Aniversário

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Quando eu conheci Paula Foschia, a primeira coisa que ela perguntou foi algo a respeito da minha vida de músico da noite. Fiquei sem entender por um momento, mas logo me dei conta: a doida achava que aquele lance todo do Chicote Verbal era de verdade. Contei que na verdade eu trabalhava com tecnologia. Ela não conseguiu disfarçar a decepção. De qualquer forma, seguimos para o aeroporto Santos Dumont. Tomamos chope e conversamos sobre literatura, teatro, blogs, pessoas. Fiquei encantado com a fluidez da conversa da garota, com as maluquices que dizia mantendo a maior cara-de-pau, com sua vivacidade. Tempos depois nos reencontramos no lançamento do livro da Clarah. Paula estava mais empolgada ainda, cheia de projetos. Quis me incluir em alguns, mas minha proverbial preguiça é sempre broxante. Mesmo assim tornamo-nos amigos, passamos a trocar confidências, desabafos, essas veadagens.
Em abril deste ano resolvi ir ao Rio. Era pra ser só um fim-de-semana com os amigos, mas love was in the air. Pra começar, o Risadinha conheceu a Ana, e ali mesmo formou-se um dos mais belos casais da História. Como se não bastasse, eu conheci o Paulo.
— Marco, este é o Paulo — disse a Paula, me apresentando um rapazinho branco. Bem branco. Lavado com Omo mesmo. Vejam esta foto pra vocês entenderem.
— Ah. Oi, Paulo.
— O Polzonoff, sabe?
— Polz… — mas não tive tempo de dizer que nunca tinha ouvido falar, porque deus começou a chorar e pulou no pescoço do Paulo:
— PORRA! VOCÊ É O POLZONOFF! EU SOU SEU FÃ! CARALHO, AGORA EU JÁ POSSO MORRER! EU CONHECI O POLZONOF! GAAAAAAAAAAH!
O Senhor dos Exércitos arrancou as roupas e saiu correndo pelos corredores do apart hotel, deixando que prosseguíssemos nossa conversa. Então fiquei sabendo que Polzonoff era um crítico lá de Curitiba, muito temido e tal. Quando a Paula falou que ele tinha um blog, finalmente liguei o nome à pessoa: eu tinha visto o link para O Polzonoff no Falecomdeus fazia um tempo. Tinha entrado no blog, mas deu preguiça de ler os textos longos. Me arrependo até hoje.
Acabou que passamos quase o fim-de-semana inteiro na casa da Paula. Logo de cara o Polzonoff deu a idéia:
— Vamos ver um filme?
“Pronto”, pensei, “agora o cara vai vir da locadora com um filme iraniano e um documentário alemão”. Pô, eu já tinha sacado que o Polzonoff era sangue bom, mas também era crítico, o que eu podia esperar? Bom, podia esperar tudo, menos o filme que ele trouxe: “Os Saltimbancos Trapalhões”. Depois de assistirmos ao filme (entre exclamações de “O Mussum é foda! FODA!”), concluí o óbvio: ali estava um amigo de infância.
Fiquei sabendo que os dois faziam aniversário no mesmo dia. Coisa mais brega do mundo: já não bastava terem o mesmo nome??? Mas lá no fundo achei mesmo foi bonito. E senti inveja: não existem mulheres com meu nome. Bom, ainda bem.
Foi ontem o aniversário. Não, não esqueci: até comprei presente pro casal, algo para mantê-los ocupados por algum tempo (PORQUE JÁ QUE EU NÃO FAÇO SEXO, NÃO QUERO QUE NINGUÉM FAÇA). O negócio é que eu fico pensando no que escrever e nada me agrada. Aí me dá revolta, eu tiro as calças e fico sapateando em cima. Meu chefe dá bronca e me manda pra casa. Aí passa um carro na poça d’água e… Ah, sim, o aniversário dos Paulos. Seguinte: amo vocês dois. Muito. Puta que pariu. Saiam da minha vida não. É muito bom ser amigo de vocês. Feliz aniversário, meus queridos. ATRASADO, SIM, E DAÍ? Humpf.

16 comments

  1. o/ Concordo com a Nina… Vc tb escreve text os bem grandes tb heim!!!!
    Mas muito legais…
    Bem que queria receber uma homenagem dessas no meu niverçariu…
    Muito maneirooooo Marcus Alrélius

  2. Como assim “não existem mulheres com meu nome”? O Google tá de prova: tem Márcia Aurélia fazendo mestrado no departamento de Matemática da Furb, em Blumenau; tem Márcia Aurélia como personagem de livro americano (Marcia of the Doorstep – é sério!); tem até Márcia Aurélia num site “dedicado à restauração da religião, cultura e virtudes romanas clássicas”. Pode procurar, porque tem mais…

  3. “Fiquei sabendo que os dois faziam aniversário no mesmo dia. Coisa mais brega do mundo: já não bastava terem o mesmo nome???”
    HiuhaHIUHAIhihiuaHIU!
    Não conheço nenhum de vocês, mas não consigo conter o riso

  4. Vejamos:
    1)trabalhou em colégio de padres;
    2)se emociona com morte de compositor de Bossa Nova;
    3) Dá piti quando lê certos comentários.
    Nem precisa dizer qual era a peça de vestuário bastante ridícula que você tava tentando comprar no shopping. Só pode ser um sutiã…
    Quanto ao Polzonoff (isso é um sobrenome ou barulho de peido n’água?), é o primeiro russo que (não) conheço que não é racista. Só isso já vale a amizade. Palmas pra ele.

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