Seu nome

Meses atrás, num arroubo de juvenil imbecilidade, escrevi seu nome num tronco de árvore. Estava andando, vi aquele tronco coberto de musgo, peguei um graveto e alguns segundos depois lá estavam as seis letras enfileiradas. Dei meia-volta e não pensei mais no assunto.
Semana passada, estando no mesmo lugar, lembrei-me do fato. Segui o mesmo caminho que fizera naquele dia, atravessei o lago, andei alguns metros pela trilha e lá estava ele, nitidamente gravado no tronco como se em vez de um graveto eu tivesse me valido de ferro e fogo.
Então senti uma certa melancolia. Porque aqui dentro seu nome já não é tão legível. Fica mais difícil a cada dia discernir o significado daqueles arabescos que vão aos poucos sendo cobertos pelo velho musgo da alma. Pressinto o dia em que poderei escrever o nome de outra mulher ali, sem maiores problemas.
Quanto ao outro tronco, o real e palpável, nada que uma motosserra não resolva.

16 comments

  1. Nossa, só pq eu fiquei um mês sem visitar, Jesus ficou moreninho!

    E eu, quando era criança, cuidava da árvore da minha avó, que fica na calçada. Ela tinha um furo, e eu, meu irmão e meu primo colocávamos um bolinho de papel higiênico do “sangue-choro” da árvore.
    E todos os dias checávamos pra ver se ela estava sarando.
    Até que um dia o buraco ficou, mas o choro parou, e nós ficamos mais tranquilos.
    Se você não tivesse postado isso eu nunca me lembraria desse episódio. 🙂

  2. Perfeito!
    Caiu como uma luva esse texto.E eu que vim aqui pra dar risadas…
    Obrigado Jesus…desta vez não vou dar chicotadas, mas sim limpar as tuas chagas.
    Em tempo: Ana Maria…seu post foi um complemento perfeito que expressa tudo oque penso e que ainda amarga um pouco a minha garganta.

  3. kralho, eu to nessa mesma situacao, marco..e o pior eh q jah estao sendo necessarios alguns remedios p enterrar os estragos…arvorezinha mais sensivel,essa..n aguenta uma chuva,q jah c kebra ao meio..

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