Todos os dias surge na lista de de espera por aprovação algum comentário feito num post antigo. Até aí, nada demais: nego chega aqui pelo Google, cai de pára-quedas numa página arquivada qualquer, aproveita e sapeca lá seu comentário. No caso em questão, no entanto, me chamaram a atenção dois detalhes. O primeiro é que se tratava do post Caloteiros do quê?, publicado em maio de 2002, em que eu protestava contra uma matéria da revista Época. O comentário atrasado, provável fruto de uma reportagem da Veja desta semana em que são desfiadas todas as pilantragens do pio casal:

muito racional tudo o que você disse, querido. é bom ver que, mesmo você não conhecendo a bispa e o apóstolo pessoalmente, você se esforçou em os não julgar. é difícil mesmo achar alguém que pense dessa maneira. Claro que o meu amor pela vida deles dois é muitíssimo grande e eu tenho aqui a minha opinião sobre eles, mas isso não quer dizer que eu ache que você tenha que achar o mesmo. E mesmo você não achando o mesmo que eu, você não se deixou levar por isso e foi coerente, pesou as coisas. Muito legal. Valeu pela racionalidade nesse momento. Quisera todos fossem assim, pelo menos em situações comoventes como essa. Fica com Deus, querido.
farizeu naoo!! haha juzinha

O segundo detalhe é que esse post, jogado no limbo há tantos anos, tem recebido comentários esporádicos, provavelmente de gente que procura os tais servos de Deu$ no outro Deus. É engraçado notar a polarização do troço: ou são os seguidores do apóstata apóstolo e da besta bispa, babando-se de amor zeloso por seus líderes, feito ovelhas hidrófobas, ou são anti-evangélicos raivosos, com os olhos injetados de sangue e a boca pingando veneno.
Nenhum dos lados domina o idioma pátrio, é claro.

Jornalista é uma raça do inferno. Nos bastidores, muitos coleguinhas queridos torcem o nariz diante do fato de eu ser editor de dois sites (em breve reformulados) sem ter diploma de jornalismo nem de qualquer outra coisa. Tempos atrás, um sujeito até comentou no Pérolas que eu ficava “pagando de jornalista gatinho” nas coletivas de imprensa. Confesso que cheguei a me incomodar com isso, tanto que até me esforcei ao máximo para passar no processo seletivo da Uninove (com o Bernardinho fungando no meu cangote).
E eis que hoje, por acaso, descubro que Ricardo Feltrin, editor-chefe da Folha Online, não é formado em jornalismo nem em nada. Assim como eu, começou várias faculdades e não concluiu nenhuma.
Então eu digo: se ele pode, eu posso. Foda-se o corporativismo besta dos jornalistas que se acham sacerdotes. Vou lá fazer a tal faculdade só porque eu sei que os idiotas sempre vencem, e que mais cedo ou mais tarde algum deles vai pular na minha frente exigindo o documento. Que será apresentado depois que eu limpar a bunda com ele (o diploma, não o idiota).

Fui no início da semana ao evento de lançamento do Windows Vista, do Office 2007 e da nova versão do Exchange. Aquele oba-oba todo da Microsoft, shows de luzes no palco, apresentações que pareciam aqueles comerciais de aparelhos para perder a barriga, presença de Gabriel O Pensador e promessa de um show do Skank à noite (não fiquei para ver). Na hora da coletiva, uma mochila para cada jornalista.
Abri minha mochila para apanhar os press releases e notei lá dentro um embrulhinho. Como bom jornalista blasé, ignorei. É parte da etiqueta da coletiva: ninguém abre o pacote do jabá ali na hora, como se nem estivesse ligando. Assim que o jornalista entra no táxi, sai rasgando tudo que é embrulho pra ver o que ganhou. Pois bem: eu passei a coletiva toda na expectativa desse momento. Lançamento, Microsoft, infra-estrutura gigantesta, e “Windows Vista de graça” era tudo em que eu pensava.
A coletiva correu bem, no táxi eu nem lembrei do embrulho, e só de volta à redação lembrei de abrir o pacote. Vejam só de que se tratava:

Eu piso na Microsoft

Tem jornalista por aí que ia reclamar, dizer que é um absurdo, que a Microsoft dar a cada um uma licença de seu novo sistema operacional seria apenas “trivial” (depois eu conto essa história). Eu não: fiquei feliz pra caralho e passei a terça-feira trabalhando calçado de havaianas do Bill Gates.

E acabo de descobrir que até a Microsoft anuncia no Adsense. Shhhhhhhh…