E cá estou. Ontem saímos por aí, comemos, bebemos, foi muito bom. E fazia tempo que eu não via tamanha concentração de gente legal: Janaína & Marcus, Rafael, boo, Paulinha, Pierre… Uns amores todos eles.
E agora tô aqui abusando da bondade da Janaína e usando o micro dela. Vai rolar um “city tour” hoje, depois eu conto.
— Caralho, Marcurélio! Agora cê se superou! Que post mais DIARINHO DO VIADINHO!
Lamba minhas bolas.
Mês: dezembro 2002
Ai ai ai…
Definitivamente. mulher não entende brincadeira. Foi eu ficar um pouquinho longe e depois fazer um comentário jocoso inocente e pronto: Caiu o mundo nos comentários.
Porra, Rossana. Pensei que voce tivesse senso de humor, não fosse apenas uma excelente lavadora de cuecas… Só eu não posso brincar aqui? Cáspita!
E é isso aí
Até mais, meu povo. Quinta-feira à noite estou de volta. Acho.
Leis para os sacerdotes
(Levítico 10:8-20)
O fato é que pegou mal pra caralho a morte de Nadabe e Abiú, então deus se viu obrigado a chamar Arão pra uma conversa.
— Ô, Arão. E aí?
— E aí nada. Resolveu falar comigo agora por quê? Sempre falou só com meu irmão. Que foi? Consciência pesada?
— Putz, Arão, foi mal. Às vezes eu me irrito e reajo de forma um pouco exagerada, sabe?
— UM POUCO EXAGERADA??? VOCÊ MATOU MEUS FILHOS!!!
— É, colocado assim é mesmo meio chato, né? Mas olha só, eles desobedeceram minhas leis e…
— … E você matou os meninos. Maravilha, não?
— Calma, Arão, deixa eu falar. Vocês têm que obedecer minhas leis à risca, se não isto aqui vira uma esculhambação. Mas vamos tocar em frente, com essas coisas a gente vai aprendendo. E vou começar a falar com você e Moisés juntos, e não só com ele.
— Puxa, que honra imensa, eu não mereço!
— Poupe-me do seu sarcasmo, Arão. Quer virar churrasq… Arram… Er… Então. Olha só, vamos começar com algumas leis para os sacerdotes.
— Vou ali chamar o Moisés.
— Nah, nem precisa! Falo só com você mesmo, que é o principal interessado. Olha, toma aqui um bloquinho e uma caneta, vai anotando aí. Então. Seguinte: Cês não podem entrar bêbados no Tabernáculo. Nego que entrar aqui de fogo pode pegar fogo. Entendeu? Pegar fo… Hum. Desculpa aí, foi mal. Vamos adiante. Todo sacerdote deve saber de cor o que é puro e o que é impuro, para não trocar os pés pelas mãos e acabar se dando mal.
— E como é que é esse lance de puro e impuro?
— Ah, isso aí eu ainda vou passar pra vocês. Mas não agora. Cê tá de cabeça quente, foi um dia cheio. Vai descansar um pouco, outro dia eu chamo vocês aqui pra gente cuidar desses detalhes.
— Tá bom então. Té mais.
— Amigos?
— Veremos.
Arão saiu do lugar onde ficava a Arca da Aliança e foi para a área comum do Tabernáculo. E deu de cara com Moisés discutindo com Eleazar e Itamar detalhes sobre ofertas de cereais, sobre a parte do sacrifício destinado aos sacerdotes, sobre um bode que tinha sido queimado antes da hora e cuja carne não fôra comida por eles, como mandava a lei. Vendo e ouvindo aquilo, Arão emputeceu-se:
— Escuta aqui, Moisés! Cê não viu o que aconteceu hoje? Meus filhos, irmãos desses aí, morreram hoje por causa desse negócio de rituais e não sei mais o quê. E cê acha que a gente ia se preocupar com essas picuinhas? Se eu tivesse vindo aqui oferecer sacrifícios e comer a carne destinada aos sacerdotes, com o ódio que estou, você acha que Javé ia gostar? Hein, Moisés?
Diante da justa fúria do irmão, Moisés preferiu ficar calado.
Minha relação com as mulheres
Elas se apaixonam pelo cara do Balde de Gelo. Aí ficam um tempo com o cara do Jesus, me chicoteia! e acabam dando um pé na bunda do cara do Chicote Verbal.
Hum…
Não sei se escrevo um capítulo novo ainda hoje…
Pronto
Desejem-me boa viagem. E torçam para o avião não cair.
A morte de Nadabe e Abiú
(Levítico 10:1-7)
Bom, lembram do Nadabe e do Abiú? Como não, porra? Filhos de Arão, portanto sacerdotes. Baixem aí o PDF do Êxodo, deve ter algum capítulo em que eles são citados. Mas também nem vale o esforço, porque eles já vão morrer mesmo. Vão vendo.
Numa manhã qualquer, os dois chegaram ao Tabernáculo para mais um dia de trabalho. Como de hábito, a primeira obrigação do dia era queimar incenso.
— Ô, Nadabe. Me passa o incenso aí.
— Que incenso? O incenso tá com você, oras.
— Tá louco? Hoje era seu dia de trazer incenso.
— Nem a pau! Eu trouxe ontem.
— Ai caralho… E agora, o que a gente faz? Se não tiver incenso, capaz do Javé ficar puto.
— Porra, tá com medo do Javé? Tá parecendo o pai e o tio Moisés, com esse negócio de Javé pra cá, Javé pra lá.
— Ah, então vamos fazer o quê? Deixar sem incenso e pronto?
— Claro que não. Peraí.
Nadabe saiu da tenda dizendo que voltava logo. Não foi difícil encontrar quem ele procurava; era o único sujeito de túnica laranja-brilhante no meio de tanto branco e cinza. Chamou o cara e ele veio pela estrada que levava ao Tabernáculo, cantando e tocando seu pandeiro:
— Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare. Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Hare Krish…
— Ô, Hare Krishna, chega de cantoria. Quanto tá esse incenso aí?
— É um real.
— UM REAL??? Mas é incenso de primeira qualidade!
— Pois é, aproveita que tá baratinho.
— Puxa… Olha, esse incenso é tão bom, mas TÃO BOM que eu vou levar… UM! (*piada interna)
Comprado o incenso, voltou para o Tabernáculo.
— Olha aí, Abiú. Duvido que o tal Javé vai saber diferenciar este incenso aqui daquele que queimamos todo dia.
— Nadabe, cê sabe o que tá fazendo?
— Claro que sei, oras.
— Vê lá, hein…
— Deixa de ser bunda mole, Abiú! Sai daí, deixa que eu queimo essa porra.
Todo seguro de si, Nadabe puxou seu Zippo do bolso da túnica e acendeu o incenso. Na mesma hora, deus acendeu seu Zippo gigante lá no fundo do Tabernáculo e lançou uma labareda que matou os dois irmãos carbonizados.
— Hehehe. Queriam me sacanear? Sacaneei vocês!
Vejam que deus bom e maravilhoso! Os caras trocaram o perfuminho dele e pronto: Bastou para que ele os matasse. Um pouco depois, Arão chegou e deu de cara com os dois filhos mortos no chão da tenda. Sem saber o que fazer, ligou pra Moisés, que veio na mesma hora.
— A-ai, ca-caralho, q-que a-aconteceu?
— Sei lá! Cheguei aqui e meus meninos estavam mortos. Isso é coisa do Javé, Moisés.
— É, de-deve ser m-mesmo… Hum… P-peraí, que i-incenso é e-esse? I-incenso de ha-hare k-krishna? P-putz, foi i-isso. Q-queimaram i-incenso e-errado e Ja-Javé fi-ficou p-puto.
— PORRA! Só por causa do incenso? Não é possível!
— C-claro que é p-possível. Ja-Javé é ch-cheio de ma-manias.
— Que filho da puta… E agora?
— A-agora o ne-negócio é se-sepultar os c-corpos.
Moisés então ligou para Misael e Elzafã (!!!), primos dele e de Arão, para que eles viessem tirar os corpos de dentro da Tenda e sepultá-los fora do acampamento. Enquanto isso, Moisés foi falar com deus para saber o que deveria fazer. Depois de um tempo saiu para falar com Arão e seus dois filhos restantes, Eleazar e Itamar:
— Se-seguinte: A o-ordem de Ja-Javé é q-que vo-vocês n-não fi-fiquem de lu-luto p-pela mo-morte dos dois. T-todo o po-povo de I-Israel po-pode fi-ficar de lu-luto, só vo-vocês que n-não. E vo-vocês estão p-proibidos de s-sair do Ta-Tabernáculo, se s-saírem, v-vão mo-morrer.
Que beleza, não? Mata os filhos do cara e ainda o proíbe de lamentar a perda. Isso é que é um deus bom!
O Homem na Estrada
Faz tempo que eu quero gravar essa música, mas nunca dá certo. É muito longa, eu me atrapalho todo em alguns trechos. Então resolvi gravá-la só com voz e violão, e dar como definitiva do jeito que saísse. E até que não ficou tão ruim, só atropelei nos trechos mais difíceis e troquei uma ou duas palavras. Ouçam:
Marco Aurélio – O Homem Na Estrada
Aê, Mano Brown. Foi mal, certo?
Preparativos
Bão, fazer a mala. Vai começar a agonia, um dia inteiro com a impressão de ter esquecido alguma coisa.
