Muito bem, muito bem. Isto aqui está mais parado que puteiro em Pelotas, mas quero dar um jeito nessa situação embaraçosa. Logo, logo. Tomei uma decisão um tanto assustadora esta semana, o que me levou a crises de ansiedade, taquicardia, falta de ar e insônia — para ser veadagem completa só me faltou mesmo dar a bunda. Mas é só tentar ficar parado que as coisas acabam se ajeitando de um jeito ou de outro (aprendi isso lendo Clarah Averbuck e Alexandre Soares Silva, quem diria que os dois têm algo em comum…).
Essa decisão assustadora foi tomada, dentre outros fatores, por conta de algo que me caiu nas mãos. O negócio é que surgiu aí uma oportunidade para escrever uma matéria. Dei a idéia de pauta para um sujeito maluco, o qual cometeu a sandice de me convidar para escrever a matéria para sua revista. Para escrever, porém, preciso entrevistar taxistas. E aí está o problema: sou um sujeito tímido, e tenho tremedeira só de pensar em me aproximar de um ponto de táxi para falar com os caras. Sendo assim, resolvi mais uma vez apelar para a generosidade dos meus leitores. Portanto, se você conhece um taxista bem falante, contador de histórias (picantes, de preferência), entre em contato. Terá minha gratidão eterna.
Dinheiro? O cacete!
Mês: março 2005
Enchendo lingüiça com sonhos
Contar sonho vale? Então tá. Dois sonhos irmãos.
O primeiro já faz tempo. Sonhei que eu e uma amiga estávamos vendo um filme do Quentin Tarantino. Os atores eram Harvey Keitel e Brad Pitt. O Keitel pegou um martelo e bateu de brincadeira na cabeça do Brad Pitt. Os dois riram, e o bonitão pegou o martelo. Ainda rindo, bateu com muita força na cabeça do Harvey Keitel. Enquanto este demonstrava sua surpresa, o galã começou a martelar-lhe o crânio e a face, enquanto berrava:
— ISSO É POR TER MATADO MINHA MÃE! ISSO É POR TER ALEIJADO MEU IRMÃO! ISSO É POR TER FALIDO MEU PAI!
E continuou batendo e enumerando suas razões. Quando a cabeça do pobre já havia se tornado uma maçaroca de sangue, ossos e miolos (com dentes encravados na testa, detalhe muito interessante), o Brad Pitt parou. E então, soerguendo com muito esforço a massa disforme que tinha por cabeça, o martelado grunhiu:
— Como é? Não entendi nada…
— ISSO É POR TER MATADO MINHA MÃE! — e PÁ! — ISSO É POR TER ALEIJADO MEU IRMÃO! — e PUM!.
Fadeout. Eu e a amiga achamos a cena um tanto exagerada.
No outro sonho, que foi há algumas semanas, eu havia comprado a caixa de DVDs da novela Senhora do Destino, e estava muito feliz com minha aquisição. Era uma caixa imensa, com uns quarenta DVDs, e ocupava o lugar de honra na estante, ao lado da caixa do Monty Python. No sonho eu era um ardoroso fã da novela, como se nota. Isso pode soar estranho, mas a novela também não era lá muito ortodoxa. Só me lembro de uma das cenas, mas eu assistiria a qualquer folhetim que tivesse algo assim.
A cena começava com o José Wilker andando na calçada. Bem, não exatamente. Primeiro, não era bem o José Wilker: era uma mistura dele com o Ney Latorraca. Segundo que ele não andava normalmente: mancava muito (usava bengala), e rosnava com a cara mais assustadora. Pois vinha mancando e rosnando pela rua. Ao chegar a uma loja parou, leu a tabuleta e entrou. A porta se fechou atrás dele, e o letreiro apareceu na tela: Casa Funerária.
Dentro da casa funerária, sentado atrás de uma mesa, estava o atendente. Era o Evandro Mesquita. Atrás dele, encostadas à parede, estavam duas muletas. Havia caixões de todos os tamanhos, cores e modelos espalhados pelo recinto: apoiados em suportes, em pé contra as paredes, dependurados do teto. Ao ver o Wilker/Latorraca entrar, o ex-Blitz caprichou no sorriso e:
— Bom dia, senhor.
O rabugento manquitola nem se preocupou em responder: apenas arregaçou a calça e arrancou a perna direita. Calma, calma, era uma perna mecânica. Agarrou a perna com as duas mãos e começou a bater com ela no atendente:
— TOMA, FILHO DA PUTA! TOMA, FILHO DA PUTA!
De tanto apanhar, o coitado caiu da cadeira. Não tinha as duas pernas, e gritava para seu atacante:
— PÁRA! PÁRA! NÃO VÊ QUE EU SOU ALEIJADO?
— EU TAMBÉM, PORRA! — E tome-lhe pernada.
Quando tudo parecia perdido para o Evandro Mesquita, ele conseguiu alcançar uma de suas muletas. Empunhando-a como uma lança, jogou-a contra o peito do José Wilker/Ney Latorraca/Roberto Carlos. A muleta trespassou-lhe o tórax, e o agressor caiu sobre um dos caixões. O outro conseguiu levantar-se apoiando no esquife, e viu que seu algoz jazia morto. Olhou em volta e pensou em voz alta:
— Acho que ninguém vai perceber.
Arrancou sua muleta do peito do defunto, e voltou a sentar-se atrás da mesa.
Às vezes eu tenho medo desses sonhos.
Esperem, já volto

Eu acho…
Os incansáveis fundamentalistas
Eia! Que diabo está acontecendo por aqui, meu povo? Eles voltaram com força total depois do último capítulo bíblico, é impressionante. Hoje mesmo recebi de um certo Sr. Oseias a seguinte mensagem:
(Mat 3:2)
Escrevo-lhes com a finalidade de não ser culpado do vosso sangue, pois nos diz as sagradas escrituras:
“E QUANDO alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então levará a sua iniqüidade”. (Lev 5:1)
Fiquei profundamente triste e irado quando deparai-me com este site. Porque até então nunca havia encontrado tamanha blasfêmia. Fiquei pensando como alguém pode dedicar horas de leitura bíblica, para depois deturpar as santas escrituras? fiquei abismado quando me deparei com o “CREDO” o “HINO DA VITORIA DE DAVI” e com “A BIBLIA SACANEADA”. Sendo que a bíblia nos diz:
“Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. (Apo 22:18 e 19)”. E mais
“Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro”. (Exo 32:33)
Espero que todos os “PROFETAS” responsáveis pôr este site venham a arrepender-se dos seus maus caminhos, “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, (Efe 4:31)”. Afim de que o bom nome do Senhor não seja mais profanado, e vocês não venham a cair na condenação de Esaú:
“E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú (…) Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou”.(Heb 12:16 e 17). Arrependei-vos enquanto ha tempo:
“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mat 3:8)
LEMBREM-SE
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (Gal 6:7).
Que Deus tenha piedade e misericórdia de vocês!!!!!!!!
Deus te ama e ele quer teu coracao
Viram? Viram? Eu li isso e quase podia ver o homem espumando em sua ira zelosa. Se eu respondi? Oras, se respondi! Até me empolguei um pouco, então a resposta ficou meio longa:
Para começar, gostaria de esclarecer que o site todo é de responsabilidade de uma só pessoa: eu. Não sei por quê, mas todo fundamentalista ignorante que bate os costados por lá conclui que os textos são obra de toda uma legião de demônios. Curioso, instigante. Pois que fique claro: o único demônio por trás daquela heresia toda sou eu.
Quanto à sua mensagem: o senhor cita logo no início um versículo do quinto capítulo do Levítico (ah, as proparoxítonas!). Um costume muito feio, e muito comum aos fundamentalistas: citar trechos isolados da Bíblia, tentando usá-los como argumento. Ora, seja mais decente! Cite ao menos o capítulo inteiro, que trata dos sacrifícios pelos pecados ocultos. Acho improvável que o senhor o tenha lido inteiro (deve ter aprendido alguns versículos-chave para lançar nas fuças dos hereges, e só), então envio o link para facilitar sua vida. Pode clicar sem medo, é o só o Levítico 5 no site “Bíblia em Bytes”.
Pois é aí que a porca torce o rabo. Epa, melhor não! Porco é animal imundo, e que Deus nos livre de tocar em um desses… Pois muito bem, eu tenho recursos para comprar uma cabrita. Vou fazer isso, e levar a pobrezinha até o sacerdote mais próximo. Mas, ei, que sacerdote vai ter coragem de matar uma cabritinha? Bom, talvez no Candomblé. O quê? Como? Ah, esses rituais eram apenas para o povo judeu nos tempos do Velho Testamento? Ué, então por que o senhor insiste em citar algo que já foi superado, uma lei que já caducou? Ah, por ignorância? Entendo, entendo. Como eu digo lá no meu credo, que tanto o ofendeu, eu acredito muito na estupidez humana, porque é a única força com a qual se pode contar sempre. Sua mensagem é prova disso.
Mas sigamos em frente. Aliás, sigamos para trás um pouco: como epígrafe de sua mensagem patética, o senhor cita o terceiro capítulo do evangelho de Mateus, aquele pobre coletor de impostos. Cita o famoso “Arrependei-vos”, sem atentar para o fato de que se trata da pregação de João Batista no deserto. João vivia como ermitão, se vestia com peles de camelo e comia espetinho de gafanhotos com mel. Se o senhor, seu Oseias, tão reto em suas veredas, o visse bradando no meio da rua hoje, balançaria a cabeça de desgosto e passaria para a outra calçada. A mesma atitude que tinham os fariseus, aos quais João dizia: “Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi frutos dignos de arrependimento” — não que eu o esteja comparando àqueles senhores, usando inclusive um trecho que o senhor mesmo citou, longe de mim! Eu falava de João Batista, porém: quando João diz que “… é chegado o reino dos céus”, não se trata de uma profecia, tanto que ele fala com o verbo no presente. Referia-se a Jesus Cristo, que de fato veio ao Jordão para ser batizado por ele. Ambos tinham então cerca de trinta anos, e eram primos em segundo grau. Depois de ser batizado, Jesus saiu da água e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba, enquanto uma voz altissonante vinda de lugar nenhum dizia “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Bem, eu não acredito que isso tenha acontecido de verdade, mas atentemos para a história: se uma reunião do Pai com o Filho e o Espírito Santo (em forma de pomba, negócio um tanto prosaico) não é o anúncio da chegada do reino dos céus, eu não sei o que mais poderia ser. Então não adianta o senhor vir me ameaçar com a chegada do reino dos céus: João a presenciou há dois mil anos; roa-se de inveja por não ter estado lá, mas não me apoquente com isso.
E o que mais temos aqui? Ah, o senhor menciona o rabo da Bíblia, o último capítulo do Apocalipse, a famosa fórmula do “mexe no livro que eu te lasco”. Fosse outra pessoa, eu ficaria estupefato com tamanha ignorância. Tratando-se do senhor, no entanto, que até aqui já deu grandes provas da estupidez mais obstinada, não me surpreendo. Pois, veja só, qualquer criança na Escola Bíblica Dominical da igreja que o senhor freqüenta saberá dizer-lhe que a Bíblia não é UM livro, mas um CONJUNTO de livros. A palavra “biblia”, inclusive, tem esse significado: “conjunto de livros”. Nos tempos em que João (não o Batista, o outro) escreveu o Apocalipse (exilado na ilha de Patmos, e já um venerável ancião), o cânone sagrado ainda não estava pronto. Portanto podemos dizer com toda a certeza que, quando as pragas são rogadas contra os que alterarem o teor do livro, o livro em questão é o Apocalipse, não a Bíblia. Isso é tão gritantemente óbvio que eu me sinto constrangido só de gastar linhas com explicações. Resumindo, estou muito longe ainda do Apocalipse, portanto ainda estou a uma distância segura das pragas.
O senhor cita, então, o livro do Êxodo, capítulo 32. Trata-se da história do bezerro de ouro fundido por Arão, o sumo-sacerdote, e promovido a deus por ele mesmo. O senhor pode ler a história toda aqui, ou então a minha versão que, modéstia à parte, é bem mais divertida. O que se vê nesse capítulo é Moisés reduzindo o ídolo a pó e fazendo o povo todo ingeri-lo, depois conclamando os levitas a fazerem uma limpeza pelo arraial (morreram nesse dia três mil homens). Depois disso, o profeta gago foi até o Sinai falar com Javé, o Sanguinário, para ver se aliviava a barra dos israelitas. “Agora, peço-te, perdoa o seu pecado; ou, se não, risca-me do livro que escreveste”. Moisés amava tanto àquele povo que ameaçou aí romper seus laços com Javé se este não perdoasse o pecado dos israelitas. O Senhor dos Exércitos desconversou: “Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro”. É fácil ler “Você, não” nas entrelinhas. Bom, ao menos é fácil para mim, que não passei por uma lobotomia nem nada assim. Enfim: era um caso lá entre Javé e Moisés, não nos intrometamos na discussão entre dois velhos amigos.
Vejamos… Ah, a citação da carta que Paulo escreveu aos cristãos em Éfeso. Esse trecho do quarto capítulo da carta aos Efésios tem (ao menos aqui na minha Bíblia de Referência Thompson, da Editora Vida) o título de “Vivendo como filhos da luz”. É um daqueles trechos inspiradíssimos de Paulo. O versículo mesmo que o senhor cita é belíssimo: “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias e toda a malícia sejam tiradas de entre vós”. Que belo conselho! Embora o apóstolo se dirija aos efésios, podemos estender a exortação paulina a todos os cristãos de todas as épocas. Eu não sou cristão, portanto estou excluído desse grupo. Mas o senhor diz sê-lo, e escreve: “Fiquei profundamente triste e irado quando deparai-me [sic] com este site”. Irado, senhor Oseias? É irônico destacar que o senhor, em sua profunda raiva, não percebeu que a ira está na lista de coisas que Paulo aconselha que sejam tiradas de entre os cristãos. Olha aí, senhor Oseias, olha aí! Sermão da Montanha, meu caro: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Palavras de Jesus, não minhas, não me comprometa! Leia todo o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, é bom para acalmar os nervos. Caso não funcione, tome Maracujina.
Bem, posso dizer o mesmo das outras passagens citadas: tanto o que Paulo escreveu aos gálatas, quanto o que foi escrito aos “hebreus” (judeus convertidos ao cristianismo que moravam em Roma) por autor desconhecido aplica-se aos cristãos, não a mim. O senhor sim, é cristão, e deveria conhecer mais a Bíblia por não passar pela humilhação de ver sua profunda ignorância do livro sagrado do cristianismo exposta por um herege. Peço ao senhor que leia todo o quarto capítulo da epístola aos Efésios, com especial atenção para o versículo 26, que diz: “Irai-vos, e não pequeis: não se ponha o sol sobre a vossa ira”. Espero, com toda a sinceridade, que amanhã o senhor esteja mais calmo, que a ira se dissolva, dando lugar à humildade e à mansidão.
Um abraço,
Marco Aurélio
PS: Então Deus quer meu coração, hein? Que coisa, eu nem sabia que o coitado estava na fila de transplantes…
Sinto-me bem, meus amigos…
Hum
Outdoors
A primeira vez em que vi um dos outdoors foi há uns três, ou cinco, ou treze anos. Bem, não sei exatamente quando, mas sei onde: na Radial Leste. Em imensas letras brancas sobre fundo preto, o outdoor advertia: “TELEVISÃO É A IMAGEM DA BESTA”. Surgiu da noite para o dia, e causou celeuma (celeuma!) entre a população. Quem estaria por trás da mensagem bombástica? Alguma nova seita fundamentalista? Os fundamentalistas de sempre? Ou seria mero golpe publicitário? O recurso é muito comum e eficaz: espalham-se mensagens misteriosas pela cidade, o povo comenta, e dias depois aparece o produto nos outdoors. Poderia, pois, ser um anúncio de fabricantes de televisores, ou de alguma emissora, ou ainda da Kia Motors.
O tempo passou, porém, e nada se esclareceu: os outdoors se espalharam pela cidade, sempre com frases explosivas de teor religioso. “JESUS: ARREBATAMENTO”, dizia um deles. “CONSTRUAM MAIS IGREJAS”, admoestava outro. Quem quer que estivesse por trás das mensagens, resolveu concentrar tudo num lugar só depois de algum tempo. Então nossa linda Marginal Tietê foi presenteada com um pequeno bosque desses cartazes pretos ou vermelhos com grandes letras brancas, num trecho próximo ao Anhembi. E foi então que o negócio começou a degringolar.
A população começou a perceber que havia algo errado quando surgiu a mensagem “O SENHOR JESUS FEZ DO DRAGÃO LAGARTIXA”. Parecia brincadeira, todo mundo riu. A segunda mensagem sem sentido começou a causar risos nervosos: “CHULÉ NO PÉ SATANÁS”. E então, quando surgiu algo como “ÁSIA OCEANIA SAÍDA PACÍFICO FILHOS CHAVE”, ninguém mais estava rindo.
Há duas semanas, atravessando a Marginal colado ao banco e de olhos semicerrados, tentando rezar enquanto minha namorada pisava fundo no acelerador, tive o vislumbre de um novo outdoor. A mensagem era tão incrível, tão espetacularmente absurda, que a anotei no mesmo instante para depois não pensar que havia sonhado ou algo assim. No último sábado, resolvi que ia tirar uma foto de tão escabrosa mensagem. A namorada não se fez de rogada: parou o carro em plena Marginal Tietê, de madrugada, para que eu tirasse minhas fotos. Eu dizia “Não, não precisa, vamos embora” (num fio de voz, como vocês podem imaginar), enquanto ela dava ré no carro (na MARGINAL TIETÊ!) para que eu tivesse um ângulo mais favorável para a câmera vagabunda do telefone celular. A mensagem que eu queria, porém, fora trocada por outra:

Era mal escrita, sim, mas ainda trazia algum sentido. A antiga eu tento reproduzir abaixo. Vocês podem não acreditar, mas havia um imenso outdoor numa das vias mais movimentadas de São Paulo com os seguintes dizeres:

Sim. Juro. Exatamente isso. Não fazia o mínimo sentido, parecia algum tipo de brincadeira, chegava a ser perturbador. E de tanto pensar nisso eu cheguei a uma aterradora conclusão.
Jesus Cristo voltou. Voltou, e está no Brasil, mais precisamente em São Paulo. Tenta divulgar sua mensagem, última oportunidade de redenção para os homens, de uma forma impossível de passar desapercebida. Esqueceu-se, porém, de um detalhe: aprender o idioma local. Pensa que não há problema nisso, porque escreve em hebraico frases que converteriam ao próprio Lúcifer, e em seguida as traduz para o português utilizando um programa de tradução. O teor da mensagem se perde, e os hereges continuam multiplicando-se.
É triste.
Mil formas de amar
Um sujeito inominado que se esconde por trás do pseudônimo de Helibus fez o seguinte comentário no post O hino da vitória de Davi (Javé! Javé! Pois é… Pois é… Esta porcaria não me sai da cabeça, é um inferno):
sendo um idiota e frustado por natureza Jesus te ama de maneira sem igual.
Eu, em minha inocência de incréu, respondi:
E não sabia mesmo, juro! Mas o tal de Helibus deve ter visto sarcasmo em minha resposta (que absurdo!), porque treplicou:
Faz piada agora …Leia a bíblia e seja realmente uma pessoa feliz e não fique fazendo pouco do evangelho de Jesus e da bíblia sagrada. Respeite a santa pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo
Quem lhe ama em cristo: Helibus
Eu não canso de me surpreender com a humanidade. Vejam vocês, eu pensava que amor fosse uma coisa, e é outra completamente diferente. Aprendam com o Helibus, seus fariseus ignorantes.
Moacir
Estava tomando café na Fnac quando o telefone tocou. Número desconhecido. Atendi.
— Alô?
— Alô, Moacir?
Muito bem. A maior parte das pessoas diria que, a não ser que você se chame Moacir, a resposta correta deve ser:
— Não, acho que você se enganou.
Então a outra pessoa diz “Ah, desculpe”, ou “Que cabeça, a minha!”. Você responde “Não foi nada”, ambos desligam e pronto.
Pessoas que pensam assim não sabem se divertir. Eu, por exemplo, a despeito de me chamar Marco Aurélio, respondi sem hesitar:
— É ele.
— Ô, rapaz! Você vem pra cá?
— Peraí. Quem tá falando?
— O Eduardo, Moacir.
— Ô, Edu! Que bom que você ligou, já ia ligar pra você.
— Pois então, você vem pro clube?
— Ah, Edu, não sei. Essa chuva…
— Deixa disso, rapaz! A moça tá aqui, já tá tudo acertado.
— Hum. Tudo acertado?
— Tudo, tudo!
— Tem certeza, Edu? Cê cuidou do negócio todo e tal?
— Opa, claro!
— Tá bom. Então tô indo, me espera aí.
— Ok. Tô aqui na frente da Blockbuster. Você demora?
— Acho que levo uns quarenta minutos, tá um trânsito danado.
— Ah, tudo bem. Tô te esperando.
— Mas tá com a moça, né?
— Tô sim.
— Vê lá, hein Edu?
— Ô, Moacir, eu alguma vez já te deixei na mão?
— Hehehe. Espera aí, tô saindo agora mesmo.
— Tá legal. Até mais.
— Até. Abraço, Edu.
Imagino que deixei um Edu e uma moça esperando debaixo de chuva, enquanto um Moacir em algum lugar da cidade esperava por uma ligação a respeito da moça.
A vida pode ser divertida, às vezes.
Quase uma semana sem post novo
Foi uma semana do cão no trabalho. Compreendam.
O hino da vitória de Davi
(II Samuel 22)
Próximo ao seu final, o segundo livro de Samuel começa a ficar bastante nostálgico. Exemplo disso é este capítulo, que transcreve o hino que Davi compôs quando Deus o livrou da perseguição de Saul. Já velho, Davi gravou essa bela canção em disco. A qualidade não é das melhores: um tecladinho de churrascaria, a voz do rei bastante vacilante e matratada pela idade. Mesmo assim, foi um grande sucesso em Israel na época. Quer ouvir?
[audio:http://www.jesusmechicoteia.com.br/imagens/aquareladejave.mp3]
Cante junto com o rei:
Aquarela de Javé
Javé, és minha fortaleza
Um deus que é uma beleza
Vou cantar-te nos meus versos
O Javé, deus que nos dá
Inimigos pra trucidar
O Javé, deus de terror
Ele é nosso senhor
Javé! Javé!
Pois é… Pois é…
Ô, esse Javé que tá no céu
É o grande deus de Israel
Terra do leite e do mel
Javé! Javé!
Deixa cantar de novo o Davi
Que andou fugindo aqui e ali
Antes de ser o rei daqui
Quero ver esse Javé me abençoando
E aos inimigos matando
Com seus olhos injetados
Javé! Javé!
Pois é… Pois é…
Javé, faz a terra tremer
A montanha ceder
E fica indiferente.
O Javé, deus que nos dá
Inimigos pra trucidar
O Javé, deus de terror
Ele é nosso senhor.
Javé! Javé!
Pois é… Pois é…
Ô, esse raio que cai do céu
Que mata mais de um milhão
Nas noites claras de luar
Javé! Javé!
Ah, essa voz tonitruante
À qual não ouso dizer não
Só resta mesmo concordar
Oi, esse deus do mundo inteiro
É nosso deus carniceiro
Raivoso e justiceiro
Javé! Javé!
Pois é… Pois é…
