Saul é aclamado rei

(I Samuel 10:17-27)
Saul já estava ungido rei, e a decisão era irreversível. Para apresentá-lo ao povo, porém, foi armada uma cena patética: Samuel convocou todo o povo a Mispa para uma reunião religiosa. Quando estavam todos lá, fez seu anúncio:
— Israelitas! Eu tenho aqui uma mensagem de Javé para vocês. Diz ele: “Cambada de mequetrefes, eu tirei vocês do Egito, livrei vocês de todos os povos que os maltrataram, e como é que vocês me agradecem? Rejeitam minha autoridade pedindo um rei! Eu estou de saco cheio. Vocês venceram. Organizem-se aí, em tribos e em grupos de famílias. Vamos escolher o rei”.
O povo dividiu-se conforme as ordens divinas, enquanto Samuel pegava o Urim e o Tumim para o sorteio. Com o povo ordenado, ele jogou as pedrinhas e a tribo de Benjamim foi sorteada. Lançou-as de novo, e deu a família de Matri. A família adiantou-se, ansiosa. Não era para menos: dali sairia o primeiro monarca de Israel. Samuel jogou as pedrinhas, fez um certo suspense e enfim anunciou:
— O rei de Israel será… Saul, filho de Quis!
Aplausos. Vivas. Gritos. Assovios. Aplausos. Aplausos mais fracos. Silêncio.
— Eu disse SAUL, FILHO DE QUIS!
Um murmúrio na multidão. Constrangido diante do povo, Samuel foi para um canto falar com Deus:
— Javé, eu falei que isso não ia dar certo. Cadê o cara?
— Calma, Samuel. Ele está escondido no meio da bagagem.
— HÃ???
— Pode conferir.
— Mas que beleza…
Samuel voltou e pediu à família que vasculhasse sua bagagem. Foram até lá e voltaram com Saul. Alto como era, aparecia acima da multidão, que o olhava em silêncio. Samuel soltou um suspiro de alívio; estava completa sua missão:
— Estão vendo o homem que Javé escolheu? Não há outro como ele em Israel!
A declaração de Samuel não dizia grande coisa: tanto podia ser um elogio quanto uma crítica a Saul. Mas o povo, ansioso por seu rei, bradou “Viva o rei!” em uníssono. Samuel explicou aos israelitas os direitos e deveres do rei, depois escreveu-os num livro que foi colocado no Tabernáculo. E encerrou a cerimônia bem ao seu estilo:
— Acabou a palhaçada. Vão pra casa.
O povo foi saindo. Saul também foi para sua casa, em Gibeá, e com ele foram alguns homens, seus primeiros bajuladores. Outros, no entanto, murmuravam entre si:
— Mas que reizinho mais sem-vergonha, hein? Escondido no meio da bagagem!
Saul ouviu esses comentários, mas fingiu que não. Tinha um reino para ocupar a cabeça agora.

13 comments

  1. Sobre o post da Igreja Universal que eu não posso deixar de comentar: na verdade, o Edir Macedo curte Pink Floyd e realmente, as igrejas possume um alçapão. As pessoas caem nesse alçapão, direto num moedor de carne, enquanto um coral lá embaixo canta “We don´t need, no, education!”…

  2. Será que o espírito do senhor vai se apoderar dele durante uma guerra? Seria ótimo ver o Saul tocando pandeiro enquanto os soldados ficam lá, se matando…

  3. O erro que ocorria era que quando confirmava o comentário resultava na entrada de uma página não encontrada, mas de qualquer forma o comment era inserido…Abração

  4. Marco, sou teu fã, de vez em sempre dou uma passada aqui no JMC (hahaha ganhou até apelido!) parabens pelos textos e comentarios, essas historias me lembram muito Monty Python (com a Vida de Bryan…) só quero ver quando chegar a época de cristo e ele estar cantando aquela cançãozinha tão peculiar quando estiver pregado na cruz… hahaha ABRAÇÃO!

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