O primeiro discurso de Moisés

(Deuteronômio 1:1 até 4:43)

Chega de enrolação, vamos ao Deuteronômio.
O livro começa situando-se no tempo (40 anos depois da saída do Egito) e no espaço (o vale do rio Jordão). Antes da entrada do povo em Canaã, Moisés resolveu fazer uma série de discursos relembrando a eles tudo o que acontecera nesses quarenta anos, assim como as leis e rituais que deveriam seguir. Reuniu o povo e começou:
— P-povo de I-Israel, o-ouçam o que s-seu l-líder tem a d-dizer! Há q-quarenta a-anos, q-quando e-estávamos no pé do m-monte Si-Sinai, um dia Ja-Javé a-acordou p-puto. “Cês j-já tão há t-tempo d-demais a-aqui, p-porra! M-metam o pé na e-estrada a-antes que eu a-acabe com a ra-raça de vo-vocês, c-caralho!”, e a-assim p-por di-diante, c-como é o je-jeito d-dele. E-então c-começamos n-nossa jo-jornada q-que a-agora está q-quase no fi-final. C-Canaã fi-fica logo a-ali, só o r-rio nos s-separa da T-Terra P-Prometida. Mas a-antes de e-entrarmos lá, q-queria c-contar co-como foi n-nosso ca-caminho a-até aqui…
E Moisés falou. E falou. E depois falou mais um pouco: falou dos ajudantes que escolheu, dos espiões mandados para Canaã (cuja covardia irritou Javé a ponto de condenar os israelitas a 40 anos de caminhada pelo deserto), da necessidade que tiveram de contornar Edom quando o rei daquele país não permitiu sua passagem, da guerra contra o rei Seom pelas mesmas razões, da derrota de Ogue, rei de Basã, das tribos que ficariam a leste do Jordão.
— E-então n-nessa ocasião, d-depois da d-derrota de S-Seom e O-Ogue, eu p-pedi a Ja-Javé n-novamente que re-revisse sua d-decisão de não me d-deixar a-atravessar o J-Jordão. M-mas não a-adiantou n-nada: o fi-filho da p-puta c-continuou di-dizendo que e-eu m-morreria no a-alto do m-monte N-Nebo, t-também c-conhecido como P-Pisga. E-então f-foda-se. V-vou m-morrer, t-tudo b-bem, m-mas a-antes v-vou fa-fazer meus di-discursos…
E Moisés continuou seu pronunciamento exortando o povo à obediência das leis e avisando contra a adoração de ídolos.
Agora vocês imaginem o tempo que Moisés, velho e gago, levou para fazer um discurso que já era longo. Lá pelo meio do pronunciamento já tinha nego alugando banquinhos para os israelitas cansados e vendendo cerveja no meio do povo. E tome-lhe falatório.
Terminado este primeiro discurso, Moisés escolheu as cidades para fugitivos a leste do Jordão: Bezer na tribo de Rúben, Ramote em Gade e Golã na Manassés Oriental. Mas isso foi só uma pausa: escolhidas as cidades, Moisés começaria seu segundo discurso, mais longo e detalhado que o primeiro.

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  1. Egípcio quer processar judeus por saques do período bíblico
    10/09/03
    15:36
    Por Opheera McDoom
    CAIRO (Reuters) – Um advogado egípcio anunciou na quarta-feira que pretende processar os judeus do mundo inteiro pelo suposto saque de ouro durante o êxodo dos hebreus do Egito faraônico, milhares de anos atrás. A ação será baseada em informações tiradas da Bíblia.
    Nabil Hilmi, reitor da Faculdade de Direito da Universidade Al Zaqasiq, no Egito, disse que a base legal do processo está sendo estudada por um grupo de advogados no Egito e na Europa.
    “A proposta é séria e não deve ser interpretada equivocadamente como sendo política ou voltada contra qualquer raça. Estamos apenas investigando se existe uma dívida pendente”, disse Hilmi à Reuters, em entrevista concedida ao telefone.
    O trecho relevante da Bíblia está no livro Êxodos 12, versículos 35 e 36, e diz: “Os israelitas, segundo a ordem de Moisés, tinham pedido aos egípcios objetos de prata, objetos de ouro e vestes. (…) Foi assim que despojaram os egípcios.”
    Alguns comentaristas judaicos disseram que, embora alguns trechos da Bíblia possam descrever fatos verídicos, os hebreus foram escravizados pelos egípcios e, portanto, tinham o direito de obter alguma compensação pelos salários que não receberam.
    “O fato de Hilmi ter declarado que a Bíblia relata fatos verídicos proporcionou a Israel e aos judeus em todo o mundo um motivo de alegria. Com isso, ele abriu a porta para todos os judeus processarem o Egito por mais de 400 anos de escravidão”, disse à Reuters a escritora Beth Goodman.
    Tareq Zaghoul, advogado da Organização Egípcia em Defesa dos Direitos Humanos, no Cairo, disse que seria difícil comprovar fatos históricos relatados nesse trecho da Bíblia que pudessem resistir ao exame em tribunal.
    “Este argumento precisa de documentos e evidências históricos para ser comprovado. É um pouco implausível”, disse ele.
    De acordo com Hilmi, especialistas históricos e religiosos egípcios e europeus estão tentando definir se o trecho bíblico pode ser interpretado como factual e, portanto, se pode dar base a um processo na justiça.
    Ele disse que o argumento de que os judeus poderiam processar o Egito por tê-los escravizado também está sendo estudado por especialistas.
    Ele não deu detalhes sobre o tribunal em que pretende abrir o processo, nem sobre se acha que tal processo seria ou não sujeito às leis vigentes em muitos países, segundo as quais os crimes prescrevem após determinado período de tempo.
    Além disso, negou-se a avaliar o valor dos bens supostamente saqueados.
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  2. Eu li o final do deuteronomio. Termina com o Moisés morrendo e o autor puxando o saco dele. Como é que Moises vai descrever a própria morte, se ele é autor do livro? Vai fazer como o Chico Xavier, vai incorporar algum médium?
    Mas bom mesmo é o Moisés puxando o próprio saco:
    “E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o SENHOR conhecera face a face; 34:10
    Nem semelhante em todos os sinais e maravilhas, que o SENHOR o enviou para fazer na terra do Egito, a Faraó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra. 34:11
    E em toda a mão forte, e em todo o grande espanto, que praticou Moisés aos olhos de todo o Israel. 34:12”

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