Um emprego para ganhar mais de 3 mil reais. Era só o que eu queria.
(Mentira. Se o gênio for daqueles fodidões, eu quero os números da Megasena).
Mês: março 2006
Ah!
Não rolou.
Zica do cão.
Prisões
1989.
Todos na sala olham para baixo, num silêncio constrangedor. O professor repete:
— Por que vocês acham que não há prostitutas em Cuba? Pode falar, pessoal, quero gerar uma discussão.
O silêncio continua. Não suportando mais, eu mais sussurro do que falo:
— Porque Cuba tem um regime que em tese é mais justo, igualitário. Ser prostituta vale tanto a pena quanto ser secretária, por exemplo.
— Exatamente! Vocês ouviram? Não? Marco Aurélio, você pode falar mais alto?
Mais seguro, eu repito a resposta, projetando a voz para que todos ouçam claramente. No paraíso comunista, as mulheres não são compelidas à prostituição. O professor sorri, e seus olhos brilham tanto quanto o broche com a foice e o martelo que ostenta na lapela. Está orgulhoso: oito anos de doutrinação mostram resultados indiscutíveis.
1993.
Estou de bata branca, sentado no primeiro banco da igreja. É dia do meu batismo. Antes de descermos às águas, porém, eu e os outros catecúmenos temos de responder a algumas perguntas. É a chamada Profissão de Fé.
— Marco, você acredita que Deus fez-se carne para morrer, ressuscitar ao terceiro dia e assim salvar a humanidade.
— Acredito.
— E por que você acredita?
— Porque está na Bíblia. E se a Bíblia falou, tá falado.
Os irmãos riem. O pastor corre os olhos pela congregação, sorrindo de orgulho. Está lançada mais uma semente do fundamentalismo protestante.
Libertar-me dessas duas prisões. Essa tem sido minha luta nos últimos cinco anos. E lhes digo: é complicado pra diabo.
