Calma, pessoal. Fui demitido, mas saí da empresa numa boa. Vou continuar prestando serviços, estou negociando o contrato. Não se apoquentem, portanto. Muito obrigado pelas demonstrações de preocupação, vocês são uns amores. Então:
Mês: janeiro 2004
Ei!
FUI DEMITIDO!
O/
O levita e sua concubina — Uma tragédia
Terminada a história de Mica, com o episódio lá com os danitas, o livro dos Juízes muda de assunto mais uma vez, passando para uma história que não guarda relação alguma com a anterior, a não ser pela presença de um levita que viaja entre a região montanhosa de Efraim e a cidade de Belém, em Judá.
O levita dessa história morava em Efraim, e arrumou uma concubina lá de Belém. Acontece, porém, que a mulher botou-lhe um reluzente par de chifres na testa, os dois brigaram e ela voltou para a casa da mamãe. Quatro meses depois, já recuperado do golpe (eram chifres de leite, caíram logo), ele mandou que um empregado preparasse dois jumentos e pegou a estrada para Belém, disposto a convencer a amante a voltar para casa. Quando chegou, o pai da moça ficou muito feliz em vê-lo.
— Rapaz, mas que surpresa! Que bom que você veio!
— Hum. Estou muito feliz de ver o senhor também…
— Sim, sim, que maravilha! Veio buscar minha filha, foi?
— Sim senhor.
— Que bom, rapaz, que ótimo! Ainda bem que você não se deixa abalar por pouca coisa.
— Pois é!
— Tem gente que não consegue suportar traição de jeito nenhum.
— Hum… É.
— Mas você não! Você levou um belo par de chifres e nem ligou!
— Bom, não é bem as…
— NEM LIGOU! Corno ou não, deixou que o coração falasse mais alto.
— É que sua fi…
— Que coisa mais bonita de se ver, um chifrudo apaixonado! É de encher os olhos de lágrimas!
— Olha, eu acho que o senhor não…
— Tá certo, rapaz, certíssimo! Esse negócio de chifre é só uma coisa que botam na sua cabeça…
— AH, NÃO! EU POSSO SUPORTAR TUDO, MENOS PIADA VELHA! CADÊ MINHA MULHER? VIM BUSCÁ-LA, VAMOS EMBORA AGORA MESMO.
— Calma, rapaz, calma. Nunca vi você nervoso assim, foi sempre tão manso…
— EI!
— Hehehehe. Brincadeira, pô. Cadê seu senso de humor? A verdade é que estou muito feliz em revê-lo. E não vou deixar que vá embora não: durma aqui pelo menos uns dois dias.
O levita, acalmando-se aos poucos, aceitou a oferta do sogro. O casal reconciliou-se, e ele ficou lá por três dias. Ao quarto dia, os dois levantaram-se prontos para a viagem, mas o pai da moça não aceitou:
— Que é isso, rapaz? Agora vocês vão lá para Efraim, e quando é que eu vou ver minha filha de novo? Só se ela pular a cerca de n… Er… Então. Mas não tenha pressa! Fique aí, coma alguma coisa pelo menos, para não viajar com fome.
Eles ficaram, comeram, beberam, conversaram, contaram causos e, quando preparavam-se para partir, notaram que já começava a anoitecer.
— Mas de jeito nenhum que eu vou deixar vocês viajarem à noite! Vão dormir aqui, amanhã vocês vão.
— Agradeço muito a sua hospitalidade, mas precisamos mesmo ir.
— E atravessar o deserto à noite? Não, muito perigoso. Fiquem aí.
— Hum… Tá bom, vai.
O casal dormiu mais uma noite ali, e no dia seguinte prepararam-se (de novo) para a viagem. O velho ainda tentou detê-los por mais tempo, mas dessa vez o levita foi firme. Saíram, então, e andaram até o fim da tarde. Quase anoitecia quando chegaram à cidade de Jebus, futura Jerusalém, e o empregado sugeriu:
— Chefe, acho que a gente podia passar a noite ali na cidade.
— Ah, não sei… Ficar hospedado aí com os jebuseus, não confio nessa gente. Vamos andar mais um pouco, aí dormiremos em Gibeá ou Ramá, que pelo menos são habitadas por israelitas.
Então eles passaram direto por Jebus, e chegaram a Gibeá quando já era noite. Entraram na cidade e sentaram-se na praça. Depois de horas ali, sem que ninguém sequer lhes dirigisse a palavra, um velho que voltava do trabalho na roça foi falar com o levita.
— De onde você vem, rapaz?
— Da cidade de Belém, em Judá. Fui buscar minha mulher lá, e agora estou voltando para minha casa, em Efraim.
— Hum… Que lugar de Efraim?
— Ali nas montanhas.
— Pô, você é meu conterrâneo! Seguinte: vocês vão ficar lá em casa.
— Não precisa não, senhor! Temos comida e água aqui, e palha para os jumentos. Estamos bem, sério mesmo.
— E eu lá vou deixar um efraimita dormir na praça pensando neeeeeeeela? De jeito nenhum! Você, sua mulher e seu empregado serão meus hóspedes.
— Bom, já que o senhor faz tanta questão…
— É isso aí!
Os três acompanharam o velho até sua casa. Depois de darem comida aos jumentos, entraram, lavaram-se, comeram e beberam bastante. Estavam conversando e rindo alto quando ouviram batidas na porta.
— VOVÔ-Ô! VOVOZI-NHÔ! CADÊ O MOÇO QUE ESTAVA COM VOCÊEEE?
— Ih caralho…
— Quem está batendo à porta?
— Essa bicharada dos infernos. São uma praga aqui em Gibeá. VÃO EMBORA, MONAS! O MOÇO É MEU, SÓ ME-EU!
— Ei, peraí…
— Nah, é só pra assustar.
— BICHA VELHAAAAAAA! SE VOCÊ NÃO TROUXER O MOÇO AQUI, A GENTE ARROMBA A PORTA!
— VÃO ARROMBAR SEUS CUS, FILHOS-DA-PUTA!
— MAIS???
— Ah, que saco… EU TENHO UMA FILHA VIRGEM, E O MOÇO AQUI ESTÁ COM A AMANTE DELE! VOU MANDAR AS DUAS PARA VOCÊS SE DIVERTIREM, MAS DEIXEM MEU HÓSPEDE EM PAZ!
— AI, CREDO! TEM CORAGEM DE OFERECER RACHA PRA GENTE???
As bichas começaram a se revoltar. O levita, cagando de medo, jogou sua concubina pra fora, trancando a porta em seguida dentro da casa. Os rapazes, vendo que não conseguiriam nada melhor que aquilo mesmo, deram de ombros e abusaram da moça a noite toda, deixando-a em paz só quando o dia amanheceu. Ela veio se arrastando e ficou caída na entrada da casa. Quando o levita acordou — devia ter passado a noite com o veado velho —, viu-a ali prostrada e, numa demonstração de amor impressionante, disse:
— Ô. Levanta.
A mulher, porém, não respondeu: estava morta. Ele então pegou o corpo, ajeitou-o sobre um dos jumentos e seguiu sua viagem carregando a defunta. Quando chegou em casa, pegou uma faca e cortou o corpo da mulher em doze pedaços. Depois disso, enviou os pedaços para cada uma das doze tribos. O fato escandalizou o país, e em todo canto havia só um assunto: o levita que enlouquecido pela morte da mulher que amava, e pela qual empreendera uma longa e perigosa viagem. A história não era bem assim, como vimos, mas essa foi a versão que pegou. Um clima de vingança e ódio contra os habitantes de Gibeá começou a tomar conta de Israel. O que aconteceu? Veremos nos próximos capítulos.
Louvemos
Quando O Carnaval Chegar
Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
(Chico Buarque)
Todo Carnaval Tem Seu Fim
Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
Mas o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo…
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
É o fim, é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
(Marcelo Camelo)
Mica e o arranca-rabo com os danitas
Danitas. Daquela minissérie, Presença Danita.
— ¬¬
Hehehe. Tá. Danitas eram os caras da tribo de Dã.
— Ah…
Israel andava mesmo uma zona naquela época. Para vocês terem uma idéia, a tribo de Dã ainda não tinha um território bem definido, isso décadas depois da divisão das terras. Moravam nas cidades de Zora e Estaol, porém em condições precárias e sob a constante ameaça dos filisteus. Cansados dessa vida de insegurança, os danitas escolheram cinco homens corajosos dentre as famílias da tribo, e os enviaram para que procurassem uma terra onde a tribo de Dã pudesse enfim estabelecer-se. Eles saíram pelo caminho e pararam nas montanhas de Efraim, para passarem a noite. Mica, querendo adeptos para sua nova religião, não hesitou em oferecer sua hospitalidade aos forasteiros. Os danitas aceitaram o convite e ficaram hospedados lá. Notaram o sotaque do levita e logo começaram a perguntar:
— Ô maluco, cê tem sotaque de Judá. O que tá fazendo por aqui? Quem te trouxe?
— Ah, eu fiz um trato com Mica: ele me paga para ser o sacerdote dele.
— Hum… Então, sacerdote, pergunta pra Deus aí se vai dar tudo certo na nossa viagem.
— Perguntar, é? Pra Deus, é? Er… Ah, sim, sim! Estou ouvindo! ESTOU OUVINDO! Hein?… Peraí, Senhor, a ligação tá ruim… Túnel?… Ah, tá bom… Melhorou… Tá, eu falo pra eles… Ó, Deus falou que vai dar tudo certo com vocês.
— Cê tá de sacanagem…
— QUEISSO? Eu sou é sacerdote, tão me ouvindo? Falo com o Hômi a qualquer hora que quiser!
— Hum. Veremos.
No dia seguinte os cinco homens continuaram sua viagem, e foram parar em Laís, uma cidade no extremo norte de Canaã. Era um povoado tranqüilo. Seus habitantes eram sidônios (um subgrupo fenício), mas a cidade era longe de Sidom. Viviam assim isolados e eram pacíficos. A terra era boa e eles tinham tudo o que precisavam. Coisa linda, não? Pois os espiões danitas também acharam: voltaram correndo para Zora e Estaol para contarem sobre sua descoberta:
— Vamos atacar! Nós encontramos um lugar perfeito: terra boa, grande, um povinho sossegado. Vai ser moleza. Bora atacar!
Então seiscentos homens saíram das duas cidades em direção a Laís. Na primeira noite, acamparam a oeste de Quiriate-Jearim, em Judá, num lugar que passou a se chamar Maané-Dã. Não, não tinha nenhum Mané na história. Maané-Dã significa Campo de Dã em hebraico. Saíram de Maané-Dã na manhã seguinte, e à noite passaram pelas montanhas efraimitas, chegando à casa de Mica. Os espiões, que já haviam passado por ali antes, começaram a comentar:
— Mora um cara esquisito ali naquela casa. Ele fundou uma religião que só tem ele mesmo e o sacerdote como seguidores. Tem um ídolo de prata grandão, outros ídolos menores, uma roupa de sacerdote toda cheia de coisinhas. Que que a gente faz com ele?
— PAU NA BUNDA DEEEEEEEEEE-LE!
— Nah. Esperem aí, vamos cumprimentar o cara.
Os cinco entraram e foram bem recebidos por Mica, sempre muito cordial. Enquanto dois deles tomavam um cafezinho e distraíam o dono da casa, os outros entraram na capela e pegaram o ídolo. O levita estava na porta, sem entender a presença daqueles seiscentos homens preparados para a guerra, quando viu os homens que haviam se hospedado ali poucos dias antes saindo da capela com o ídolo nas mãos.
— Ô! Que cês tão fazendo???
— Shhhh… QUIETO! Não fale nada. Venha com a gente, seja nosso sacerdote e conselheiro.
— ESTÃO LOUCOS??? EU SOU SACERDOTE DE MICA, TÃO ME OUVINDO? DE MI…
— Melhor ser sacerdote de uma tribo inteira do que de um homem só…
— Hum… É, agora cê falou uma verdade… Bah, foda-se, vou com vocês! Vai ser um belo upgrade na minha carreira. Com esse aumento de target agora eu vou poder dar um improve nos meus skills de sacerdote e…
— HEIN??? Ai, caralho, fala direito! Pega lá seus panos de bunda e vambora, que ainda temos uma cidade a conquistar.
O sacerdote entrou em casa, pegou suas coisas e os objetos da capela, e partiu junto com os danitas. Já estavam longe quando ouviram um grito atrás deles. Era Mica, emputecido, que vinha acompanhado de seus vizinhos. Mica, lembremo-nos, era efraimita. Noutros tempos, seria temido só por isso. Porém, depois que Jefté derrotou sua tribo (a história do chibolete, lembram?), os efraimitas ficaram desmoralizados. Por isso, os danitas nem se preocuparam quando viram sua aproximação.
— O que é que há, Mica? Pra que toda essa gente aê?
— O que é que há? O QUE É QUE HÁ??? E VOCÊS AINDA PERGUNTAM??? VOCÊS ENTRARAM NA MINHA CASA, ROUBARAM OS DEUSES QUE EU MESMO FIZ, LEVARAM EMBORA MEU SACERDOTE, E AINDA PERGUNTAM O QUE É QUE HÁ? NÃO SABEM QUE MINHA RELIGIÃO É TUDO O QUE EU TENHO NA VIDA? NÃO SABEM Q…
— Olha, melhor cê parar de gritar. Aliás, cala a boca e vai embora. A gente pode ficar bravo e, sei lá, matar você e sua família.
Numa demonstração final de falta de respeito, os soldados viraram as costas para os outrora temidos efraimitas e prosseguiram sua viagem como se nada houvesse acontecido. Quanto a Mica, podia ter umas manias estranhas mas não era burro: os danitas eram muitos, e bem mais fortes. Então deu meia-volta e retornou, derrotado, para sua casa.
Os homens de Dã continuaram sua viagem, agora acompanhados de meia dúzia de deuses e de um sacerdote. Chegaram a Laís e atacaram de surpresa aquele povo tranqüilo, pacífico e isolado do mundo. Não tiveram dificuldade nenhuma em tomar e destruir a cidade. Terminada a conquista, reconstruíram Laís e mudaram seu nome para Dã (Laís era melhor, convenhamos).
A esta altura do capítulo, é dito que Jônatas, filho de Gérson e neto de Manassés, foi feito sacerdote de Dã, e que seus filhos herdaram o sacerdócio. Seria Jônatas o tal levita ex-sacerdote de Mica? Não fica claro: mais uma informação bíblica que não informa nada. O negócio é que o ídolo feito por Mica foi adorado na cidade de Dã por muitos anos, e os descendentes de Jônatas foram seus sacerdotes até que o povo de Israel foi levado para o exílio. Mas essa história ainda está bem longe.
Relatividade
Como é bom ser acordado normalmente, com o rádio-relógio se esgoelando e nenhum ortóptero castanho sobre minha calva reluzente!
Ainda sobre a barata
Estava sonhando que conversava com os DJs a respeito do setlist de cada um para a festa. Eu não sabia o que tocar. Então, no meio da discussão, eu tive uma idéia súbita:
— Peraê! Me caiu uma música na cabeça agora!
O sonho ia continuar, mas meu inconsciente começou a gritar comigo:
— MÚSICA O CARALHO! O QUE CAIU NA SUA CABEÇA FOI UMA BARATA! ACORDA! ACORDA! ACORDA!
Acordei rápido, e lá estava ela ao lado da cama. Levou uma chinelada nas idéias e entregou a alma ao criador.
ARGH!
Bom, pelo menos eu não COMI a barata, como costumam fazer uns e outros por aí.
Tá, chega
Nosso querido Jot, o maior dançarino de frevo da festa do ano passado, me mandou os links para mais álbuns de fotos da festa (aqui e aqui). Com isso, o número de banners aumentou para VINTE E TRÊS, o que deixaria isto aqui mais pesado que o autor. Então resolvi fazer um álbum só para os banners. Pegue o seu lá.
Mensagem subliminar
O Luciano Saul descobriu a mensagem oculta no meu post de ontem:
Pronto. Agora vocês já sabem.
Mais unzinho
Especialmente para o bobmacjack:
Tá, eu sei que o blog vai ficar pesado pra caralho com tanta imagem. E quero que se foda.


