Seguinte: o Marco, aquela bicha louquésima (misericórdja! jesusgostadissonão,amém?), me pediu pra avisá-los que hoje, a partir de alguma hora depois dessa aqui que o post está marcando, ele vai estar num boteco bem meia boca daqui de brasília, com muitos animais da flora candanga, como o Frances, por exemplo.
A quem interessar possa, o bar é na 202 norte. E chama-se… chama-se… hm… ehr… peraí rapidim.
(— MARCO! Qual o nome do bar?
— Sabia que você ia me perguntar alguma coisa, idiota.
— Cala a boca e responde.
— Bar Brasil.
— Porra, como eu não decorei um nome estúpido desses?
— Porque cê é burro.
— Sabia que você ia responder isso, só perguntei pra confirmar.
)
Enfim. O bar se chama Bar Brasil.
Apareçam. Eu estarei distribuindo impropérios.
(Pedro)

Aproveito que o Frances guardou um pouco seu pênis e foi ao banco para iniciar mais uma de minhas elocubrações cosmológicas.
Negócio seguinte: devido à natureza da força gravitacional, a rotação é um movimento repetitivo por aí afora. A lua gira ao redor de si mesma e em torno da Terra, que também rodopia e gira em volta do sol, o qual leva todo o Sistema Solar para uma voltinha em torno da Via Láctea. Isso sem falar no mundo subatômico, com os elétrons girando ao redor do núcleo do átomo, ou o spin de outras partículas subatômicas (não, eu não entendo nada disso e devo estar falando muita merda, mas foda-se).
Muito bem. As galáxias que conhecemos estão todas em movimento também. Acredita-se que seu movimento é ainda causado pela força do Big Bang. Estamos, portanto, num universo em expansão, e sabe-se lá onde é que isso vai parar. Segundo alguns, o universo expandir-se-á (uia!) até quando puder, e depois começará a contrair-se, para enfim chegar a um ponto, quando acontecerá outra explosão, um universo novo surgirá, novas galáxias, talvez um novo sistema solar e uma nova Terra e, se houver justiça nesse mundo, uma nova Luana Piovani. Outros dizem que o universo continuará a se expandir até pensar “Pô, que merda eu tô fazendo?” e parar.
Então eu pergunto: alguém já levou em consideração a hipótese de o troço todo não estar se expandindo nem se contraindo, mas girando? Por que com as galáxias o movimento tem que ser diferente de todo o resto? Talvez o movimento das bichinhas (tô falando das galáxias, porra, não de vocês) pareça retilíneo por tratar-se de uma trajetória circular de diâmetro muito, muito grande.
Eis a mais nova teoria cosmológica marcureliana, portanto: a Via Láctea e todas as suas amiguinhas giram em torno do centro do universo. E o que chamamos de universo é uma esfera gigantesca, que também gira em volta de si mesma, assim como os outros universos, e todos eles giram em torno de um centro. Todo esse sistema de universos é uma esfera muito maior, que também dança, gira e rodopia juntamente com outros sistemas. E assim por diante, ad infinitum (puxa, eu sempre quis usar essa expressão, ad infinitum).
Pronto, já divulguei minha teoria absurda. Talvez agora eu consiga dormir.

(Por que o Lelê nunca está por perto com seus conhecimentos de cosmologia e astrofísica quando eu mais preciso??? Socorro, NAZARENO!)

(Josué 2)
Decidido a provar que era um líder forte e corajoso, a primeira medida de Josué foi enviar dois espiões para Canaã, ordenando a eles que prestassem especial atenção a Jericó, cidade fortificada e primeiro alvo dos israelitas. Os dois atravessaram o Jordão e depois de uma caminhada chegaram às muralhas de Jericó.
— E agora, como é que a gente entra aí?
— Sei lá. Pela porta?
— Hum. É uma idéia.
Os dois foram até os portões da cidade e foram interpelados pelo vigia.
— Alto lá! Identifiquem-se!
— Somos turistas japoneses, né? Viemos tirar fotos de sua honorável cidade.
— Hum… Ok, podem entrar.
Já dentro da cidade, olharam aqui e ali. Não querendo correr riscos desnecessários, resolveram procurar uma casa para passarem a noite.
— Bom, então vou perguntar por aí onde é que tem uma pousada baratinha.
— Mané pousada! É só a gente procurar uma luz vermelha. Aí teremos cama, comida e “comida”.
— Até que você não é tão burro…
— Muito obrigado. Olha ali a luz vermelha.
— Onde?
— Naquela casa ali.
— Que casa? Aquilo é um dos muros da cidade.
— Porra, como é que você vem pra uma missão dessas sem saber nada sobre ela? Fique sabendo que há famílias inteiras morando em casas dentro das muralhas, de tão espessas que elas são.
— Ah, não sabia…
— Pois é. Só que aquela ali não é casa de família não…
— Hehehe.
Os dois foram até a casa e foram recebidos por uma mulher vestida de forma espalhafatosa, com um decote que ia até o umbigo e uma fenda na saia que quase encontrava o final do decote.
— Olá, meninos. Bem-vindos à minha casa.
— Oi, dona… Er… Viemos aqui para… Para…
— Eu sei, eu sei. Vieram aqui para relaxarem um pouco. Tudo bem, podem entrar. Ah, meu nome é Mien.
— Mien?

[CUIDADO! Trocadilho infame à vista]

— Isso. Mien Raabe. Mas podem me chamar só de Raabe.
— Ah. Sim, Dona Raabe. Muito prazer em conhecê-la.
— O prazer é todo meu, meninos. Vou ali preparar uma bebidinha para nós e já volto.
Enquanto Raabe recebia os rapazes, a notícia já chegara até os ouvidos do rei de Jericó: dois espiões israelitas haviam chegado à cidade para espioná-la. O rei, furibundo, mandou mensageiros à casa de Raabe, com ordens expressas para ficarem por lá apenas o tempo necessário para passarem sua mensagem, nada de misturar trabalho com prazer. Os mensageiros deviam dar a Raabe a ordem clara do rei: que trouxesse para fora os dois homens imediatamente. A prostituta, porém, já havia escondido os espiões, e respondeu calmamente aos mensageiros:
— Espiões? Que perigo! Sim, sim. Vieram aqui dois rapazes estrangeiros. Não sei se eram israelitas ou não, porque nem chegaram a tirar a roupa: mal escureceu, e sabendo que o portão da cidade se fecharia, saíram correndo. Não me falaram para onde iam, mas acho que se vocês correrem bastante ainda conseguem alcançá-los. Ai meu deus, eu não acredito no risco que corri! Dois homens perigosos aqui, na minha casa!
— Filhos da puta!
— Ei, mais respeito com a minha classe!
— Humpf. Aê, vamos caçar os desgraçados.
Os mensageiros saíram em busca dos espiões, que na verdade estavam escondidos embaixo de um monte de feixes de linho ali mesmo no terraço da casa de Raabe. Ela foi até lá falar com eles:
— Eu sei que vocês são israelitas e que vieram aqui para espionarem a terra.
— Ih. Fodeu.
— Não, não! Podem ficar sossegados. O fato é que todos ouvimos dizer que o deus de vocês secou o Mar Vermelho para que o atravessassem, e também soubemos da vitória de vocês sobre Seom e Ogue, reis amorreus. A cidade toda está morrendo de medo da hora em que vocês vão chegar aqui destruindo tudo. Olhamos com apreensão para o seu acampamento do outro lado do rio; vocês formam uma multidão impressionante. Então eu quero fazer um trato com vocês: jurem pelo seu deus que pouparão a mim e à minha família quando invadirem a cidade.
— Hum… Meio complicado, Raabe. Tá, podemos até fazer o juramento, mas com uma condição.
— Que cond… Ah, já vi tudo! Querem serviço de graça, não é mesmo?
— …
— É sempre assim! Todo mundo quer se aproveitar de uma pobre puta. Tudo bem, tudo bem. Mas vocês juram?
— Juramos por Javé, Raabe.
— Por quem?
— Javé, o nosso deus. Juramos por ele que nada acontecerá a você e sua família. Mas para isso, só pedimos um sinal. Quando invadirmos a cidade, amarre um cordão vermelho na janela que dá para fora da cidade e reúna aqui toda a sua família. Assim saberemos qual é a sua casa. Se alguém sair desta casa então, será responsável pela própria morte. Mas se alguém for ferido aqui, a culpa será nossa.
— Tudo bem.
— Legal. Agora vamos brincar um pouco, minha filha!
Os espiões se divertiram bastante, e antes de raiar o sol fugiram para as montanhas, ficando por lá até que os grupos de busca enviados pelo rei de Jericó encerrassem seu trabalho. Quando se sentiram seguros, os dois desceram, atravessaram o rio e foram falar com Josué, que já arrancava os cabelos de ansiedade.
— ONDE É QUE VOCÊS SE METERAM, CARALHO???
— Ah, estávamos na casa de uma puta ali em Jericó e…
— NA CASA DE UMA PUTA??? A gente prestes a invadir a cidade, precisando de informações, e os espiões que eu envio CAEM NA PUTARIA???
— Calma, seu Josué, não é nada disso. Foi o único esconderijo que encontramos, depois a gente conta com detalhes. O importante é que agora o senhor pode ter certeza que invadiremos Jericó sem problemas.
— Hum. É mesmo?
— Pode acreditar! O povo de lá está se cagando de medo da gente.
— Bom, muito bom! Então chegou a nossa hora. Esta madrugada atravessaremos o Jordão.

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo …
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
(Álvaro de Campos)

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa
Pássaro sem asa
Rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções
Nessa caldeira fria
É que arde o medo
Onde o amor ardia
Mansidão no peito
Trazendo o respeito
Que eu queria tanto te roubar de vez
Pra ser seu talvez
Pra ser seu talvez.
Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde
Pra gritar que arde
Seu maior ardor
A paixão contida
Retraída e nua
Correndo na sala
Ao te ver deitada
Ao te ver calada
Ao te ver cansada
Ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas
Com que insistimos em nos defender.

(Teresa Tinoco)