Mês: março 2006
Direito de resposta
A Alessandra Neris, assessora de imprensa da Intel, enviou um e-mail esclarecendo o furdunço todo. Ei-lo:
Segue nossa resposta, só para por os “pingos nos iis”:
Não houve informação privilegiada. Todos os jornalistas de São Paulo e alguns de outros estados que aceitaram o convite participaram da coletiva.Todos receberam o mesmo press kit e as mesmas informações.
Depois da coletiva, houve um almoço organizado pela Burson-Marsteller (agência de comunicação da Intel) para os jornalistas de fora de São Paulo, na churrascaria Jardineira Grill, por cortesia da Intel, por terem vindo de longe. Nenhum porta-voz da Intel esteve presente nesse almoço. Além dos jornalistas de fora, alguns de São Paulo (que estavam na sala de imprensa no momento da saída para o restaurante) foram convidados (pela Burson), como se convida um colega para um almoço informal, o que de fato era.
Paul Otellini participou de um outro almoço, no próprio Hyatt, com alguns editores de publicações específicas, de interesse do executivo, apenas para relacionamento.
Como estes dois almoços estão sendo confundidos e alguns jornalistas se manifestaram ofendidos e discriminados, queremos esclarecer que EM NENHUM DESSES ALMOÇOS —– seja no de cortesia aos colegas de fora, seja no de relacionamento organizado pela Intel —– HOUVE QUAISQUER INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS.
Nós, da Burson-Martellers lamentamos o mal-entendido e garantimos a todos que não foi dada nenhuma informação diferente do que já havia sido dito na coletiva. O que poderá ser facilmente comprovado nas eventuais matérias publicadas sobre o evento.
A equipe de atendimento da Intel, na Burson, está à disposição para esclarecer, aos colegas jornalistas, quaisquer dúvidas sobre os fatos. E pede desculpas por eventuais transtornos que estes fatos (até então não checados) tenham causado.
A Burson-Marsteller, que há 50 anos (30 deles no Brasil) zela pelo profissionalismo e pelo bom relacionamento, jamais promoveria a discriminação em quaisquer segmentos.
Gratos,
Alessandra Neris
Innovation &Technology
Burson-Marsteller Brasil
E basta, que papo de jornalista é muito chato.
Discriminação
Nos velhos tempos de minha juventude, costumavam dizer que o Brasil era um país tão desigual que poderia ser considerado como a junção de dois países diferentes: a Bélgica e a Índia, formando a tal Belgíndia que fez a delícia dos cientistas sociais por anos. O tempo passou, e acho que hoje lá na Índia os sociólogos dizem que seu país é um Belsil ou algo assim.
O negócio é que a desigualdade ocorre em todos os setores da vida nacional. No jornalismo de tecnologia, por exemplo, existem veículos grandes e chiques, veículos médios e legaizinhos, e veículos pequeninos e humildezinhos. É normal que as assessorias de imprensa convidem para uma determinada coletiva apenas representantes dos grandes. A visita dos fundadores do Google foi assim: os chiques falaram com os caras, e nós ficamos sabendo depois. É triste, mas é parte da realidade desigual em que vivemos. O que se vai fazer? Vamos tocando a vida e tentando vez por outra passar por cima dos grandes, como quando nós aqui furamos todo mundo com as informações financeiras do Google. Momentos raros de regozijo, mas muito bem aproveitados.
Eu ainda não tinha visto, porém, nada parecido com o que aconteceu hoje numa coletiva da Intel. Jornalistas de todo canto do Brasil estavam presentes para entrevistar o CEO da empresa e mais alguns executivos daqui de baixo. Ao término da coletiva, eu e mais dois colegas fomos tomar um café e falar bobagem. Quando saímos, encontramos alguns companheiros do alto clero reunidos na calçada. Falavam de um tal almoço, perguntaram se íamos também.
— Almoço? Que almoço?
Mostraram-nos seu convite para a coletiva. Era diferente do nosso: trazia no último parágrafo a informação sobre um almoço com os executivos numa churrascaria de alto nível ali na zona Sul. Nosso convite não mencionava almoço algum.
Pois muito bem: não faço questão de ser convidado para todas as coletivas, nem de almoçar às custas das empresas. O que aconteceu, porém, é um pouco mais sério. Os jornalistas grandões (que estavam inocentes na história toda) foram almoçar com os executivos, conversaram com eles mais de perto, podem ter conseguido alguma informação exclusiva, ou no mínimo mais aprofundada. Quanto a nós, do baixo clero, ficamos apenas com as informações divulgadas durante a coletiva e nos releases de imprensa. Com esse tipo de tratamento, a Intel espera mesmo que divulguemos suas novidades? O WiMAX é muito legal, as novas tecnologias móveis idem. No entanto, se era para dar informação privilegiada a apenas um punhado de jornalistas, porque não convidaram só a estes? Todos nós, os outros, temos mais o que fazer nas redações.
Eu sei que esse assunto tem nada a ver com este blog; é mais a praia do Edu, no Pérolas das Assessorias de Imprensa. Acontece, porém, que isso não foi uma pérola. Cagada seria o termo mais adequado.
Pronto. De volta à nossa programação normal. Coleguinhas jornalistas, comentem. Leitores que têm nada a ver com isso, desculpem-me.
Javé condena a seita de Jeroboão
(I Reis 13)
É da eterna prepotência humana acreditar que Deus ouve todas as orações e as considera uma por uma. Nada mais pretensioso. O que ocorre, na verdade, é que as orações são dirigidas ao Limbo. O Limbo, como vocês sabem, é o lugar do além reservado aos infiéis virtuosos e às crianças que morrem sem batismo. Toda oração que é feita aqui da Terra, independentemente da religião de quem profere a prece, é encaminhada ao Limbo. Lá os receptores classificam as orações de acordo com a filiação religiosa e as repassam ao Purgatório.
O Purgatório, como vocês também sabem, é reservado àquelas pessoas que não foram boas o suficiente para ir para o céu nem más o bastante para queimar no inferno. Como o próprio nome diz, é um local para purgar os pecados cometidos em vida. O que vocês não sabem é que todo mundo que vai para o Purgatório é colocado para trabalhar numa central de atendimento. Cada religião, seita ou culto tem seu próprio contact center por lá. Os atendentes, sentados em suas baias com seus headsets, recebem as orações do Limbo e a encaminham ou não ao Céu (ou ao Inferno, no caso dos satanistas). Preces que tenham alguma relação com ganhar na loteria, por exemplo, são sumariamente descartadas. Pedidos para passar no vestibular são analisados caso a caso. E assim vai. Assim que a oração é repassada, cessa a responsabilidade do Purgatório.
“Mas o que tem isso a ver com o reino dividido de Roboão e Jeroboão?”, há de perguntar um que outro leitor mais impaciente. Já explico.
Aconteceu que, nos tempos de Jeroboão, um dos atendentes da empresa de contact center dedicada ao judaísmo no Purgatório recebeu uma ligação urgente do Limbo. A pessoa do outro lado da linha parecia agitada.
— A religião de vocês tem alguma coisa a ver com bezerro?
— Um momento, senhor. Vou estar verificando.
[musiquinha de espera]
— Obrigado por aguardar, senhor. No judaísmo, os bezerros são utilizados em rituais de sacrifício ao nosso deus, Javé.
— Só isso?
— É o que consta no relatório, senhor. “O bezerro vai estar sendo sacrificado a Javé, que vai estar aceitando ou não o sacrifício. Se no caso Javé não aceitar, ele vai estar fulminando quem ofereceu o sacrifício, para estar deixando de ser besta”. Mais alguma informação, senhor?
— Tenho recebido umas orações estranhas aqui, nego falando em bezerro. “Ouvi nossa prece, ó Grande Ruminante! Parai de pensar na morte da Bezerra, sua santíssima progenitora”. Essas coisas.
— Senhor, não tenho informação sobre esse tipo de oração dentro do judaísmo. O senhor tem certeza que não foi algum hindu? Sabe como é hindu: adora tudo que é coisa estranha.
— Que mané hindu! Aqui eu só recebo oração dos narigudinhos. Era judeu mesmo.
— Pois não, senhor. Vou estar anotando sua solicitação e passando ao setor responsável.
— Obrigado.
— Mais alguma informação?
— Não, só isso.
— A Shalom Contact Center agradece por sua ligação. Tenha uma ótima tarde!
— Bah.
Essa foi apenas a primeira ligação. Durante o dia, os ramais da central ficaram congestionados com tantas ligações de ouvidores do judaísmo reclamando do crescente número de preces destinadas não a Javé, mas a um bezerro. “Tem boi na linha”, comentou um atendente mais gaiato, mas foi logo advertido por seu supervisor. O supervisor passou o problema para o gerente, que o repassou para o diretor, que o empurrou para o presidente, que decidiu que aquilo era problema do Céu. Enviou, portanto, um relatório ao Paraíso. O anjo que o recebeu não soube o que fazer daquelas informações, então enviou o relatório a seu arcanjo-chefe. O arcanjo-chefe resolveu repassar o problema às potestades superiores. Resumindo: só meses depois, quando o culto dos bezerros no Reino do Norte já estava consolidado, é que Javé veio a receber a notícia. Ficou puto, esbravejou, ameaçou demitir todo mundo. Foi lembrado por um serafim, porém, que todos tinham estabilidade de emprego e não podiam ser demitidos. O Senhor dos Exércitos maldisse as leis trabalhistas, jogou a cadeira para o outro lado da sala, esmurrou a parede. Já mais calmo, procurou na agenda o telefone de algum profeta confiável que estivesse desocupado.
No judaísmo, só os profetas tinham o número do telefone vermelho de Deus. Não foi, portanto, grande surpresa para esse profeta de Judá ver em seu identificador de chamadas o nome “Javé” piscando. Atendeu, ouviu os gritos, concordou com tudo e foi cumprir sua missão
No dia seguinte, quando Jeroboão estava diante do altar de Betel oferecendo sacrifícios a seus deuses bovinos, levou um susto com o grito do profeta de Judá, recém-chegado de viagem.
— Ó, ALTAR MALDITO! JAVÉ MANDA DIZER QUE VIRÁ UM REI CHAMADO JOSIAS (1), QUE QUEIMARÁ SOBRE VOCÊ OS SACERDOTES QUE OFERECEM SACRIFÍCIOS A OUTROS DEUSES!
Em seguida, contradizendo-se, o profeta continuou:
— COMO PROVA DE QUE FUI ENVIADO POR JAVÉ, ESSE ALTAR VAI SE QUEBRAR EM PEDAÇOS.
Jeroboão nem parou para pensar em como é que o tal Josias viria a queimar gente sobre aquele altar, se ele ia se quebrar em pedaços. Em vez de entrar numa discussão que poderia ser longa e enfadonha, apelou para seus poderes reais, apontando para o profeta e gritando:
— PEEEEEEEEEEEEEEEEGA ESSE CABRA SEM-VERGONHO!
No mesmo instante o braço do rei ficou paralisado e sua mão secou. O altar implodiu e suas cinzas espalharam-se pelo chão. Assustado, quase chorando, Jeroboão disse ao profeta:
— Rapaz, faça isso não! Diga a Javé que eu tenho muito apego por essa mão, posso ficar sem ela não…
O profeta orou, e imediatamente a mão do rei voltou ao normal e ele recuperou os movimentos do braço. Aliviado, botou as mãos sobre os ombros do profeta e propôs:
— Bora lá em casa mais eu? Lhe dou um agradozinho…
— O senhor está tentando subornar?
— Subornar? Deixe disso, homem! É só uma lembrancinha, uma bestagem!
— Mas nem que o senhor me oferecesse metade da sua fortuna. Javé me ordenou que não comesse nem bebesse nada aqui, que não aceitasse nada de ninguém, e que não voltasse pelo mesmo caminho que segui para vir pra cá.
— Arre, égua! Por quê?
— Misteriosos são os caminhos do Senhor.
— Eita, piaba. Bom, tu é que sabe.
Sem pedir licença ao rei, o profeta saiu dali e começou sua viagem (por outro caminho) para o Reino do Sul.
Mal o profeta saiu, dois rapazes que ouviram a conversa correram para a casa. O pai deles era um velho profeta que morava em Betel havia muitos anos. Ao saber que um profeta viera de Judá para dar um recado ao rei, ficou encafifado. Ele era um profeta tão bom como qualquer outro, apesar da idade. Por que Javé se dera ao trabalho de chamar um profeta de tão longe, se o tinha ali à mão? Perguntou aos filhos que caminho o profeta do sul tomara, ordenou que lhe encilhassem o jumento, e tocou pela estrada até encontrar seu colega de profissão descansando à sombra de um carvalho.
— Ô, rapaz. Tu é o profeta de Judá, é?
— Sou sim.
— Eita, que faz é tempo que não encontro um colega. Bora lá em casa forrar o bucho?
— Sua hospitalidade muito me comove, mas não posso ir. Javé me ordenou que eu não comesse nem bebesse nada por aqui, nem que…
— … voltasse pelo mesmo caminho. Ora, eu tô sabendo, rapaz. Eu sou profeta também, e um anjão desses bem ‘retados que me mandou vir aqui e te chamar pra ir lá em casa.
O profeta de Judá não tinha razões para duvidar. Se o outro estava mentindo, como saberia das ordens precisas que Javé lhe dera? Além do mais, anjo chega, dá seu recado e vai embora, não deixa nada por escrito. Foi de boa fé, portanto, que ele se levantou e acompanhou o velho até sua casa em Betel, onde já os aguardava a comida pronta. Enquanto comiam, porém, o telefone da casa do velho tocou.
— Dê licença um pouco, vou só atender e já volto.
— Claro, claro.
Depois de cinco minutos, o profeta voltou esbravejando:
— FIO DUMA QUENGA!
— Como é?
— CABRA SAFADO! ERA JAVÉ NO TELEFONE, TÁ ME OUVINDO? TU DESOBEDECEU O QUE ELE TE MANDOU FAZER! ELE MANDOU, EXPLICOU, MAS TU É UM CABRA RUIM DA PORRA!
— Peraí, peraí! Você me convidou para vir até aqui, disse que um anjo tinha…
— NÃO INTERESSA, FIO DUM CÃO! TU VAI MORRÊ, E NÃO VÃO TE ENTERRAR JUNTO COM SUA FAMÍLIA, QUE É PRA TU DEIXAR DE SER UM SUJEITINHO SAFADO!
O profeta de Judá, sem entender nada, saiu depressa, montou em seu jumento e picou a mula (no sentido figurado). No meio do caminho, um leão que ia passando saltou sobre o profeta e o matou. Sim, um leão. Sim, em Israel. Não perguntem. O negócio é que o bichão ficou por ali, ao lado do jumento e do cadáver, sem nem pensar em comer nenhum dos dois. Era uma cena rara de se ver, e a notícia se espalhou rápido. Quando o velho profeta ficou sabendo, entendeu que se tratava de seu colega, e mandou novamente que preparassem sua montaria.
— Fiquem aí que eu vou lá ver o defunto. Cabra besta, desobedecer Javé desse jeito, já se viu?
Quando chegou ao lugar onde jazia o profeta de Judá (com o leão e o jumento já dormindo um do lado do outro, como personagens de desenho animado ), pediu ajuda a seus filhos e jogou o cadáver sobre o jumento, levando-o de volta a Betel. Lá o enterrou em sua própria sepultura, e chorou junto com seus filhos.
— Ah, meu irmão! Meu irmãozinho de Judá! Quando eu morrer, quero ser enterrado ao lado dele.
Pense num cabra hipócrita…
Mesmo depois do aviso do profeta, de ver sua mão secar e o altar despedaçar-se, e de saber o que acontecera ao profeta por conta de uma desobediência menor, Jeroboão não tomou jeito. Continuou a cultuar os bezerros, e nomear profeta qualquer um que quisesse sê-lo. O critério dele era semelhante ao de certas igrejas modernas para ordenar pastores: ministrava uns cursinhos de oratória, marketing e vendas, e pronto, estava o cara pronto para ser líder religioso. Ele não tardaria a sentir o peso da mão de Javé. O castigo, como de hábito, seria desproporcional e injusto. Como veremos.
A divisão do reino
(I Reis 12)
Salomão, como todos sabemos, não era besta nem nada. Escaldado pelo perrengue que fora a sucessão de Davi, com tanto sangue derramado, o sábio rei definiu seu sucessor com antecedência: seu filho Roboão. Os dois despachavam diariamente no Kibutz do Torto, em Jerusalém. Com a morte de Salomão, não restava dúvida que o rei seria Roboão, e a sucessão, pela primeira vez na curta história da monarquia israelita, tinha tudo para ser tranqüila. O clima de paz e tranqüilidade era tamanho em Israel que até Jeroboão criou coragem para voltar de seu exílio no Egito. Não era o mesmo Jeroboão, porém: transformara-se quase numa lenda nas tribos do norte, e foi natural que o povo o visse como um líder.
Aconteceu, então, que Roboão foi a Siquém para ser coroado. Uma belíssima festa com música, fogos de artifício, shows populares. Tudo estaria perfeito não fosse um detalhe: as relações entre o sul e o norte, que nunca foram das melhores, acabaram de degringolar-se durante o reinado de Salomão. O velho rei dava muita atenção a Judá e pouco fazia por Israel. Tendo isso em mente, um grupo de representantes do norte foi falar com o novo rei, tendo Jeroboão como líder:
— Majestade, a gente trabalha de sol a sol que é para Israel ser o país bom danado que sempre foi. Só que nossa vida ficou arretada de difícil com o velho Salomão. Era imposto demais e retorno de menos, não há cabra que agüente. O senhor bem podia lembrar da gente, e aliviar essa carga.
— Aí, mermão. Vou pensar. Cês voltem daqui a três dias e eu dou uma resposta, valeu?
— Pronto.
A coroação transcorreu sem maiores problemas, e os israelitas voltaram para casa na expectativa da resposta de Roboão. Quanto ao rei, tratou de reunir-se com os conselheiros de seu finado pai. A resposta dos velhos foi sóbria: se o rei atendesse ao pedido do povo do norte, o reino permaneceria unido. Roboão, porém, não se contentou com esse conselho. Era jovem, voluntarioso. Andava acompanhado de um pitbull malvado de olhos vermelhos chamado Javé, gostava de arranjar briga e andava com um grupo de baderneiros. E foi justamente a seus amigos que foi pedir conselho sobre o assunto.
— Aí, os paraíba tão querendo sossego, é? Num fode, Roboão! Fala pra eles que a partir de agora é que o bicho vai pegar. Era ruim com seu véio? Pois eles vão ver agora. Não pode dar moleza pra liso não!
Dois conselhos opostos, e é claro que Roboão resolveu seguir o segundo. Três dias depois, quando Jeroboão e os outros israelitas voltaram, foram surpreendidos pela cara de poucos amigos do rei e de Javé (o cão, não aquele que já conhecemos).
— Podem voltar pra casa, seus paraíba liso do caraio. Querem vir estrondá pro meu lado? Tão tirando onda? Num fode! Meu dedinho é mais grosso que a pica do meu pai, tão sabendo?
— Hã?
— Seus paraíba burro! Tô falando que, se meu pai dava chicotada em vocês, eu vou dar logo é pipoco nos cornos, pra vocês deixarem de ser babacas, valeu? Fui!
Ao ouvir aquilo, Jeroboão ficou transtornado. Chegou a meter a mão na cintura para puxar a peixeira, mas foi detido por seus companheiros.
— TU TÁ PENSANDO QUE É MUITA BOSTA, SEU CABRA? OLHA QUE EU TE CAPO, PORRA! BORA, BORA TODO MUNDO PRA ISRAEL. A GENTE NÃO PRECISA DE JUDÁ É PRA NADA!
Os israelitas foram embora, e Roboão percebeu que aquilo seria o início de uma revolta. Em vez de tentar negociar, resolveu provocar ainda mais os israelitas: chamou Adorão, responsável pelos tributos, e juntos foram a Israel. Ao ver quem chegava a suas terras, um grupo de israelitas começou a atirar pedras no cobrador de impostos. Já caído no chão, Adorão pediu socorro, mas o rei já havia pulado para dentro de seu carro.
— Vô ralá peito daqui, doido. Foi mal aê!
O rei voltou a Jerusalém desmoralizado, e Israel instituiu Jeroboão como rei. De um momento para outro, Roboão reinava apenas sobre Judá e Benjamim, deixando as dez tribos do norte sob a tutela do antigo pedreiro. Roboão ainda tentou armar alguma resistência, juntando soldados das duas tribos para atacar seus irmãos do norte. Foi impedido, porém, pelo profeta Semaías.
— Desista, majestade. Javé falou comigo hoje…
— Tá falando com cachorro, leke?
— Nosso DEUS Javé…
— Ah. Esse.
— É. Então, ele disse que o negócio todo da divisão do reino é coisa lá dele, e que não é pro senhor se meter.
— Porra, maluco.
— Melhor não discutir.
— Mas que merda…
Enquanto isso, livre da ascendência política de Judá, Jeroboão preocupava-se com outro tipo de influência, mais perigosa: a religião dos dois reinos ainda era uma só, e havia um só lugar para adoração, que era o templo de Jerusalém. O rei matutou, matutou, e decidiu pelo caminho mais fácil: mandou fazer dois bezerros de ouro e botou um em Betel e outro em Dã.
— Companheiros de Israel! Esses são os deuses que tiraram vocês do Egito.
— Eita preula, majestade. Duas reses?
— CALABOCA! Ir pra Jerusalém dá um trabalho amuado. Os nossos deuses são esses, e lambam.
O povo aceitou os novos deuses sem grande resistência. Afinal de contas, Jerusalém era mesmo muito longe. Além de alçar os bezerros à divindade, Jeroboão instituiu sacerdotes e sacerdotisas, e datas de festas sagradas mais ou menos coincidentes com aquelas da religião tradicional.
Estava formado o furdunço.
Uma imagem vale mais que a porra
Um questionário respondido com imagens. Copiei da Fer, que copiou da Alê. Tenho cem anos de perdão.

(Marco Aurélio, o Imperador Filósofo)
Last name:

Name of a pet:

How old you are:

The place you lost virginity:

A bad habit of yours:

Your favorite fruit or vegetable:

(pescou?)
Your favorite food:

Your favorite drink:

Your favorite animal:

Your favorite color:

Favorite place:

Jericoacoara
Favorite band:

Ele é mais que uma banda, e não me encham o saco
A movie:

Your fashion:

Your mood:

Happiness is:

A felicidade é como a pluma / que o vento vai levando pelo ar
Love is:

O amor é um bichinho / que rói, rói, rói
Your world is:
Por falar em eleições
O Tonon lembrou uma coisa importante: com eleições todo ano, o povo que é chamado pra ser mesário, fiscal e o diabo a quatro ia ficar irritado. Então tenho outra proposta: acabemos com as eleições!
Não, não me apedrejem. Pensem bem: desde o fim do regime militar nós nos acostumamos a votar a pelo menos cada dois anos. E o que mudou? Nada! Para falar só em presidentes, tivemos Sarney (que não foi eleito, mas quem se importa?), Collor, Itamar, FHC e agora o Lula. O que mudou? Que marca esses homens deixaram? Nenhuma! O País vai indo aos trancos e barrancos, o povo continua na merda de sempre. Então para que eleições?
Vamos pensar em métodos alternativos para escolher nossos líderes. Por que não botar no Palácio do Planalto o candidato mais alto, por exemplo? Ou o que tiver mais dentes na boca? Ou o que beber mais (er..)? Posso pensar nessas e muitas outras maneiras de se escolher um presidente: luta no gel, corrida de saco, concurso de beleza, pau de sebo, campeonato de bafo, teste ergométrico. Podemos eleger o mais cabeludo, o mais careca, o mais barbudo, o mais engraçado, o mais esquisito, o mais verde, sei lá! Imaginem Lula, Alckmin, Garotinho, Enéas e outros zés numa gincana animada pelo Silvio Santos.
Por que tentar construir um país sério? Já tentamos todos os caminhos. A direita, o centro e a esquerda já chegaram lá e não fizeram nada. Institucionalizemos a bagunça que o Brasil sempre foi. Mostremos ao mundo que isto aqui é, sim, a casa de mãe joana.
Sechium edule e o ano eleitoral
Muito bem, então a tucanagem escolheu Geraldo Alckmin para concorrer à vaga do bebum. Excelente. Agora é só esperar pra ver algum marqueteiro sabichão vir com slogans do tipo “Alckmin é bom pra chuchu”. Querem apostar?
Aliás, estava reparando nas obras da nova linha do metrô paulistano. Rapaz, como aquilo andou rápido esta semana! O buracão da Ipiranga com a São Luís sumiu do dia pra noite. Passei por lá hoje e estava tudo asfaltado e bonitinho, e nem sinal da cratera que enfeiou durante meses a esquina onde Caetano morou. “Ano de eleição…”, pensei, com meu típico cinismo brasileiro. E então me veio a idéia: por que não instituir mandatos de um ano para todos os cargos executivos, sem limite para o número de reeleições? O prefeito, governador ou presidente atual não teriam direito a fazer campanha; a mídia seria totalmente ocupada pela oposição. Vejam só: todo ano seria ano de eleição, e neguinho ia trabalhar adoidado pra garantir suas mordomiazinhas. Eita, que isto aqui ia ser uma maravilha!
Minha primeira tirinha
Vou encher o rabo de dinheiro
Curtindo a depressão constante, vinha eu no ônibus descendo a Consolação, testa grudada no vidro, pensando em diversas maneiras de matar (bem lentamente) dois ou três seres que vêm me aporrinhando a vida. Sem qualquer razão, meus olhos se detiveram sobre o adesivo no vidro traseiro de um Corsa. Dizia o adesivo: “Quem não tem tempo para Jesus está perdendo muito tempo”.
Vocês vão achar esquisito, mas ao ler aquela frase tão simples, banal até, eu me senti como que invadido pela luz. Sem tempo para Jesus. É assim que eu ando, é assim que muita gente anda. Todos trabalhamos, estudamos, temos família, namorada, namorado, amante, esposa, marido (estou falando de forma geral, não que cada um de nós tenha tudo isso. Bah, vocês entenderam). É tanta coisa que não nos sobra tempo para cuidar da vida espiritual, que no fim das contas é a vida que importa de verdade.
Não sei quanto a vocês, mas ao pensar nisso eu tomei a decisão de fazer minha parte para melhorar esse estado de coisas. As Organizações Jesus mexe com telha? Jesus, me chicoteia!, conglomerado dirigido por este que vos fala com punho (eta!) de ferro, lança no mercado a…
Gods Outsourcing Incorporated!
Você está sem tempo para Jesus, Javé, Maomé ou Xangô? Está adiando há mais de um ano aquela visitinha ao templo budista, à comunidade Hare Krishna, ao centro espírita? Tomado pelas obrigações e pelo estresse do mundo moderno, acabou ficando sem tempo para cuidar do espírito? Não se preocupe: TERCEIRIZE!
Mas como???
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Mas isso tudo deve ser muito caro!
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Nossa, deve ser uma fortuna!
Ah, então foda-se, miséria do cão! Vá pro inferno e não me encha o saco!
Apaporra!
