Seguinte: cheguei ao meu limite e pedi demissão. Eu ia contar a história toda em vídeo, mas minha webcam não colabora. Bom, o negócio é que agora preciso dar um jeito de espremer cada fonte de receita, incluindo este blog. Por isso procurei um template que tivesse espaço para anúncios, sem ser muito feio. Este que vocês estão vendo foi o melhor que encontrei.
Não chorem.
Mês: março 2008
Pronto
Está feito. Conto depois, talvez em vídeo.
You say you want a revolution
Se tudo correr conforme o esperado, em breve vocês lerão aqui a história de um careca que tomou Fluoxetina verde e resolveu chutar o balde.
Aguardemmmmmmmmmmmmm…
Twittaria
Seguinte: instalei o plugin Twitter Tools que, em tese, vai integrar este blog à minha conta do Twitter. Diz a lenda que o bicho vai criar novas entradas no Twitter a cada post novo por aqui, e resumos diários no blog de tudo o que eu twittei por lá. Só quero ver como é que essa referência circular vai funcionar…
Twittarias de hoje
- Começou mal. Pra piorar, eu ia escrevendo "começou maU"… Tá foda. #
- @danielbastos Rapaz, como é bom ver alguém pior do que eu :p #
- @livbrandao Tire a porra da alegria do caminho, que eu quero passar com a feladaputa da minha dor. Caralho. #
- @danielbastos Pô, precisamos encher a cara. #
Powered by Twitter Tools.
Fim de carreira
Historinha nova:
“É mais seguro”, elas diziam. “Os clientes são melhores”, argumentavam. “A concorrência é menor”, lembravam. Não tinha como dar errado, então ele cedeu. Estava empolgado com a descoberta do novo nicho em um mercado tão antigo e saturado.
“Putas filhas da puta”, é o pensamento com sabor de genealogia bíblica que lhe ocupa a mente agora, enquanto caminha sob a luz dos postes na praça vazia. Nos bons tempos, a João Mendes era um jardim e todas as flores eram dele. Ele, Zelão, clássico agente do amor profissional, tinha uma carreira para se orgulhar.
Leiam mais no Pândega. Aliás, leiam, releiam, comentem, leiam outros textos (dica: A história de Belinha). Eu até comecei um capítulo bíblico hoje, mas estou num mau humor tão grande que era capaz de o texto fazer vocês chorarem. Estou sentindo que a crise é das brabas, o que significa que talvez fiquemos um tempo sem novidades.
(Nota: nunca comprar antidepressivo de outro laboratório).
O mistério do diálogo
Dizem que escrever diálogos é um troço(ó) muito difícil. Eu acho fácil, mas isso não quer dizer nada: talvez meus diálogos sejam um troço(ô), e a arrogância me impeça de perceber isso. Talvez seja porque eu vá enfielirando as falas, enquanto a maioria das pessoas quebra a cabeça atrás de verbos dicendi originais a cada travessão. Os verbos dicendi, aliás, merecem um parêntese grandão.
(Aqui no Brasil, os jornalistas têm um problema sério com verbos dicendi. Leia uma notícia da gringolândia, qualquer notícia: eles usam o verbo “to say”, e só. Um ou outro arrisca um “declare”, mas é raro. Aqui é o cão: o sujeito diz, depois fala, depois declara, aí explica, então comemora, espanta-se, lembra, destaca, provoca, às vezes chega mesmo a regozijar-se. “‘Foi um resultado inesquecível’, mija-se todo fulano”. E no final, é claro, ele encerra, finaliza ou conclui, mesmo que não tenha concluído nada. O jornalista não sabe como terminar a matéria, então passa a responsabilidade para o entrevistado. “‘Eu gosto de sopa’, conclui, sorrindo, sicrano”. Reparem.)
Mas eu ia dizendo: se escrever é difícil, narrar um diálogo parece impossível. As pessoas se enrolam para contar uma conversa, mesmo a mais besta. Eu soluciono fazendo vozes diferentes — geralmente, a voz cheia de confiança, wit, aplomb e outras veadagens é minha, a voz de retardado é do interlocutor. Mas o povo por aí se perde. Prestem atenção quando ouvirem alguém contando um diálogo que teve ou testemunhou. “Aí eu peguei e falei assim”, “aí ela pegou e falou assimmmm…”, “aí eu virei pra ela e falei assim”, “aí, sabe o que ela fez? Pegou e virou pra mim e falou assim”. Meu Deus, o que esse povo tanto pega? Parece que essas conversas têm todo um protocolo: só fala quem pegar um negócio qualquer, um bastão, sei lá. “Aí eu peguei e falei assim, ei, cala a boca, o bastão está comigo, é minha vez!”. E o que tanto elas se viram? Deve ser cansativo conversar assim, se virando e pegando coisas a toda hora. Como conseguem se concentrar no diálogo?
“Eu, hein…”, finaliza Marco Aurélio.
Carência
Eu volto, juro que volto. Por enquanto, comentem esse post da Daniela. Tá carente, tadinha.
Qüen, qüen
Quebrante
Atrasado para o trabalho, trânsito recorde em São Paulo, sem café-da-manhã. Eu já estava fodido mesmo, e resolvi que seria melhor para meu humor parar em um lugar qualquer e comer minha refeição matinal predileta: misto quente e suco de laranja. Parei num boteco perdido na Mooca, numa paralela da Radial Leste, e quase dei meia-volta. O lugar era escuro e sujo, as donas eram meio assustadoras. Mas eu tinha fome, então fiz meu pedido. Má notícia: a chapa estava quebrada. Pedi uma coxinha feita na Copa de 2002 e um guaraná.
Enquanto comia (e pensava no estrago que aquela gororoba faria em minhas vísceras), observava uma das donas do boteco, que segurava um bebê no colo. O moleque tinha pedido maçã, lambido a fruta e não queria mais, então a mãe botou a maçã de volta na prateleira de frutas. Que beleza.
— Pediu tanto e agora não vai comer.
— Esse menino tá com quebrante — disse a que havia me servido.
— Eu também acho. Mas não tem nenhuma benzedeira por aqui.
— Ele está com esse olho triste, sei não. Melhor colocar uma fitinha vermelha no braço.
Olhei para a rua de paralelepípedos e fiquei esperando uma carruagem passar lá fora. Um Corolla me trouxe de volta à realidade: eu estava no século XXI, elas duas estavam erradas.
Meu primeiro pensamento foi de revolta. Aquele bebê (um ano de idade, no máximo) tinha algum problema, e elas queriam resolvê-lo com uma fita vermelha, já que não havia benzedeira disponível. Minha vontade era seqüestrar o moleque e levá-lo a um pediatra.
E então pensei melhor. Lembrei de uma ocasião na minha infância, uma crise de bronquite, uma cruz de metal gelado contra as costas, uma velha que murmurava rezas. Eu estava assustado, mas também aliviado. Em comparação com as injeções a que eu estava habituado, aquilo era um tratamento bastante agradável. Depois dos oito anos de idade, a bronquite sumiu.
Os pais e mães de hoje em dia são uns paranóicos, essa é que é a verdade. Uma tosse, um espirro, uma febrezinha, qualquer coisa é motivo para corridas ao médico. E tome-lhe antibiótico, antitérmico, analgésico, o capeta. Essa nova geração é um imenso laboratório de superbactérias e dores incuráveis: o uso indiscriminado de remédios causa microorganismos mais resistentes, que exigem medicamentos mais poderosos, e assim vai o ciclo.
O que é, então, mais perigoso: a ignorância inofensiva ou a informação paranóica? Eu sei lá. Só sei que amanhã levo uma fitinha vermelha pro moleque.

