Esqueça tudo o que você já viu em matéria de blogs! O Homem Chavão veio para sacudir a mesmice da blogolândia. Dica do Ruy Goiaba, que dispensa apresentações, e que se estivesse vivo estaria completando 247 anos hoje. E atenção: a partir de agora, os dez primeiros visitantes do Homem Chavão não ganham nada. Mas também não perdem, o que é uma grande vantagem nos dias de hoje.
Mês: julho 2003
You’ve got to hide your love away
Here I stand head in hand
Turn my face to the wall
If she’s gone I can’t go on
Feeling two foot small
Everywhere people stare
Each and every day
I can see them laugh at me
And I hear them say
Hey, you’ve got to hide your love away!
Hey, you’ve got to hide your love away!
How can I even try?
I can never win
Hearing them, seeing them
In the state I’m in
How could she say to me, “Love will find a way?”
Gather ‘round all you clowns,
Let me hear you say
Hey, you’ve got to hide your love away!
Hey, you’ve got to hide your love away!
(Lennon – McCartney)
You've got to hide your love away
Here I stand head in hand
Turn my face to the wall
If she’s gone I can’t go on
Feeling two foot small
Everywhere people stare
Each and every day
I can see them laugh at me
And I hear them say
Hey, you’ve got to hide your love away!
Hey, you’ve got to hide your love away!
How can I even try?
I can never win
Hearing them, seeing them
In the state I’m in
How could she say to me, “Love will find a way?”
Gather ‘round all you clowns,
Let me hear you say
Hey, you’ve got to hide your love away!
Hey, you’ve got to hide your love away!
(Lennon – McCartney)
Fantasmas no Cérebro
Eu tenho essa mania de ler dois ou mais livros ao mesmo tempo (não ao mesmo tempo, um em cada mão, mas sim… Bah, vocês entenderam). Desde ontem, além do abaixo citado Só Deus Sabe, estou lendo Fantasmas no Cérebro – Uma investigação dos mistérios da mente humana, de V. S. Ramachandran, neurologista indiano, professor e diretor do Centro do Cérebro e da Cognição da Universidade da Califórnia. Estou bem no começo ainda, mas as histórias que li até agora já me causaram bastante espanto. Logo no início, por exemplo, ele trata de membros fantasmas, ou seja, casos de pessoas que tiveram membros amputados e no entanto continuam a senti-los. E não só isso: são capazes de “mover” ou sentir dor nos membros fantasmas. O Dr. Ramachandran desenvolve toda a noção de consciência do corpo e como ela se forma no cérebro. E propõe três experiências muito interessantes, que demonstram que a consciência que temos do próprio corpo não é tão sólida e definitiva como somos tentados a pensar. Vou transcrever aqui apenas a primeira (e menos estranha) das experiências:
Para experimentar a primeira ilusão, você vai precisar de duas ajudantes (vamos chamá-las de Júlia e Mina). Sente-se numa cadeira, de olhos vendados, e peça a Júlia que se sente em outra a sua frente, voltada para a mesma direção que você. Faça Mina ficar em pé a seu lado direito e dê-lhe as seguintes instruções:
— Pegue minha mão direita e dirija meu dedo indicador para o nariz de Júlia. Movimente minha mão ritmicamente, de forma que meu indicador alise e bata de leve no nariz dela, numa seqüência aleatória, como numa mensagem em código Morse. Ao mesmo tempo, use sua mão esquerda e toque meu nariz no mesmo ritmo e seqüência. Os afagos e batidas no meu nariz e no de Júlia devem estar em perfeita sincronia.
Depois de 30 ou 40 segundos, se você tiver sorte, desenvolverá a fantástica ilusão de que está tocando seu próprio nariz ou de que seu nariz foi deslocado e estivado cerca de um metro em frente ao seu rosto. Quanto mais aleatótia e imprevisível for a seqüência de toques, mais impressionante será a ilusão. Esta é uma ilusão extraordinária; por que acontece? Sugiro que seu cérebro “observa” que as sensações de afagos e batidas do seu indicador direito estão perfeitamente sincornizadas com os afagos e batidas sentidos em seu nariz. Então ele diz:
— A batidinha no meu nariz é idêntica às sensações no meu dedo indicador; por que as duas seqüências são idênticas? A probabilidade de que isto seja uma coincidência é zero, e portanto a explicação mais provável é que meu dedo deve estar tocando meu próprio nariz. Mas eu também sei que minha mão está a 60 centímetros de distância do meu resto. Assim, conclui-se que meu nariz também deve estar ali, a 60 centímetros de distância.
TENTEM FAZER ISSO EM CASA, POR FAVOR! Dependendo do resultado, vou botando outras experiências aqui.
Só deus sabe
No começo deste mês recebi um e-mail de um leitor de Curitiba que assinava como Odissefs Sdoukos. Anteontem fiquei sabendo que não é pseudônimo: o cara é grego mesmo, adepto da prática do beijo grego, inclusive. No e-mail, um trecho do livro Só Deus Sabe, de Joseph Heller:
— Por—por—que eu??? Eu ga—ga—gaguejo!
— Quem disse que eu deveria ser simpático?— desafiou Deus. — Onde está escrito que eu tenho de ser gentil?
— Você não é um bom Deus?
— Onde está dito que eu tenho de ser bom? Não é suficiente que eu seja Deus? Não desperdice seu tempo com devaneios, Moisés. Ordenei a Abraão que fosse circuncidade quando já era adulto. Este é um ato de alguém que é gentil?
— Eu não sou cir—cir—cuncidado — lembrou Moisés, subitamente tremendo.
— Pois espere só — disse o Senhor rindo.
— Dó—dó—dói — choramingou Moisés!
— Onde está escrito que não haveria dor?
—É uma vida dura a que nos deu.
— E por que haveria de ser mole?
— É um mundo muito árduo.
— Por que deveria ser fácil?
— E por que nós deveríamos amá—lo e idolatrá—lo?
— Eu sou Deus. SOU QUEM SOU!
— As coisas serão melhores para nós se o fizermos?
— As coisas serão piores? Agora vá para o Egito e dia aos filhos de Israel que o Deus de seus antepassados quer que você os reúna e os tire de lá.
— Por que eles deveriam acreditar em mim? O que deverei lhes dizer quando me perguntarem o seu nome?
— SOU QUEM SOU.
— SOU QUEM SOU?
— SOU QUEM SOU!!!
— Quer que eu diga a eles que você é SOU QUEM SOU?
(…)
É claro que me interessei de cara pelo livro. Esse trecho em particular guarda semelhanças com minha própria versão do primeiro encontro de Moisés com deus. Então o Odissefs me explicou de que se tratava: à beira da morte, velho e doente, o rei Davi relembra sua vida gloriosa ao mesmo tempo em que insere alguns trechos da história do povo de Israel. Foi o que bastou para eu me interessar mais ainda. Comecei a procurar o livro por aqui, mas o Odissefs, provavelmente na expectativa de favores sexuais, comprou-o num sebo curitibano e me mandou pelo Sedex.
Um presente de grego muito, muito bom. O texto é bem humorado, às vezes escrachado, mas sempre fiel ao original. O autor toma certas liberdades com o espaço-tempo, o que dá ao texto um sabor muito original. Por exemplo: Davi passa o tempo todo reclamando de sua escultura feita por Michelangelo, ou das vezes em que Shakespeare o plagiou. Ótimo! Só que aí começam meus problemas também: o antigo proprietário do livro era uma dessas pessoas irritantes que grifam trechos enquanto lêem. E esse cara grifava com caneta vermelha. O que leva alguém a estragar um livro dessa maneira? Não só fica esteticamente feio, como estraga o prazer da releitura. É muito bom descobrir aspectos novos a cada vez que você lê um livro. Mas se na primeira leitura você sai sublinhando os trechos que acha importantes, quando for reler dará maior atenção a esses trechos novamente, deixando escapar talvez algumas surpresas preciosas.
E isso nem é pior: pior é que o cara sapecou pontos de interrogação gigantescos ao lado de cada trecho em que Davi fala de coisas ocorridas depois de seu tempo. Há um páragrafo quase inteiro em que ele fala de Freud, e imagino que o ex-proprietário do livro quase o rasgou de tanto ódio, tamanha a quantidade de pontos de interrogação. Uma triste e constrangedora demonstração de burrice e raciocínio restritivo.
Bom, o que importa é que o livro agora está em boas mãos, e me delicio com cada linha. Obrigado, Odissefs. Mas sem beijo grego, por favor.
Álbum de família
POOOOOOOOOOOOOVO DE CURITIBA!
Última chamada, galera. Quem quiser cair na gandaia com a gente em Curitiba, faça o favor de mandar um email. Oras.
ECA!
Eu preciso compartilhar isso com vocês:
É mais ou menos assim:
Cara de retardado que compra um NUTRY de brigadeiro estragado sem ver, prova a “cobertura nova” estranha e depois percebe que tinha uma barata morta dentro da embalagem e que a “cobertura nova” eram ovos da finada barata.
Eu até tirei fotos dessa merda antes de jogar fora.
Porra, eu comi ovos de barata.
Mas foi SEM QUERER, CERTO?
SEM QUERER!
Er… Hum… HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAÇKHSDÇALSHDÇLASHDÇLASHLDAS
UPDATE URGENTE
Vejam AGORA MESMO as fotos desse acontecimento bizarro no
Blog do Comedor de Baratas!!!!!!!!!
A segunda profecia de Balaão (Números 23:13-26)
Vamos refrescar a memória: no último capítulo — lá se vão dez dias — Balaque levou Balaão até um lugar de onde ele poderia ver uma parte dos israelitas, para que os amaldiçoasse. Mas tudo deu errado e Balaão acabou fazendo uma profecia muito favorável aos hebreus. Certo de que isso acontecera porque Balaão ficara intimidado diante da quantidade de israelitas, dessa vez Balaque o levou até o alto do monte Pisga, de onde poderia ver apenas uma pequena parte do acampamento, e pediu para que os amaldiçoasse.
— E vê se faz direito dessa vez, Balaão.
— Ô, seu Balaque, o que eu fiz não foi de má vontade não. Por mim eu mandava esses cabras da peste direto pro inferno. Mas é aquele negócio que eu te falei, eu só posso dizer o que Javé manda. Olha, eu vou ali dar uma ligada pra ele pra ver se dá pra gente resolver isso, tá bom?
— Que remédio?
Balaão ligou para Javé e descreveu a situação.
— Balaque ainda quer que você amaldiçoe meu povo?
— Pois é, Javé.
— Mas quanta teimosia! Balaão, anota aí as estrofes que você vai cantar dessa vez.
Balaão anotou verso por verso e voltou para onde Balaque estava. Olhou bem para o acampamento dos hebreus, afinou a viola, limpou o gogó e entoou as décimas:
Balaque, ouça com atenção
O que agora vou dizer
Ouça com raiva ou prazer
Mas guarde no seu coração:
Não posso jogar maldição
Sobre quem deus abençoou
Por isso agora aqui estou
Para outra vez lhe afirmar
Que Israel vai prosperar
Assim Javé determinou.
Javé não é um ser humano
Que promete e logo esquece:
O que ele estabelece
Acontece sem engano
Ele é deus soberano
Tirou seu povo do Egito
De um jeito tão bonito
Que ao mundo espantou
Foi o que ele me falou,
Eu apenas retransmito.
Marcha o povo de Israel
É mais forte que o leão
E nenhuma maldição
Pode contra esse tropel:
Entre areia, vento e céu
No meio do deserto exangue
Vêm Moisés e sua gangue
Os tais filhos de Jacó
Dos inimigos não têm dó
Devorando-lhes o sangue.
— Que porra foi essa agora, Balaão?
— Gostou não, foi?
— É CLARO QUE NÃO! Você não querer amaldiçoar os caras, tudo bem. Tá certo que eu te paguei para isso, mas vá lá. Mas também não precisa puxar o saco dos israelitas na cara dura!
— É, Balaque. Posso fazer nada não. Os versos são de Javé, eu só canto.
— Ai, meu saco… Puta que pariu! Balaão, será que a gente pode tentar mais uma vez?
— Custa nada, né?
— Então vamos.
Para encerrar (de verdade!)
Email que eu recebi da Isabel, garota genial que trabalha aqui e se expressa muito melhor do que eu:
“(…)
Que noite mais comprida desde que nasci.
Viajando parado. O escuro me leva
sem nunca chegar. Sem pedir abença
como vou saber que não vou sozinho?
Que o mundo está vivo? Abença papai,
abença mamãe. Mas falta coragem
e peço pra dentro. Dentro não responde.”
Quando li isto, me lembrei da primeira dificuldade que passei depois de me tornar atéia. Falei: “Ai, meu Deus, bem que Você… Peraí, tá lôca, Deus não existe. Se Ele não existe, estou só”. Tive uma sensação de solidão terrível e também tive uma noite comprida. Isto é a reação o indivíduo que se depara com a realidade : o “eu e o mundo” e nada mais. A partir da leitura de “Noturno”, entendi o melhor o que significa ser gauche. Por diversos motivos, eu sou gauche, você, Poke, é gauche. Alguns nos desdenham, outros se abalam com algumas idéias e se alienam ainda mais por quase concordarem conosco, outros tentam nos converter e por aí vai. Se tem gente que não leva a sério o fato de Drummond ser ateu, o que será de nós, pobres mortais?
Segundo motivo: a humanidade não está preparada para encarar a liberdade e diversidades culturais. Creio que o mundo é movido pela vontade humana e a crença em Deus é um grande inibidor de vontades. Vontades boas ou más, não importa. “Se você fizer isso, Deus castiga”; “Isso é pecado”. É só lembrar dos Sete Pecados Capitais; se, por exemplo, alguém quer comer até enfartar qual é o impacto disso para o resto da humanidade? Se “A” quer cobiçar a mulher de “B”, …?, quem sabe os três entram num acordo: de segunda a quarta a fulana fica com “A”, de quinta a sábado com “B” e de domingo ela vai para a balada sozinha. Se não somos nenhum dos três envolvidos, temos algo com isso? Não matar é apenas questão de bom senso, esperteza, alguém gostaria de estar andando e vupt!, já era? Claro que não, portanto um consenso foi o óbvio.
O terceiro motivo é ter para quem empurrar responsabilidades. Se se pode falar: “É pobre porque Deus quer”, “Morreu porque Deus quis”, “Essa foi a vontade de Deus”, “Isso é castigo de Deus, a gente não pode fazer nada”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, por que alguém se preocuparia com a miséria alheia e/ou com fracassos pessoais? Mas não serei injusta, se algo que naturalmente daria certo, dá certo, alguém agradece: “Graças a Deus!”.
Também há aqueles que acham bonitinho acreditar em Deus, anjos, arcanjos, santos… Outros querem se garantir: “E se Ele existir de verdade? É melhor não arriscar”.
Quanto às manifestações paranormais, certa vez vi um documentário sobre um mágico que enganou uma equipe de psicólogos paranormais de uma universidade norte-americana por três anos, ele não agüentou mais e resolveu contar à equipe que estava pregando uma peça e mostrou como criava suas “manifestações paranormais”. Há pouco tempo, ouvi um caso de uma mulher que olha para as pessoas que vão procurá-la e começa a dizer nomes de pessoas e fatos que estão relacionados às últimas. Creio que essa mulher tenha alguma sensibilidade às ondas celebrais ou seja lá o que for. Afinal, nosso cérebro emite impulsos elétricos que de alguma forma são decodificados pelo organismo. Hoje saiu na folha que “Cientistas suíços e espanhóis estão desenvolvendo uma cadeira de rodas controlada pela mente, a fim de dar mais independência a pessoas com capacidade de movimento muito limitada, como pacientes com paralisia”. Mágica? Tecnologia alienígena? Atividades Poltergaist?
Respeito visões diferentes da minha, não me importo se as pessoas acreditem nisto ou naquilo, não me sinto ofendida quando dizem “Deus te abençoe”, “Fui na igreja e pedi por você”, e etc porque estão desejando, a maneira deles, uma coisa boa, e até agradeço. Só não admito que atribuam minhas conquistas a “Ele”. “Graças a Deus”, “Foi Deus quem te iluminou”… uma vez tudo bem, duas, suportável, três, no limite, quatro: “Se Deus tivesse algo a ver com isso, não precisaria ter feito nada, apenas esperar que ele fizesse.” Sabe aquela epidemia de cegueira branca? Estamos precisando de uma destas.
Não posso dizer que a minha verdade é Absoluta, da mesma maneira que aqueles que acreditam em Deus também não podem dizer que estão corretos. É esta minha maneira de ver o mundo e me sinto mais sincera comigo sendo cética e atéia.
Mas os crentes têm razão, falta algo na vida dos ateus e dos céticos: “paranóia ou mistificação?”

