Estou muito assustado. Quando assinamos o contrato de sigilo não sabíamos do que se tratava. E não sabíamos que iam espalhar pelo país inteiro em forma de outdoors (pensei que fosse só aqui, mas estive no Rio semana passada, e vi os malditos por lá também). Mas assinei, e não posso sair falando. Isso vai chocar o Brasil. Eu não deveria estar falando nesse assunto. Eles estão por toda a parte. Sei que estou sendo seguido, olhei pela janela da sala agora e o mesmo carro de ontem está parado do outro lado da rua, com o motorista dentro. Não dá pra saber, mas aposto que ele está olhando para cá.
Sabe qual é o meu maior medo? Que depois de passado tudo isso, comecem a surgir nas ruas outdoors com a inscrição: “Cadê o Marco Aurélio?”. Não gosto nem de pensar.
Apesar do medo, tenho que deixar avisado: Não usem sapatos vermelhos. Não saiam de casa sem guarda-chuva. Muito cuidado com as mensagens cifradas passadas pelo Luis Fernando Verissimo (que, estranhamente, entrou de férias justo agora) e pelo Markito, do Programa do Ratinho. Peçam nota fiscal na padaria. Atenção, isso é de máxima importância! Peçam SEMPRE nota fiscal na padaria. Evitem as casas lotéricas às terças e quintas-feiras. Não organizem seus livros por ordem de autor nem seus CDs em ordem cronológica, não corram esse risco. É só o que posso dizer sobre o mistério dos outdoors. Depois vocês não poderão nem reclamar que eu não avisei: Será tarde demais. Boa sorte. Eu já estou condenado.
Mês: maio 2002
Isso aqui é coisa séria, porra!
Nego pensa que fazer este blog é brincadeira… Cada historinha da bíblia que vocês vêem aqui foi escrita com três bíblias abertas na minha frente, mais vários livros de referência, principalmente o excelente Asimov’s Guide To The Bible, do Isaac Asimov. Só tem duas coisas que eu levo a sério na minha vida: o Jesus, me chicoteia! e o Chicote Verbal. Todo o resto é que é brincadeira.
insults.net
Pronto! Achei um site que merece ser número um no meu bookmark para sempre! É o insults.net: tem insultos e xingamentos para todas as ocasiões. Ah, e tem também um negócio genial: xingamentos em várias línguas. Entrem lá para conhecer, vale a pena. Para seguir mais ou menos a linha deste blog, alguns xingamentos em hebraico:
ben zonah – filho da puta
zayin – caralho
harah – merda
lech zayen et ima shelcha – vá foder tua mãe
Ah, as mudanças…
Um dia eu já fui assim:

Juro! Porra, perguntem à Bárbara, ela que tirou a foto.
Aí sei lá que porra aconteceu e eu fiquei assim:

Estou sempre piorando. Vamos estabelecer o seguinte: Meus objetivos são viver do que escrevo, com um Jeep Willys e morando em Jericoacoara. Então se algum dia eu estiver morando, sei lá, num apartamento no Tatuapé, dirigindo um Vectra e ainda trabalhando com informática, alguém, por favor, me abata a tiros: Minha vida não terá mesmo valido a pena.
Eu também vou reclamar
Nah… Tinha postado um trem aqui reclamando de várias coisas, mas quero que se foda. Cada um que resolva seus problemas, eu vou comemorar meu aniversário na paz e quero mais é ver todo mundo tomando no cu mesmo. Não gostou? Vá se roçar nas ostras, então.
Ufa…
Acho que esse post aí embaixo é o maior da curta história deste blog. Desculpem, me empolguei.
O reencontro de Esaú e Jacó
— Não percam hoje, após o Domingo Legal, Silvio Santos apresentando Casa dos Artistas 2. Quem será que vai deixar a Casa hoje? Não percam! Pois bem, chegou a hora do quadro que todo mundo espera, aquele momento em que várias pessoas, íntimas ou não do convidado, levam o pobre coitado às lágrimas, ao absoluto constrangimento, ou ambos. Nosso convidado de hoje é um rapaz que tem uma linda história de vida. Ainda adolescente, saiu fugido de casa, com medo da vingança do irmão. Hoje, vinte anos depois, ele está rico. Mas não foi fácil. Pode entrar, Jacó!
[aplausos]
— Boa tarde, Jacó.
— Boa tarde, Gugu.
— Quem são essas pessoas aí?
— Bom, essas duas são Bila e Zilpa, servas das minhas esposas, e seus filhos, Dã, Naftali, Gade e Aser. Gade, tira o dedo da boca. Atrás deles, vem Léia, minha primeira mulher, com os filhos que tive com ela, Ruben, Simeão, Levi, Issacar e Zebulom.
— Zebulom, Jacó? Que nome é esse?
— Sei lá, Gugu, ela que escolheu, eu não discuto essas coisas. Ah, e tem também a menina, como é o nome dela? Diná. E ali atrás está minha querida Raquel, com nosso filhinho José. Ela é meio tímida, repare não.
— Que bonito, Jacó. Mas por que você enfileirou todo mundo assim? Se Raquel é o amor da sua vida, porque ela não está aqui na frente com você, apesar da timidez?
— Ah, Gugu, não sou bobo não! Meu irmão Esaú está para aparecer, então… Peraí, deixa eu falar baixinho… Então eu organizei assim, comigo na frente. Se Esaú vier pra matar a gente, me mata primeiro, depois as servas e seus filhos, depois Léia e as crianças, e só depois vai chegar até Raquel e José. Assim minha esposa e meu filho preferido têm mais chances de escapar. Entendeu?
— Mas tu é safo mesmo, Jacó. Eu tenho mais perguntas para fazer a você, mas antes eu quero falar aos telespectadores sobre o Kid Vibrator do Gugu®. Se você anda desconfiado do seu filhinho, se ele se tranca no quarto por horas a fio com os amiguinhos, se ele brinca de boneca, para que reprimir um menino que dá tantas mostras de ser perobo mesmo? Dê a ele o Kid Vibrator do Gugu® e faça a vida do seu filho muito mais feliz e cor-de-rosa. Pois então, Jacó, recentemente aconteceu aí uma luta e seu oponente mudou seu nome. Mas você continua usando o nome antigo, Jacó. Por quê?
— Veja bem, Gugu, eu…
— Espera, espera! A produção tá me dizendo que tem um VT com ele aí. Pode soltar o VT!
deus —Pois é, Israel. Tá lembrado de mim? Sou eu, Israel! Jeová! Que bela luta aquela nossa, hein? Nunca vou me esquecer. Você não é fraco não, admito que não foi fácil derrotá-lo. Você é bom, rapaz, tem futuro. Só fiquei chateado com um negócio: Escolhi um nome tão bonito pra você, mas você insiste em continuar se chamando Jacó. Puxa, Israel, que que eu te fiz? Bom, mas tá tudo bem, um abraço para você, te garanto que ainda vou fazer de você uma grande nação.
[aplausos]
— E aí, Jacó, cê quer explicar essa história?
— Puxa, eu quase que não reconhecia o cara. O velho Jeová… Pois é, Gugu, você deve ter visto a luta, o cara roubou na cara dura. Tô mancando até agora, e meu quadril dói quando o tempo está úmido. Além de tudo ainda quer mudar meu nome? Ah, peraí, e a trabalheira de mudar toda a documentação? Ele que vá mudar o nome das negas dele, comigo não!
— Mas ele vai fazer de você uma grande nação!
— Esse é outro negócio que me irrita. É “grande nação” pra cá, “grande nação” pra lá… Porra, deus, vira o disco! Cê já falava isso para o meu avô Abraão, depois para o meu pai, e até agora eu não vi nada!
— Pô, Jacó, mas você enriqueceu, subiu na vida. O VT que vamos mostrar agora é de uma pessoa que diz que te ajudou muito para que você chegasse aonde chegou. Sabe de quem eu estou falando?
— Não faço idéia.
— Então roda VT!
Labão—Ê, Jacó! Esse meu sobrinho é demais! Chegou aqui sem nada, corrido de casa, assustado feito um coelho. Dei emprego pra ele, ensinei uma profissão, dei condições ideais de trabalho, vale-refeição, assistência médica e odontológica, férias uma vez por ano, décimo-terceiro… E ainda deixei o danado se casar com minhas filhas, já que ele queria tanto! Achei que foi um pouco de ingratidão ele ter ido embora, mas entendo. A juventude é assim, impulsiva. Mas sei que onde quer que ele vá sempre carregará com ele tudo o que aprendeu aqui comigo, e mais importante, todo o amor que dispensei a ele. Jacó, meu querido, uma abraço do seu tio e sogro!
[aplausos. Gugu está com os olhos vermelhos]
— Jacó, apesar de tanto sofrimento na vida, cenas como essa fazem tudo valer a pena, não é?
— O que que faz valer a pena? O papo furado desse velho sem-vergonha? Ah, Gugu, faça-me o favor. Esse maldito fodeu minha vida, me fez trabalhar pra ele durante vinte anos, acabou com minha juventude, e agora vem com historinha. Labão, vai à merda!
— Eu devo lembrar, Jacó, que estamos transmitindo em TV aberta para todo o Brasil no horário vespertino, e que sua linguagem é inadequada.
— Inadequada, é? E o que você acha adequado? Essas putas balançando o rabo na frente das câmeras é adequado?
— Arran… Continuando. Outro VT pra você, Jacó.
Rebeca—Jacó, meu filhinho! Eu e papai estamos morrendo de saudades! Vê se acerta logo as coisas com seu irmão e volta pra casa! Mamãe te ama. Beijo no coração!
[aplausos. Uma lágrima furtiva se insinua no olhar do apresentador (valeu, Vavá!)]
— Ah, Jacó, pode confessar: Esse seu coraçãozinho de pedra está começando a amolecer…
— Amolecendo está é o seu cérebro. Tá, ela é minha mãe, mas se eu não tivesse acatado as idéias dela não teria me fodido tanto na vida. Esse negócio todo de enganar meu pai e meu irmão, e depois ainda ir morar com Labão, foi tudo idéia dela. Ô, mãe, não vou xingar a senhora por respeito. Mas que puta sacanagem que a senhora me aprontou!
— Jacó, você é um homem amargurado.
— Amargurado meu ovo! Vai você dormir no meio dos bodes pra ver se não fica amargurado também.
— Hum… Bom, outro VT. Pode soltar, produção.
Isaque—Oi, filho. Estou com saudades. Você foi embora há tanto tempo! Esaú sumiu também, foi morar noutras terras. Sua mãe só vive reclamando. Eu sei que sou só um velho cego e fraco, mas como eu queria a família toda reunida outra vez! Vê se volta pra casa, filho. Não guardo mágoas de você. Você sabe que eu sempre quis seu bem. Você abusou ao se aproveitar do amor do seu pai para levar vantagem, mas isso tudo foi há muito tempo. Volta, filho. Um beijo do papai.
[aplausos emocionados. Jacó não consegue conter o choro]
— Ufa, finalmente! Pensei que você não fosse…
— Cala a boca, biba! Cê queria o quê, porra? É meu pai! Meu pai, que eu tanto fiz sofrer, como se ele já não tivesse sofrido na vida. Eu tenho raiva de deus pelas coisas que me fez passar, mas troço muito pior ele fez com meu pai. Quando ele ainda era uma criança, deus pediu ao meu avô, Abraão, que ofertasse meu pai em sacrifício. Meu avô, com sua fé cega e sua faca amolada, foi correndo obedecer. O sacrifício foi impedido em cima da hora, mas meu pai carregou esse trauma para sempre.
— Que história triste, Jacó. Não sabia disso. Conta mais.
— Conto nada! Leia a bíblia! Ou pelo menos leia a versão do Jesus, me chicoteia!
— Ok, ok… Mas, Jacó, deixamos a surpresa melhor para o final. Tem alguém aí nos bastidores que veio para reencontrar você. Sabe quem é?
— Não faço a mínima.
— Uma pista: Ele não está sozinho, com ele estão quatrocentos homens.
— AI, CARAIDIASA, É O ESAÚ! Rápido, cambada, em fila, do jeito que combinamos. Ai, putaquepariu!
— Calma, Jacó, calma. Pode entrar, Esaú! Deixa seus amigos aí fora!
[Esaú entra e levanta Jacó, que tinha ficado de pernas bambas. Esaú abraça e beija o irmão. Todo mundo chora]
— Ah, meu irmãozinho, que saudades! Quem são essas pessoas que estão com você?
— São minhas esposas, senhor, e os filhos que tive com elas.
[As esposas, as servas e a molecada chegam mais perto e Esaú abraça e beija um por um]
— Tá, Jacó, vamos largar desse negócio de “senhor”. Sou teu irmão, porra! E o que eram aqueles rebanhos todos que você me mandou?
— Ah, uns presentinhos, pra ver se você consegue me perdoar.
— Queisso, Jacó! Tenho bastante, sou rico também, não preciso! Além do mais, não guardo rancor. Pode pegar tudo de volta.
— Não, faço questão. Por favor, Esaú, aceita o meu presente.
— Tá bom, vai. Ê, moleque! Tava se cagando de medo, hein?
— É, um pouquim…
— Imagino.
— Mas também, Esaú, cê vem com quatrocentos homens!
— Ah, esses aí? Porra, estávamos indo assistir a sua luta, mas não deu tempo. Muito longe. Mas ficamos sabendo da roubalheira.
— Não se pode ganhar todas.
— É isso aí.
— Pessoal de casa, vejam que cena emocionante! Os dois irmãos se encontram depois de tantos anos! Que coisa linda! Que maravilha! Que…
— Calaboca, bicha deslumbrada! Jacó, vamos voltar pra casa? Eu vou indo na frente com meu bando, você vem seguindo. O pai vai ficar doidinho de alegria.
— Esaú, acho que não consigo te acompanhar não. Você está só com homens adultos, eu estou com essas crianças e vários animais ainda filhotes. Se eu for andando no seu ritmo, logo logo o rebanho todo morre e os moleques se cansam. Não quero te atrapalhar, então vai indo, que eu sigo andando no passo da molecada. Não tenho pressa mesmo.
— Boa desculpa. Cê não consegue me acompanhar mas é por causa desse seu andar deixa-que-eu-chuto. Tá bom, manquitola. Estou indo, então. Vou dar a boa notícia aos velhos. Vê se vem logo, tá? Tchau.
— Tchau, meu irmão.
[Esaú sai. Gugu vai falar com Jacó]
— Jacó, o Silvio está chamando a gente lá do outro estúdio, quer falar com você. Fala, Silvio!
— Ha-haaaaaaaaai! Boa noite, Gugu.
— Boa noite.
— Boa noite, minhas amigas de casa, minhas colegas de trabalho. Boa noite, Jacó.
— Boa noite, Silvio.
— Jacó, você é de onde?
— Canaã, Silvio.
— Ah, um cananeu! Tem caravana de Canaã no auditório hoje? Ha-haaaaaaaaaai! Jacó, você sabe que eu sou judeu, não é?
— Sei sim. E daí?
— Como assim, “e daí”? Isso quer dizer que eu sou descendente do seu filho Judá. Em outras palavras, sou do povo de Israel.
— Xi… Então esse nome vai pegar?
— Sim senhor, vai se acostumando. Mas eu estava aqui assistindo e me emocionei com a sua história. Eu sei que você é rico, mas vou te dar um prêmio, porque achei que você merece.
— Ai, ai, ai… Deixa eu adivinhar: Carnê do Baú?
— Não, Jacó, que coisa! Ha-haaaaaaaaai! Você acaba de ganhar um terreno no valor de cem peças de prata em Siquém, Canaã, para armar suas tendas e ficar vivendo por lá, perto dos seus pais e do seu irmão!
— Puxa, Silvio, muito obrigado! Não sei como agradecer!
— Não precisa agradecer não. Apenas trate bem dos seus filhos, se não eu nunca vou existir.
— Meio confuso isso aí…
— É, eu sei. Gugu, acho que está na hora.
— Está na hora, Silvio. Amigos de casa, vocês agora ficam com Casa dos Artistas 2. Quem será que vai sair da Casa hoje? Eu fico por aqui. Até semana que cem com mais um programa Domingo Legal!
[A Técnica esquece o microfone aberto, e ainda dá para ouvir Jacó falando]
— Viadão sem-vergonha…
Butequim
E eis que estou botando mais um link aí do lado. Você quer conhecer um blog com mensagens edificantes, frases bonitas, imagens inspiradoras, todo fofinho e cor-de-rosa? Então vá pra puta que pariu, que aqui não tem link pra essas merdas não! Vai ler aquela porcaria de sorvete de casquinho! Meu link novo é para o Blog do Pedro Nunes, Butequim, cheio de insanidades, mas tudo muito bem encadeado por uma lógica admirável. Bem no estilo dele: Já foi lá? Clica no link, porra! Não vem falar sem conhecer, clica na porra do link e depois me diz o que achou do blog do cara. Vai logo, caralho! É foda…
600º comentário
Está ficando rápido o negócio por aqui. Já chegamos ao comentário de número 600! E a autora do 600º comentário é… a antropofágica JÔ!!!!
Jô, seu prêmio é ser chicoteada até urrar de prazer.
Jesus, me Chicoteia! na mídia
Bão, não é bem na mídia. Não é que tenham falado deste blog no Jornal Nacional ou na Folha. Mas saiu um artigo num site chamado Fábrica de Gasosas em que o blog herege é citado. Melhor ainda: Jesus, me Chicoteia tem a honra de ser mencionado ao lado do Fale com deus, que é, como vocês sabem, o melhor blog do mundo. Querem ler? Tá aqui. O tom geral da matéria é aquela idéia de que blog é coisa de quem não tem vida sexual. Nem ligo, mesmo porque no meu caso é a mais pura verdade.
