Acordei pensando no rei Davi, sei lá por quê. O rei Davi, seus ignorantes, foi o segundo rei de Israel. Antes disso, ele matou o Golias. É uma vergonha vocês não saberem de quem eu estou falando. Diacho.
Mas eu dizia que acordei pensando no rei Davi. Morria alguém, ele fazia uma musiquinha. Absalão, Absalão! Ai, Saul. Ui, Jônatas, safadinho. Era craque em fazer música pra defunto. Era um Milton Nascimento, um Elton John.
A diferença é que às vezes ele fazia música pros negos que ele mesmo matava. Fico imaginando o Davi no palácio dele, dedilhando a lira distraidinho. Aí vem a inspiração, ele começa a cantarolar, faz uma música linda pro, sei lá, Boimuleque. Se empolga, vai enfileirando os versos. Quando termina, chama um oficial. “Vai lá na casa do Boimuleque. Já sabe.” No dia seguinte, os filhos de Israel só falam da nova canção do rei, mais um belo tributo.
Deve ser legal levar a vida assim.

Olá, meus queridos leitores.
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O vento assovia. Uma porta bate. As teias de aranha balouçam. Grilos, cachorro latindo lá longe etc.
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Bah.
Bom.
Estou pensando em voltar com o blog. É improvável que eu continue com a sátira da Bíblia. Mas às vezes eu sinto saudade de escrever mais do que os 140 caracteres que o Twitter me permite. Além do mais, o Twitter é uma zona. Se o blog é como a casa da gente, que todo mundo tem que respeitar se quiser falar alguma coisa, o Twitter é feito um cortiço: um monte de gente berrando coisas, brigando, lançando indiretas para não-se-sabe-quem, com a língua bifurcada gotejando rancor, todo mundo batendo o pau na mesa.
É uma merda.
Então é isso. Talvez eu volte a escrever aqui. Talvez não. Escrevo quando quiser, sobre o que quiser. E mantenham suas calças no lugar. Por aqui, o único pau na mesa é o meu.
Olá, meus queridos leitores.
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Uma gralha grasna, ou sei lá que barulho fazem as gralhas. Uma coruja diz “Never more”. O corvo reclama que essa fala era dele. Várias aves começam a brigar no Twitter. Putaria do caralho.

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