Seja como for, acho que pelo menos a baratada na cabeça me serviu de inspiração: acordei com vontade de fazer mais banners. E os fiz mesmo, baseados na idéia original e azul do moskito. Ei-los:
NAH. PEGUEM OS BANNERS AQUI.
Você sabe que vai ter um mau dia quando é acordado às 5h30 da manhã com uma barata gigantesca caindo sobre sua careca.
EU ODEIO BARATAS.
Havia na região montanhosa de Efraim um homem chamado Mica. Ele tinha muitos ídolos, e espalhava pôsters pelas paredes do quarto: Engenheiros do Hawaii, Charlie Brown Jr., Jota Quest…
Nah, né nada disso.
Sansão foi o vigésimo e último dos juízes de Israel. Foi o penúltimo, na verdade, o último foi Samuel. Trataremos disso mais tarde, porém. O negócio é que o livro dos Juízes poderia muito bem acabar no décimo-sexto capítulo, mas não! Continua por mais cinco longos capítulos, que só servem para ilustrar a zona em que Israel se tornou no período entre a morte de Sansão e o surgimento de Samuel e posterior instauração da monarquia.
Neste capítulo, por exemplo, ficamos conhecendo Mica, um habitante da região montanhosa de Efraim. Isso aí era verdade, o lance de os ídolos dele serem tão ruins é que foi sacanagem minha. O que aconteceu de verdade é que tinham roubado da mãe de Mica mil e cem moedas de prata — o equivalente a doze quilos e meio — e ela, é claro, amaldiçoara o gatuno de todas as formas. Tempos depois, meio ressabiado, Mica foi falar com ela:
— Mãe…
— Diga, Mica.
— Lembra de quando roubaram suas moedas?
— ARGH! Como é que eu ia esquecer?
— Hum. E lembra que a senhora amaldiçoou o ladrão de tudo quanto é jeito?
— Claro. E só queria ter um vocabulário melhor, pra poder amaldiçoar mais ainda o filho da puta.
— Er… Então… O negócio é que… Olha, mãe. Não vá ficar brava, tá?
— Mas que que te deu, moleque? Desembucha logo!
— Tá. Seguinte: as moedas estão comigo. Eu que roubei.
— Estão com você??? Ah, que Javé te abençoe, meu filho!
Surpreso com a boa reação da mãe, Mica tratou logo de devolver-lhe as moedas. Ela, feliz pela restituição, deu um toque para o filho:
— Mica, cê sabe que praga de mãe pega que é uma beleza, né?
— Sei mãe, sei. Aliás, tô preocupado com isso.
— Pois não fique, já pensei em tudo: vou oferecer essa prata a Javé, para que ele o proteja.
— Puxa vida, mãe… Obrigado.
— Queisso, filho. Bobagem. Vou oferecer a prata, e ela será usada para fazer um ídolo de madeira, folheado a prata. Toma as moedas, pode fazer o ídolo.
— Er… Sei não, mãe. Não quero mais ficar com essas moedas. Pode ficar com elas, faça o que quiser. São suas, no fim das contas.
Então sua mãe pegou duzentas das moedas e entregou-as a um ourives, o qual preparou o ídolo de madeira folheado a prata.
— PERAÍ! PÁRA TUDO!
Pois não?
— QUE HISTÓRIA É ESSA DE ÍDOLO DE MADEIRA FOLHEADO A PRATA???
Oras. É uma imagem esculpida em madeira, e depois folheada com…
— EU SEI, EU SEI! MAS E O SEGUNDO MANDAMENTO???
Er… Hã?
— O SEGUNDO MANDAMENTO, PORRA! “NÃO FARÁS IMAGENS DE ESCULTURA PARA ADORAR” E BLABLABLÁ!
Ah, esse mandamento. Então, isso é pra vocês verem a zona que Israel tinha virado: cada um fazia o que bem entendia, seguia a religião (qualquer que fosse) à sua maneira. Aquilo parecia o Brasil. Mica, por exemplo, ao ver o ídolo que sua mãe mandara fazer, decidiu fundar sua própria religião: construiu uma capela, esculpiu outros ídolos, fez uma roupa de sacerdote e escolheu um de seus filhos para o cargo. O moleque, no entanto, não levava a sério os ritos da nova religião, mesmo porque uma religião de dois seguidores é mesmo um pouco ridícula.
Mica já estava quase desistindo de sua nova religião (o Miquismo, talvez? Tá, esquece), quando encontrou um viajante. Este vinha da cidade de Belém (aquela!), em Judá, e era levita. Os levitas, caso vocês não se lembrem, eram consagrados ao serviço de Javé, por isso não tinham um território definido em Israel, estando espalhados pelas doze tribos. Bom, esse levita ia passando, e Mica foi falar com ele.
— E aê, rapá.
— Aê.
— De onde cê tá vindo?
— De Belém, em Judá. Sou levita, estou procurando um lugar para morar.
— Cê levita, é?
— Ai, meu saco… Eu disse que SOU levita! Da tribo de Levi!
— Ah, sim. E tá procurando onde morar, é?
— Pois é.
— Hum. Vocês, levitas, manjam desse negócio todo de rituais, rezas, sacrifícios, leis, a presepada toda, né?
— Isso mesmo.
— Sei, sei… Então, seu levita, eu acabo de fundar uma religião aí, mas não tá dando muito certo. Acho que eu precisava de uma assessoria, umas estratégias de marketing, essas coisas. Será que você pod…
— PODE PARAR! EU SOU LEVITA, TÁ ME OUVINDO? SOU CONSAGRADO AO SERVIÇO DE JAVÉ! DE JAVÉ, SÓ DELE, DE MAIS NINGUÉM!
— Mas… Mas eu te pago dez moedas de prata por ano.
— DE MAIS NING… Quantas?
— Dez. Cento e quinze gramas.
— Hum… Qual o nome dessa religião aí?
— Não tem nome ainda. Como meu nome é Mica, estava pensando em chamar de Miquismo.
— MIQUISMO??? Putz, cê tá precisando mesmo de assessoria… Beleza, eu topo.
— Legal!
Então o filho de Mica foi destituído do cargo, e o levita foi empossado como sacerdote. Ele ficou morando na casa de Mica, e oficiava todos os dias na capela. Mica, finalmente, ficou tranqüilo: com um levita como sacerdote, de jeito nenhum Javé deixaria que as pragas de sua mãe caíssem sobre ele.
Durante meses, a ausência de Deus foi menos dolorosa para mim. Eu não podia mais falar com ele antes de dormir, mas podia pensar em você, falar seu nome baixinho (não quero passar por doido; ainda não), e dormir sorrindo. Ontem à noite, porém, experimentei novamente o vazio total. Não há mais Deus, também não há mais você. Minha necessidade de prece fica agora insatisfeita, e a insônia ataca. Porque, e se eu morrer durante o sono? Quem é que vai vir me salvar?
Vocês conhecem o Risadinha, seja pelas constantes citações aqui, seja pelo seu famosíssimo blog, ou ainda por ser o cara ao centro dessa foto:

Isso aí foi há quase um ano, na festa do primeiro aniversário deste blog. Dias atrás, porém — mais precisamente no aniversário da Camila — foi tirada uma outra foto do Sr. Risadinha, a qual demonstra que ele pode ter evoluído de lá pra cá. Vejam só:

Sim, sim! É ele mesmo, e com uma MULHER, ou melhor, com uma MENINA DA TORRE! Tá certo que o boá* cor-de-rosa ainda permite dúvidas. Mas só o fato de não ter o Zezinho e o Tonon a ordenhá-lo, convenhamos, já está de bom tamanho.
Parabéns, Risolino!
Querem saber o que eu achei de 21 Gramas? Leiam o que o Polzonoff escreveu sobre o filme. Até o negócio de se sentir incomodado com a edição do filme no começo, e depois ir percebendo o valor que tem o formato, coincide com o que eu senti. E o lance de ver literatura no cinema. E… E… Bah, eu amo esse homem!
Já se falou demais dos 450 anos de São Paulo. Dona Nilda, que é tão apaixonada pela cidade quanto eu, comentou isso comigo dias atrás. Porque, por mais que se ame São Paulo, paciência tem limite. Deixem minha cidade em paz, caralho!
Eu só queria descrever algo que me aconteceu dia desses: desci no Metrô República e estava andando pela praça na direção da São João. Umas onze da noite, acho. Logo na saída do metrô, um grupo de bolivianos tocava suas flautas de bambu, tambores e instrumentos de corda esquisitos. Só que, em vez do repertório de sempre, ao centro da roda duas mulheres faziam um desafio improvisado, como repentistas. Mais para a frente, um grupo de velhos engraxates, bem conhecidos de todos que andam pela região, tocavam um baião de Luiz Gonzaga usando instrumentos típicos de samba (pandeiro, tamborim, timba, repique). Já na Avenida Ipiranga, um negão e um japonês andavam de mãos dadas, e olhavam-se amorosamente.
Isso, pra mim, é São Paulo: mistura, harmonia, ritmo, improviso. E veadagem. Puta que pariu, como tem veado nesta cidade!
Mas o que eu queria mesmo era lembrar outro aniversário ilustre:


Parabéns, Tom
Te muita gente vindo de fora especialmente para minha festa, o que muito me honra. Para que esse povo possa combinar hospedagem, transporte e coisas assim, criei esta página.
Tem Mais Samba
Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer
Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver
(Chico Buarque)
Samba A Dois
Quem se atreve a me dizerdo que é feito o samba?Quem se atreve a me dizer?
Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem a dois por mim
Bambo e só, mas sambo sim
Sambo por gostar de alguém gostar de
Me lavra a alma, me leva embora
Deixa haver samba no peito de quem [chora]
Quem se atreve a me dizer
do que é feito o samba ?
Quem se atreve a me dizer?
Quem me ensinou a te dizer
Vem que passa o teu sofrer
Foi mais um que deu as mãos entre nós dois
Eu entendo o seu depois
Não me entenda aqui por mal
Mas pro samba foi vital falar em
Me laça a alma, me leva agora
Já que um bom samba não tem lugar nem [hora]
Nem se atreva a me dizer
Do que é feito o samba
Nem se atreva a me dizer
(Marcelo Camelo)