E-mail:

A Bíblia diz para não lançarmos pérolas aos porcos… mesmo assim resolvi perguntar pra você. Qual a intenção que você tem com esse site?
Cássio

Resposta:

Comer o cu de quem pergunta qual a minha intenção com esse site.
Abraço!
Marco Aurélio

Tô começando a perder a paciência…

Um certo Matheus Casagrande está tão putinho que mandou logo dois e-mails com o seguinte conteúdo:

Seu site é um lixo e zomba dos crentes em Deus. Atesto a você que já entrei com uma representação aos promotores do Ministério Público por zombaria das crenças religiosas. Garanto que vai ter problemas.

Essa mensagem pedia uma resposta. E teve:

Carto Matheus,
As Organizações Jesus, me chicoteia! agradecem pelo contato. É sempre uma alegria para nós saber que mesmo nossos inimigos estão tão preocupados com nosso bem-estar que não dão um passo sem antes nos avisar: vão orar e Deus vai me matar, vão vir até minha casa para quebrar minha cara em nome de Jeová, vão usar a justiça dos homens como instrumento da justiça divina. É o amor cristão transbordando por todos os poros. Ê, beleza.
Deixa eu atestar um negocinho aqui pra você: eu, Marco Aurélio, estou cagando para suas tentativas de intimidação. Adaptando a sabedoria dos taxistas cariocas: porrada, processo e cu são coisas que todo mundo diz que dá; quero ver é você me dar 100 reais e uma cesta básica. Eu não ligo a mínima para você nem para esse seu deus minúsculo, tão fraquinho que precisa de uma nulidade como você para representá-lo junto à justiça. À justiça brasileira. Que vergonha. A maioria dos meus leitores é de cristãos: católicos, presbiterianos, batistas, luteranos, pentecostais, tudo gente com senso de humor. E tudo gente que acredita que seu Deus é macho pra caralho e não fica assustadinho com piada nem precisa de vagabundo para defendê-lo. Se fosse para acreditar num deus, acreditaria no deles. O seu não vale nada.
Estou esperando a notificação, viu? É mesmo um crime hediondo fazer piada com a bíblia. O pessoal do Ministério Público vai largar do pé do Edir Macedo assim que descobrir a existência do meu blog.
Abraço, meu querido!
Marco Aurélio Gois dos Santos
CEO
PS: Você achou mesmo que eu fosse ficar com meda de sua ameaça por e-mail, né? Eu tô doidinho pra ver sua cara de raivinha quando receber este e-mail. Manda foto?

Será que ele manda a foto? Tomara que sim. Se mandar, eu publico aqui.

Imagine que você está na varanda de uma casa de frente para o mar. Ao seu lado está a mulher, homem ou mamífero de médio porte que você ama. As ondas quebram na praia, os coqueiros balançam e você e seu amor sussurram bobagenzinhas enquanto o gancho da rede range um pouquinho. A praia está deserta, a não ser por uma figura que vem se aproximando. Quando chega bem perto, dá pra ver que é um gringo de camisa florida, chapéu de lona, bermuda cáqui com pregas e mocassins com meias brancas. Ele passa em frente à casa, olha para vocês dois e grita (em tradução livre):
— MAS QUE BELO PÉ DE RABO, HEIN? TÁ COMENDO BEM, HEIN? CARALHO! DEVE TER UM PUTA DUM BUCETÃO!
Imaginou? Agora veja isso:

Quebra de clima

Quebra de clima


“E que diabos é isso?”, pergunta o leitor. É o gringo chegando. É o que acontece aos 2 minutos e 7 segundos dessa gravação:

Pra Machucar Meu Coração

Stan Getz não pescou nada da bossa nova. João Gilberto e Tom Jobim estavam no auge da forma, tinham conseguido reduzir o samba à sua forma mais suave. Aí vem o Getz com seu sax estridente e estraga tudo. O sax de Stan Getz é um tapa na cara de todos nós. Coisa chata, entrona, constrangedora.Vejam que mixórdia ele apronta com Garota de Ipanema:

01 – The Girl From Ipanema

Notem a beleza de João cantando em português, passando a vez para Astrud cantar em inglês em 1’21”. Aí, aos 2’34”, entra o feladaputa do gringo com seu instrumento da banda de Satanás para estragar tudo. A paz só é restabelecida aos 3’48”, quando Tom Jobim mete os dedos no piano e mostra como é que se faz — algo que Frank Sinatra entendeu muito bem nesse disco, mas que não entrou na cabecinha narcotizada de Stan Getz.
Aconteceu assim: depois de muita briga, João, Tom, Astrud e Getz terminaram o que viria a ser o disco Getz/Gilberto. Tchau, muito obrigado, bom trabalhar com vocês. Os brasileiros foram embora, o gringo maldito foi ajudar na mixagem e jogou o volume de seu sax no talo (fonte). Muita gente concorda que o disco precisava ser remixado (fonte). Como não tenho acesso às ferramentas necessárias para tanto, faço uma proposta mais radical: vamos fazer uma cirurgia para extirpar o tumor que é  o saxofone do Getz. Eu tentei fazer, mas minhas habilidades com um editor de áudio são semelhantes às de um orangotango. A música que eu mencionei primeiro, Pra Machucar Meu Coração, ficou assim:

03 – Para Machuchar Meu Coracao – minus Getz

Se alguém se habilitar a fazer algo melhor, agradeço.

UPDATE: aqui um texto de Ruy Castro contando a história toda.

Passei o dia pensando na morte da bezerra do Raul Seixas, mas não tive tempo de postar. Agora tenho tempo, mas não tenho disposição. Além do mais, já é dia 22 e eu vou ter que trapacear na data do post pra parecer que escrevi no dia 21, aniversário da morte dele.
Ficamos assim, então: isto aqui não é um post, é um vale-post. Depois (provavelmente só terça-feira) eu volto pra falar mais de Raul Seixas. Por enquanto, fiquem com essa belíssima foto tirada pelo Ivan Cardoso, que apareceu por esses dias:

Ói o trem

Ói. Ói o trem.

ATENÇÃO: O título deste post é uma auto-referência.

( II Reis 13)
Relembrando: depois da morte de Salomão, Israel se dividiu. Ao norte, o reino de Israel, formado por dez das doze tribos originais e tendo Samaria por capital. Ao sul, o pequeno reino de Judá, das tribos de Judá (jura?) e Benjamim. O primeiro rei de Israel foi um usurpador chamado Jeroboão. Coube ao filho de Salomão, Roboão, apenas a porção sul do país que passou a ser o reino de Judá. Em Judá, os reis tentavam não irritar Javé, então era tudo meio parado por lá. Em Israel, porém, os reis seguiam os passos de Jeroboão: idolatria, assassinato, putaria. Javé vivia retaliando, e por isso Israel teve por muito tempo uma história bem mais interessante do que Judá — os profetas mais legais, Elias e Eliseu, atuavam em Israel. E tome ressuscitar gente, amaldiçoar o rei, fugir do rei, voltar. Em Judá, coitados, trabalhariam em alguma repartição pública.
Bom, pra variar estava tudo parado em Judá enquanto Israel pegava fogo. No dois capítulos anteriores, vimos o reinado e a morte de Joás, rei de Judá. Muito pouco, levando-se em conta que ele ficou quarenta anos no trono. Enquanto ele ainda ia pelo meio de seu reinado,  subia ao trono de Israel Jeoacaz, filho de Jeú (aquele decapitador de crianças). Jeoacaz fazia tudo o que Javé não gostava, então Javé ficou brabo: pegou seu tabuleiro de War e usou a Síria, Moabe e Dudinka para atacar Israel. Dois reis sírios — Hazael (aquele um que fora ungido por Eliseu) e seu filho Ben-Hadade depois dele — tomaram terras de Israel, mataram muita gente e arrasaram com o exército israelita. Jeoacaz, ainda muito longe de seu objetivo (a Europa e a África ou 24 territórios), suplicou a Javé que desse um tempo. Javé ficou com peninha e ajudou Israel, atacando a Síria com o decadente Império Assírio. Jeoacaz morreu depois de catorze anos de reinado e foi sucedido por seu filho, Jeoás.
Jeoás seguiu o comportamento padrão dos reis de Israel: emputecer Javé. Mas Jeoás também queria retomar os territórios ocupados pela Síria, o que seria impraticável com um exército todo estropiado. Então recorreu ao único israelita que ainda tinha moral com Javé.
Só que Eliseu já estava nas últimas. Doente, passava seus dias delirando e esperando a morte numa cama1. O rei estava triste por ver o profeta naquela situação, e também desesperado por não conseguir livrar-se dos sírios. Então ajoelhou-se ao lado da cama, chorando feito uma mãe de trombadinha.
— Ô, meu pai! Ô, que Israel tá tudo fudido! Ô, meu pai!
— Calma, majestade — tadinho do Eliseu, um quase nada de voz. — Pega aí um arco, umas flechas e vem pra cá.
Meio relutante, mas sem querer contrariar o profeta, o rei pegou o arco.
— Isso. Agora abre aquela janela e atira uma flecha.
O rei coçou a cabeça, olhou em volta, trocou o peso do corpo de uma perna pra outra. Olhou em volta de novo, viu que não tinha ninguém olhando, atirou a flecha pela janela e levou um susto com o grito do profeta:
— FLEEEEEEEEECHA DA VITÓRIA DE JAVÉ! FLEEEEEEEEEECHA DOS SÍRIO TUDO SE FODENDO! FLECHAFLECHAFLECHACLEFACHEFALEFALECHAFLECALECHA…
—Calma, Eliseu.
— Flecha?
— Caaaaaalma.
— Flecha… Pega as flechas. Pegou? Agora fura a terra com elas.
O rei, já cansado das doidices de Eliseu, pegou uma flecha, furou a terra três vezes e levou outro susto.
— POR QUÊEEEEEEEEEEEE, CARAIO? POR QUÊ CÊ SÓ FUROU TRÊS VEZ? TINHA QUE FURAR UM MONTE! FURASSE UM MONTE E OS SÍRIO IA TUDO PRAS PICA. FUROU TRÊS VEZ, AGORA VAI AGÜENTAR OS SÍRIO ATÉÉEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE… ATÉEEEEEEEEEEEEE… AT… COF! COF!
— Calma, Eliseu. Calma. Respira.
— A FLECHA.
Foram as últimas palavras de Eliseu. O profeta morreu e foi sepultado num buraco qualquer. Mas sua carreira ainda não chegara ao fim.

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Lembram que eu falei dos moabitas? Moabita era uma raça de gente encardida. Eram pior que traça, pior que gafanhoto, pior que problogger em evento com brinde e almoço grátis: por onde passavam, não deixavam nada. Pois era essa raça que vivia atormentando Israel. De quando em vez, sem nada melhor pra fazer, um olhava pro outro e resolviam: vamos azucrinar os narigudinhos. Perto do ano novo, quando o movimento do comércio era maior, aí é que os moabitas se assanhavam.
Então aconteceu de um sujeito morrer bem perto do ano novo. A família e os amigos tocaram o féretro até o lado de fora das muralhas de Samaria, com um olho no defunto e outro no horizonte, num andamento que estava mais para Allegro ma non troppo do que para o Gravissimo que o respeito à ocasião exigia. E iam nessa pegada, até que alguém viu uma nuvem de poeira no horizonte. “Moabitas!”, gritou um. As carpideiras mandaram um último buá, os enlutados engataram uma quinta, jogaram o finado no primeiro buraco e se empirulitaram pra não fazer companhia a ele. O buraco, é claro, era onde estavam os restos de Eliseu. Os moabitas vieram, passaram pela cova e seguiram seu caminho. Dali a pouco, uma cabeça se ergueu de dentro da sepultura, olhou em volta e saiu correndo para o lado oposto ao destino dos bárbaros. Eliseu operava seu último milagre e um filho de Israel ganhava uma última chance 800 anos antes de Lázaro.

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Jeoás só precisou de três ataques à Síria para recuperar os territórios perdidos. A se acreditar no delirante Eliseu, se ele tivesse furado a terra meia dúzia de vezes, a Síria não existiria e nós não teríamos Paulo Maluf.
Após 16 anos de reinado, Jeoás morreu e seu filho Jeroboão tornou-se rei de Israel. Entre uma investida e outra contra os sírios, Jeoás ainda arranjou confusão com o reino de Judá. Mas essa história fica para o próximo capítulo.

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1 Eliseu, o profeta que era um delírio na cama.

Desculpem.

Corre, pega a estaca!

Corre, pega a estaca!


Todo mundo achando linda essa lei que proíbe o fumo em ambientes fechados. Eu não fumo, então poderia não dar a mínima pro assunto. Mas o caso é que não gosto de ver o Estado se metendo na vida das pessoas. O Estado que cuide do que é público: do que acontece na minha casa, cuido eu. No meu bar. Na minha empresa. Se eu resolver fumar, minha marida vai me mandar fumar na rua. E eu vou acatar, que não sou besta. Esse acordo vale para todos os lugares. Numa empresa:
— O que vocês acham, os funcionários devem fumar dentro da empresa ou não? Não? Então o que acham da gente reservar aquela sacada ali como fumódromo? Legal? Então pronto.
Eu trabalhei numa empresa que ocupava dois prédios de 20 andares. Havia uma área para fumantes no térreo e outra no 16º andar. Os que fumavam (eu fumava, na época) tinham que ir para uma dessas áreas quando queriam pitar um bocadim. No 16º tinha até uma lanchonete onde era permitido fumar — quem não tolerava fumaça podia ir a uma das outras lanchonetes do prédio, ué. Só que a lei do Serra proíbe os fumódromos, claro, e tira das pessoas o direito de decidir se vão tolerar ou não o cigarro, e em que nível.
Se o tabaco não é droga ilícita, então as pessoas devem decidir onde seu uso é tolerado ou não. A nova lei trata as pessoas como débeis mentais, e elas aceitam esse papel de bom grado. E se eu quiser abrir um bar só para fumantes? Por que o dono do bar não pode decidir se é permitido fumar lá no bar dele? Ou se é permitido só numa área? Quem achar ruim, que não vá ao bar dele. Outro dono de bar vai proibir o cigarro. Fumantes que achem outro lugar pra ir dar suas baforadas. Outro vai permitir o fumo totalmente e vender maços de Marlboro a dez reais pra encher o cu de dinheiro. O bar é dele, o cu é dele, o dinheiro também será.
Mas nãaaaaaaaao. O negócio é estimular o dedurismo (tem um 0800 pros dedos de seta), é jogar as pessoas umas contra as outras, é gastar dinheiro público pra fazer propaganda dessa lei tão legal. Tem até uma ampulheta, e eu imagino que começou a juntar gente em volta às onze da noite, tudo de ancinho e tocha na mão pra sair caçando fumante à meia-noite — sendo que há um ser muito mais perigoso à solta. Zé Serra quer proibir coxinha nas escolas, quer proibir quentão em festa junina, quer proibir cigarro nos bares. Daqui a pouco ele proíbe água benta na igreja e todo mundo vai achar bonito.

Eu fui doutrinado para ser comunista. Estudei em escola municipal de periferia. Toda escola tem um professor de História meio comuna, isso não é segredo pra ninguém. Mas minha escola era diferente. Nas eleições de 1986, o professor de Educação Física dizia que a gente tinha de convencer nossos pais a votar no PT. Eu voltava pra casa e falava isso. Meus pais diziam que era uma estupidez. Eu me sentia incompreendido.
O doutrinamento prosseguiu por todo o primeiro grau, atravessou o segundo grau e mostrou a cabeçorra em todas as faculdades que tentei cursar. Funciona mais ou menos assim: esquerdistas autoritários se fazem passar por esquerdistas libertários, a única posição política aceitável. Você acaba aceitando como verdade plena que a única forma de ser libertário é ser um libertário de esquerda. Se você passa para a direita, passa a ser automaticamente um autoritário.
Ficamos com um esquema meio capenga, de apenas dois lados: a esquerda libertária e a direita autoritária. Direita libertária, eles dizem, é uma contradição de termos. Esquerda autoritária, que é o sonho deles, é um conceito negado com ênfase ou, no máximo, aceito como fase de transição para o verdadeiro comunismo. O stalinismo, as execuções na China e em Cuba, tudo isso são dores do crescimento. Mais cedo ou mais tarde, esses países viriam a ser paraísos de igualdade e fraternidade entre os homens — não fosse a nefanda influência do capitalismo com seus dentões amarelos e afiados.
Não entendeu? O tio desenha:

Economic Left/Right: 0.75 <br/>Social Libertarian/Authoritarian: -4.05

O quadrante-fantasma


Segundo meus doutrinadores de esquerda, só podem existir o quadrante 1 (azul) e o quadrante 3 (verde). O quadrante vermelho pode existir de vez em quando. Quadrante roxo nunca existiu nem existirá, então o que cê tá fazendo aí, menino encapetado?
Direitista, libertário e ateu. Tô pensando em virar travesti e corintiano, só pra ver gente chorando pelos cantos.

Hoje faz vinte anos que Luiz Gonzaga foi sanfonar no ouvido de São Pedro. Já falei bastante do véio Gonzaga no blog — aqui, por exemplo. Então para lembrar a data eu ripei um vídeo muito legal do DVD Danado de Bom e subi no YouTube. Assistam logo, antes que me tirem o vídeo do ar por desrespeito aos direitos autorais do defunto.

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