Andando pelas ruas do bairro na hora do almoço, concluí que os crentes do Brooklin Novo são mais criativos que os outros: não se contentam com adesivos do tipo Deus é fiel ou Propriedade de Jesus. Ali mesmo na esquina com a Berrini sempre tem um carro estacionado cujo adesivo no vidro de trás é um primor:

DEUS É JÓIA
O resto é bijuteria

E ontem vi num Santana velho uma frase que quase vira Credo aqui do JMC:

DEUS NOS DEU A VIDA
Pra cada um cuidar da sua

The boy done wrong again
Hang your head in shame and cry your life away
The boy done wrong again
Hang your head in shame and cry your life away
Are you ok now?
Are you ok now?
On Saturday I was an angel shining fair
You shone louder, longer
You put my shine to shame
Put me to shame now
Put me to shame
What is it I must do to pay for all my crimes?
What is it I must do?
I would do it all the time
All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now
The woodland spring will put the darkness from your thinking
If this town’s your sinking ship
Then you know where to jump
Talking dirty, for a hobby it’s fine
So pour another glass of wine
I’ll think of England this time
All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now
(Belle & Sebastian)

Sexta-feira eu estava contando o crime no metrô e o meu sonho para a Tereza, que trabalha aqui comigo. Ela, pra variar, só queria saber se tinha algum número no sonho.
— Número? Sei lá, Tereza, acho que não. Só os dos bilhetes.
— É? Quais números?
— Ué, tinha múltiplo de 2 e múltiplo de 10. Oras.
— Hum… 0210. Vou jogar.
— Asifudê, Tereza.
— Atomanocu, Pokemon.
Pois bem. Cheguei agora e dei de cara com uma Tereza tristonha:
— Ô, Pokemon… Não quis dar ouvidos à sua dica.
— Que dica?
— Dos números. 0210. Deu no duque.
— Puta merda! E pagava quanto?
— 300 reais pra cada real jogado.

Fui a outro show do Nando Reis ontem. E vou a mais um na próxima quarta-feira. E a quantos mais eu puder. Porque o cara mata a pau. Ainda mais agora, que descobri que a letra de Dois Rios, do disco novo do Skank, é dele.
De toda aquela geração do rock nacional dos anos 80, Nando Reis é o único que continua fazendo algo de novo e autêntico. Os outros poderiam muito bem sair de cena. É constrangedor ver esses caras por aí tocando as músicas de 20 anos atrás.

Por causa dessa história do metrô, começou aqui uma discussão sobre coincidências. Então eu estava aqui dando uma olhada no Balde de Gelo e lembrei de uma coincidência incrível ocorrida ano passado.
Era um tempo em que o Balde era atualizado com freqüência. Eu, Daniela, Tonon e Risadinha íamos sair de férias juntos e fazer uma viagem de carro pelo belíssimo litoral brasileiro, de tão exuberante beleza que enche os olhos de… Ok, ok. Foco. Como eu dizia, ficaríamos um mês fora, e Daniela e eu nos preocupávamos com a ausência de atualizações na história do nosso casal predileto. Solução encontrada: botamos Ele e Ela para fazerem a mesma viagem que nós.
Pois muito bem. No final capítulo em que os dois decidem a viagem há um trecho de uma música do Tim Maia, Sossego. Eles acabaram de entrar na Dutra e a música começa a tocar.
Tá, e daí? Bom. No dia seguinte à publicação desse capítulo, o Quarteto Fantástico começou sua viagem. Entramos no carro e pegamos a estrada. Tínhamos acabado de entrar na Dutra quando o Tonon, que estava dirigindo, pediu pro Risadinha escolher um CD.
— CD? Hum… Tim Maia, pode ser?
(eu e Daniela só olhando)
— Claro.
O Riso botou o CD pra tocar. Primeira música? Sossego. Dei risada:
— Aê, Riso, obrigado pela homenagem.
— Hein?
— Homenagem, porra.
— Que homenagem, caralho?
— Cê botou Sossego assim que a gente entrou na Dutra…
— Sim. E daí? — nesse momento tanto ele quanto o Tonon pareciam desconcertados.
— QUE NEM NO CAPÍTULO DO BALDE DE GELO, CARALHO!
— Que capítulo???
— O de ontem, oras!
— Ah, teve capítulo novo ontem? Não vi não. O último que eu li foi aquele em que ela foi demitida.
— HEIN??? — eu e Daniela juntos.
— Peraí. Do que cês tão falando?
Contamos a história toda para eles, que ficaram espantados também, é claro. Então apareceu um anjo no meio da estrada e o carro parou. O Tonon desceu e começou a chutar o carro, que acabou pegando. Mais pra frente, o anjo apareceu de novo e o carro parou outra vez. Descemos os quatro e começamos a socar o capô. Na terceira vez em que aconteceu, o carro falou:
— Qualé? Qual foi? Que que tu tá nessa?
E então… Não, peraí. Tô repetindo a história do Balaão com a jumenta.

Ao contrário do que eu disse que ocorreria, a notícia do crime ocorrido na estação do metrô saiu na imprensa, mais precisamente no Jornal da Tarde. Aliás, esta eu sonhei que abria o jornal e lia a notícia… Tá, tá, mentira.
Na notícia diz-se que o crime foi cometido na estação Corinthians-Itaquera, mas como vocês podem ver acima (o cara que desenhou não conhece a estação, o metrô teria que vir pela direita dos dois), foi na estação Anhangabaú na plataforma de embarque para Itaquera.
Blablablá, detalhes. O que mais me impressiona é a mulher ainda ter sido retirada viva dos trilhos. É improvável que ela sobreviva, foi atropelada por dois vagões. Ainda assim, caralho!