O retorno das tribos de Rúben, Gade e Manassés Oriental

(Josué 22)

Como já foi dito, estava concluída a parte mais importante da conquista de Canaã. Ainda havia um ou outro povo a ser expulso, mas isso podia ser deixado a cargo de cada tribo, não constituindo motivo de preocupação para todo o povo de Israel. Sendo assim, Josué reuniu o povo das tribos de Rúben, Gade e Manassés Oriental e fez um pequeno discurso de despedida pra eles:
— Muito bem, cambada, muito bem! Vocês cumpriram sua promessa direitinho: mesmo tendo suas terras garantidas lá do outro lado do Jordão, vieram até aqui e arriscaram seus rabos junto com seus irmãos israelitas para conquistarem Canaã. Agora estamos em paz, e vocês podem ir cuidar de suas terras. Vocês voltam ricos, cheios de despojos de guerra. Parabéns e muito obrigado. Agora ocupem a terra, sejam felizes e continuem servindo a Javé, senão ele fode com a vida de vocês. Adeus!
Os líderes das duas tribos e meia agradeceram, se despediram e partiram para suas terras. Ao chegarem em Gelilote, ainda na margem oeste do Jordão, resolveram parar e construir um altar de pedra. Não um altar qualquer: via-se o bichão de longe. Capricharam mesmo. Quando a notícia do altarzão chegou aos ouvidos dos outros israelitas eles ficaram putos. Começou o diz-que-diz:
— Que porra significa aquele altar?
— Os caras não sabem que o único altar pra se oferecer sacrifícios é aqui no Tabernáculo?
— Javé vai ficar puto com isso, e vai sobrar pra gente.
— Isso não pode ficar assim!
— Vamos foder com a vida desses feladaputas!
A indignação crescia conforme a notícia se espalhava, e logo todo o povo estava reunido em Siló, preparando-se para guerrear contra seus irmãos do leste. Antes, porém, resolveram mandar mensageiros até eles. Enviaram Finéias, filho do sumo-sacerdote Eleazar, acompanhado de dez líderes, um para cada tribo (tá, eram nove tribos e meia. Mas os caras não iam mandar meio líder, né?). A mensagem que mandaram era simples: se eles achavam que a terra a leste do Jordão era impura, que pedissem terras do lado de cá, e seriam atendidos. Mas que não cometessem a burrada de erguer outro altar, já que o próprio Javé deixara bem claro que os sacrifícios só deveriam ser oferecidos no altar do Tabernáculo.
Quando ouviram a mensagem trazida pelos onze emissários, os líderes das tribos orientais ficaram espantados:
— Ué, cês são burros ou o quê???
— …
— Viram a gente oferecer algum sacrifício naquele altar que construímos?
— …
— Vamos explicar direitinho o que aconteceu, e se vocês ainda acharem que estamos errados, podem nos matar. O negócio é que começamos a pensar: e se um dia os descendentes de vocês, do ocidente, começarem a botar em dúvida a ligação dos nossos descendentes com Javé, o Tabernáculo e toda a cultura israelita? Sabem como é, esse rio aí bota a maior banca de fronteira, é bem possível que venham a nos considerar um outro povo. Então construímos esse altar como um memorial. Se um dia as tribos do ocidente começarem a querer discriminar as do oriente, sempre teremos o altar como sinal de que somos um mesmo povo.
— Ê, mas que é isso? Que absurdo! Por que é que os da margem oeste discriminariam os da margem leste?
— Ué… Não é isso mesmo que vocês estão fazendo agora?
— …
— Pois então.
— Tá, tá, vocês estão certos. É que a gente precisava ter certeza.
— Nós entendemos.
— Sem rancores então?
— Claro!
Então os mensageiros voltaram a Siló e contaram tudo para os israelitas ali acampados. Eles ficaram contentes com a explicação dada pelas tribos do leste. Não foi dessa vez que Israel foi dividido. Mas vocês não perdem por esperar…

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