Muito bem, meninas! Aproveitando o tom mais livre, leve e solto do blog, hoje vamos falar de COBRA! Segurem-se nas cadeiras!
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Depois do massacre em Horma (o primeiro de muitos), o povo de Israel continuou seu caminho tortuoso para evitar passar por Edom. Para isso, começaram a andar pelo caminho que ligava o Monte Hor ao Mar Vermelho. O povo começou a ficar cabreiro com isso: já fazia um tempão que tinham atravessado o Mar Vermelho, e agora iam ter que voltar? E aí vocês já devem saber o que aconteceu: começaram a reclamar, desfiando a mesma ladainha de sempre, Moisés-tirou-a-gente-do-Egito-para-morrermos-nesta-porra-de-deserto. A reação de deus dessa vez pelo menos foi original: em vez de mandar outra epidemia, enviou serpentes venenosas para o meio do acampamento dos israelitas.
E a história se desenrola daquele jeito de sempre: o povo fica desesperado e vai pedir penico a Moisés, que vai falar com deus e pedir pra ele maneirar, pra que tudo isso, veja bem.
— Tá, Moisés. Mais uma vez eu vou te dar ouvidos. Mas dessa vez vai dar mais trabalho: você vai fazer uma serpente de bronze e pregá-la num poste. Quem olhar para a sua cobra ficará curado. Pescou? Pescou? SUA COBRA! HAHHAHAHAHAH!
— Hum… M-mas Ja-Javé, até e-eu a-arrumar a-alguém pra f-fazer a s-serpente, e d-depois a-até f-ficar p-pronta, v-vai m-morrer um m-monte de ge-gente!
— E daí? Você deveria ficar feliz por eu ainda dar essa chance a vocês. Há muito tempo eu já deveria ter acabado com vocês e escolhido outro povo. Não sei o que eu tinha na cabeça quando fiz minhas promessas a Abraão. Devia ter feito acordo com o antepassado dos japoneses, aqueles sim são disciplinados… Bom, vai fazer a cobra ou vai esperar o povo morrer?
— V-vou f-fazer.
— Muito bem.
Então Moisés mandou fazer a serpente de bronze e a pendurou num poste. Quando alguém era mordido por uma cobra, olhava para a escultura e ficava curado.
Essa tal serpente de bronze ainda aparece em dois momentos muito distintos na Bíblia. Cerca de 600 anos depois da peregrinação pelo deserto, o Rei Ezequias mandou destruir a serpente de bronze, porque o povo estava oferecendo incenso a ela e adorando-a como a um deus (2º Livro dos Reis, capítulo 18). E mais de 1500 anos depois, em seu famoso diálogo com Nicodemos (Evangelho de João, capítulo 3), Jesus Cristo diria que assim como a serpente levantada no deserto salvou a vida de milhares de pessoas picadas pelas cobras, era necessário que ele fosse levantado (crucificado) para salvar a humanidade do pecado. É por metáforas assim que eu gosto muito de Jesus Cristo, apesar do pai que tem.
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O trecho seguinte do capítulo traça a rota dos israelitas depois do episódio das serpentes: saíram de Hor para Obote, depois para as ruínas de Abarim, no deserto, a leste de Moabe. Dali foram para Zerede e depois para a margem norte do Rio Arnom, que fazia a fronteira entre Moabe e a terra dos amorreus. Depois do Rio Arnom, foram beber num lugar chamado Beer. Não, não era um bar com nome inglês. Beer, além de ser cerveja em inglês é poço em hebraico. Ali havia um poço, claro, e finalmente puderam beber água à vontade. Saindo de Beer foram para um lugar chamado Matana, depois Naaliel e Baamote e depois para o vale abaixo do monte Pisga, em Moabe.
Esses lugares com nomes estranhos não nos interessam, é claro. Mas é bom sabermos, porque do vale os israelitas mandaram uma mensagem a Seom, rei dos amorreus. E… Bom, o que aconteceu fica para o próximo capítulo.

A reação dos Picolinos ao meu post foi muito melhor do que eu imaginava. Primeiro o James escreveu um post muito sóbrio e carregado de ironia a meu respeito. Excelente, embora pareça esconder algo mais. Mas o mais legal mesmo foi essa que o Murdock mandou:

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MUITO BOA!
Mantenho minha opinião negativa sobre os Picolinos, mas tenho que admitir que eles podem fazer melhor do que dizer que eu pareço uma parte inexistente da genitália masculina.