Foi eu clicar no “publish” do último post para o pensamento surgir: “Todo mundo vai associar o texto aos recentes acontecimentos em Brasília”. Dito e feito: praticamente todos os comentários falam em mensalão, em PT, em Roberto Jefferson e não sei mais o quê. Confesso que eu mesmo me senti tentado a traçar o paralelo enquanto escrevia, mas rechacei a idéia: daqui a alguns meses, quando o primeiro livro dos Reis estiver pronto, essa história toda já estará esquecida, soterrada por algum outro escândalo. Querem apostar? Vale uma mariola, pois.
Os escândalos se sucedem, e no fim das contas nenhum deles tem importância. De tudo isso que ocorreu recentemente, por exemplo, só um fator se destaca. Curiosamente, ninguém parece ter prestado atenção. Foi assim: o Roberto Jefferson disse que gostava do Valdemar Costa Neto por ele ser jogador e mulherengo. Em resposta, o presidente do PL disse que preferia gostar de mulher a gostar de um rapaz de Cabo Frio. Por Deus! Quem é o rapaz de Cabo Frio, alguém sabe? Roberto Jefferson, o mais novo paladino dos valores da República, atraca de popa? Oras, mas seria um detalhe deveras interessante…

(I Reis 4)
Depois de receber de Javé tamanha sabedoria, Salomão achou por bem utilizá-la para reformular a estrutura do reino. Seu pai fora um grande rei, mas era mais um guerreiro do que um estadista. O funcionamento da máquina oficial podia ser muito melhorado, e Salomão sabia exatamente como fazê-lo. Para começar, nomeou os trutas para os cargos de confiança:

  • Sacerdote: Azarias, filho de Zadoque
  • Escrivães: Eliorefe e Aías, filhos de Sisá
  • Conselheiro do rei: Josafá, filho de Ailude
  • Comandante do exército: nosso já conhecido mano Benaías, filho de Joiada
  • Sacerdotes: Zadoque e Abiatar
  • Chefe dos administradores distritais: Azarias, filho de Natã
  • Conselheiro particular do rei: o sacerdote Zabude, filho de Natã
  • Mordomo: Aisar
  • Encarregado dos trabalhadores forçados: Adonirão, filho de Abda

Notem que nada nessa vida é de graça: Natã desempenhara papel primordial para que Salomão subisse ao trono; em troca, dois de seus filhos foram nomeados para cargos de confiança.
Tendo nomeado seus servidores diretos, Salomão partiu para uma reorganização do reino em distritos. Para isso, nomeou doze homens para serem administradores dos distritos de Israel. Cada um dos administradores era obrigado a prover o palácio de mantimentos durante um mês do ano. Dos doze administradores, dois eram genros do rei. Tudo coincidência.
Israel funcionava como um conjunto bem azeitado de engrenagens. Como nada faltava, não havia necessidade de guerras, e Salomão pôde governar em paz e com grande prosperidade. Viveu em paz com os reinos vizinhos durante toda sua vida, e muitos deles pagavam tributos a Israel. Os gastos do palácio do rei só eram comparáveis aos da Casa da Dinda: por dia eram consumidas três toneladas de farinha de trigo, seis toneladas de outras farinhas (não especificadas, sei de nada), dez bois gordos, vinte bois de pasto e cem carneiros. Isso sem contar veados, gazelas, cabritos monteses e aves domésticas. O rei tinha quatro mil baias para os cavalos de seus carros de guerra, e doze mil animais da cavalaria. Fornecer palha e cevada para as montarias também estava entre as obrigações dos administradores distritais, cada um no seu mês.
Com o reino perfeitamente organizado para gravitar em torno do palácio, não deixando que nada lhe faltasse, Salomão tinha tempo de sobra para cultivar sua descomunal sabedoria: estudou as árvores e plantas, os animais, os astros; escreveu três mil provérbios e compôs mais de mil canções (a mais conhecida delas é provavelmente o Cântico dos Cânticos). O rei de Israel foi considerado o homem mais sábio de seu tempo, e reis do mundo inteiro mandavam representantes para ouvi-lo.

Todo dia eu encaro pelo menos uma vez a interface do Movable Type para escrever algo novo neste blog. E todo dia eu penso: “Nah, amanhã eu escrevo”.
Não é só porque eu ando trabalhando muito, e passei três dias fora de São Paulo fazendo curso: é também porque a vontade de escrever é nula. Tenho idéias, tenho um texto pronto sobre a viagem, mas só pensar em escrever já me dá sono.
Se ao menos meu cérebro tivesse interface USB…