exato. Existem gradações na perobagem, se vocês não sabem. E nem a heterossexual mais ferrenha e convicta tem tanto nojo de mulher quanto tem o Neo.
- Hugo Weaving, o temível e múltiplo Agente Smith, era minha única esperança de salvação para o último filme. Decepção total: o australiano não resistiu e caiu alegremente na canastrice dominante.
- Mostrar Monica Belucci numa cena tão curta é maldade. E claro que não me refiro ao quase silêncio do personagem: deram um jeito de mostrar a bunda do Predestinado no segundo filme, o que custava libertar os peitos de Persephone daquele decote opressor? Aliás, dava para fazer um filme todo sobre esse tema. Quem é que ia ficar preocupado em viver aprisionado no mundo das máquinas servindo como pilha, desde que tivesse os peitos de Monica Belucci, livres e soltos, para contemplar? Bom, talvez o Keanu Reeves…
- Parece que vacinaram o Merovingian contra hidrofobia depois de Matrix Reloaded. No Revolutions ele espuma bem menos.
- Estou feliz. Se até o Morpheus se deu bem (e com aquela dentição! (e aquela barriga!, valeu Giggio))…
Mais um trecho do oráculo
FRANK: What am I doing?
GWENOVIER: Yeah.
FRANK: I’m quietly judging you.
Boa notícia
Daniela Santos acaba de me informar: Cidade de Deus é o filme nacional mais visto nos últimos dez anos NO UNIVERSO TODO DESSE MUNDÃO DE DEUS (palavras dela).

