Eu e a marida no carro ouvindo Raul Seixas. Começa a tocar Sapato 36. Raul canta os primeiros versos (“Eu calço é 37 / meu pai me dá 36 / dói, mas no dia seguinte / aperto o meu pé outra vez”) e Ana Cartola comenta:
— Essa música é tão Phoebe…
É uma gênia, minha marida.
Mês: fevereiro 2009
Ah, se eles me vissem agora…
Eu só queria que os crentes que chegam aqui no blog babando o fogo do inferno e brandindo a Bíblia me vissem agora. Estou em casa, de bobeira, ouvindo música de igreja: o disco Se eu fosse contar…, gravado em 1968 por um conjunto chamado Vencedores Por Cristo.
Não estranhem: eu cresci na Igreja Batista. Aos 18 anos, eu tocava baixo na igreja e ouvia esse disco o tempo todo, sonhando em um dia tocar como o baixista do Vencedores. O tempo passou, eu saí da igreja, depois virei ateu. Mas música de igreja pode ser um negócio muito bonito, e esse disco, de 1968, é o ápice dessa beleza. Além do mais, me faz lembrar uma época bem legal (e muito magra — eu pesava 61 quilos) de minha vida. Cliquem na fotinha para baixar.
Mudanças
Estou no meio da quarta mudança de emprego e segunda mudança de área em quatro anos. E com o cu na mão, como sempre.
Zumbis
Em março do ano passado, eu publiquei aqui minha tradução meia-boca de uma estória muito boa de Isaac Marion. Pouco tempo depois, o Isaac mandou imprimir seu primeiro romance, The Inside. Agora ele imprimiu outro, dessa vez baseado na estória do zumbi apaixonado. Ele contou com a consultoria de uma editora profissional, então esse Warm Bodies deve estar livre de boa parte dos pecados de The Inside. Nesse post, ele diz que só faltam nove exemplares, e que não vai ter tiragem extra. Então, se você gostou da estória do zumbi, pode ser uma boa idéia comprar o livro que nasceu dela.
Vida de tio
Ana Júlia gosta quando eu viro bichão.
Ana Júlia, vocês sabem, é minha sobrinha de quatro anos. Bichão é um monstro qualquer, um conceito vago de ser assustador. Basta arregalar os olhos, arreganhar os dentes e engrossar a voz: pronto, sou um bichão. Ela berra e sai correndo. Às vezes variamos: eu viro um vampiro, ela vira uma bruxa. Eu viro um lobisomem, ela vira uma mula-sem-cabeça. Nós dois viramos caveiras. Em todos os casos, bebemos sangue da família toda e tomamos tinta de polvo (coca-cola).
Faz um tempo, eu estava deitado na rede lá na casa da minha mãe, lendo Stephen King. Ana Júlia desceu a escada, chegou perto.
— Marco, você ainda tá lendo livro de bichão?
— Tô.
— Hum. Vira um bichão, então.
Eu não queria virar bichão. O livro estava bom, a rede estava boa.
— Depois, Ana Júlia.
Ela apelou:
— Por favoooooooooooooor.
Eu continuei dizendo que não, que estava lendo, que depois a gente brincava.
— Então eu vou embora — ela disse. Amarrou a cara e subiu a escada batendo os pézinhos. No meio do caminho, fez cara de quem lembrou de alguma coisa. Parou, enfiou a mão no bolso, abriu um sorriso e voltou correndo.
— Toma — ela berrou, estendendo uma moeda de um real. — Pra você virar um bichão.
Depois dessa, virei o bichão de graça, e com gosto.
Sete anos
Pô! Então o blog completa sete anos e ninguém lembra? Parabéns para mim, fariseus!

