Há uma cena em Cazuza – O Tempo Não Pára que resume bem o espírito do filme. Cazuza corre pelo meio da avenida Atlântica, com o empresário em seu encalço. O poeta chora, o empresário grita seu nome. Enfim, Cazuza cai na areia e diz:
— O médico disse que eu fui tocado pela Aids, Zeca! Eu vou voltar pra onde tudo começou!
E corre para o mar, enquanto a câmera o acompanha aos solavancos, fazendo a cena parecer uma mistura de Blair Witch Project com Menino do Rio. Muita gente há de adorar essa cena. Eu apenas pensei: o cara acaba de saber que é soropositivo, e ainda tem o sangue frio de soltar duas frases de efeito, uma seguida da outra?
Se fosse só essa cena, porém, eu nem ligaria. O negócio é que durante todo o filme, o personagem de Cazuza se comporta da mesma maneira. Quando conhece o Frejat e os outros componentes do Barão Vermelho, em casa com os pais, na delegacia preso com os amigos malucos, no bar, não importa: ele tem sempre uma frase preciosa na ponta da língua, como se esperasse há tempos o momento de usá-la.
Eu não creio que Cazuza tenha sido assim. Ele parecia ser um cara legal, e eu não consigo imaginar nada mais chato do que um poeta full-time.
Mês: junho 2004
Opa
Olha só, eu tenho um blog!
Tenham paciência. Vou começar agora mesmo dia desses a escrever o novo capítulo da Bíblia. Aguardemmmmm…
Chico
Eu ia escrever sobre o aniversário de 60 anos do Sr. Francisco Buarque de Hollanda, mas parece que todo mundo vai fazer isso. Então me contento em apenas ficar quieto por aqui, ouvindo sua música para celebrar a data. Porque eu, sabem?, TENHO TODOS OS DISCOS DO CHICO BUARQUE.

Tempo e Artista
Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela
Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso
Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz, e o tempo canta
Dança o tempo sem cessar, montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito
No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista, o infinito
(Chico Buarque – 1993)
Este mundo está perdido…
Começou o Caldeirão do Huck. Eu nunca havia visto esse programa, e me animei ao ver que começa com várias gostosas dançando. “Eba”, pensei. Mas eis que a música que tocava tinha uma letra, digamos, estranha. Eu cheguei a pensar que meu inglês capenga (falo do idioma; não é que eu tenha um capenguinha da Inglaterra aqui em casa) estivesse me pregando uma peça. As palavras só podiam estar errada. Desci até meu quarto para procurar no Google, e era aquilo mesmo:
Lick my neck
Lick my back
Lick my pussy
And my crack.
(mais)
A parte do “my pussy” é censurada, mas você logo deduz. Parece que o nome da música é My Back, My Neck (Lick It), de uma certa Khia.
E eu achando o funk carioca pornográfico…
MEU DEUS!
Shrek 2
Não interessa o que você está fazendo, nem o quanto anda ocupado: vá assistir Shrek 2. Acredite, você vai me agradecer. Assisti hoje (pré-estréia, ansiedade é uma merda) e saí todo dolorido de tanto rir. Os diálogos, as referências a outros filmes, o humor sacana, tudo faz cada segundo valer a pena. É mais engraçado ainda que o primeiro, o que eu não esperava.
E vale a pena procurar uma sala onde estejam exibindo a versão legendada. Primeiro porque aquela dublagem do Bussunda, meu Deus, que coisa horrenda. Fora isso, há a brincadeira de reconhecer as vozes. Coisa de gente doente (feito eu e meus leitores). Quando o rei falou pela primeira vez, eu quase tive um treco. E quando ele diz “I don’t think you realize that our daughter has married a monster!” no mesmo tom de “Pining for the fjords???”, puta que pariu, é de matar qualquer fã do cara.

Vá, vá!
Ana Júlia
Não, nada de Los Hermanos. Ana Júlia é o nome de uma menina que eu conheci ontem. Aliás, nem tinha como conhecê-la antes: ela nasceu ontem às 22h35min, com 49 centímetros e 3.410 gramas. E daí? E daí que ela é minha sobrinha, e é a coisa mais linda que eu já vi.
E eu nunca achei que o amor pudesse atingir uma dimensão tão grande.
Apelidos esdrúxulos

Esta noite eu sonhei que esses dois cavalheiros estavam num boteco tocando samba e contando piada pra gente. E eram chamados carinhosamente de Panela (Ronaldo) e Fumaça (Ronaldinho).
Talvez eu devesse parar com as drogas.
Cautela
O pior desse negócio de quebrar a cara com freqüência é que você vai adotando certos cuidados, tirando aos poucos toda a graça da aventura amorosa. Eu, que sempre fui maluco e arrojado quando se tratava do sentimento com nome de paçoquinha (copyright by Ruy Goiaba), me vejo agora olhando para os lados com desconfiança, avaliando o terreno, como uma barata de laboratório cansada de levar choques a cada passo em falso.
Dizem que é bom ter cuidado, ir com calma, essas coisas. Sei não, sei não… Sinto-me como o velho trapezista que, balançando-se preso por um cabo de segurança e vendo a rede lá embaixo, dá um sorriso triste e sente saudades do tempo em que se lançava no vazio de olhos vendados.
Queer Eye For Marcurélio
Notem:

Isso aí sou eu enfurnado em casa numa típica noite de sábado. Além do gorro de lã e da camisa de flanela xadrez, bem óbvios na foto, usava ainda uma camiseta que já foi bege (sou o homem-bege) com a gola cortada, uma calça de moletom marrom que vive caindo — esse negócio de emagrecer é um problema, ai ai… —, MEIAS CINZA e Havaianas pretas. Bom, pelo menos o gorro combina com o calçado…
Hoje, assistindo TV, descobri enfim do que eu preciso em minha vida:

Queer Eye For The Straight Guy. Para quem não sabe, é um programa em que cinco rapazes gays consertam a casa, a aparência, o vestuário e, se possível, até a alma de um heterossexual. Redecoram a casa do sujeito, compram roupas novas, ensinam o songomongo a ser apresentável com as coisas que já tem.
Não conheço ninguém que precisasse TANTO de algo assim. Se houvesse um concurso para eleger o Blogueiro Mais Mal Vestido, eu seria vencedor disparado. Faço aqui um apelo, portanto, neste dia de Orgulho Gay e coisa e tal: meus leitores gays, eu preciso de vossa ajuda. SALVEM-ME!

