Sonho Maluco

Lembram que tinha um quadro com esse nome no “Viva a Noite”? Mas não é disso que eu vou falar.
Quero falar de um sonho que eu tive essa noite. Sonhei que conhecia um ourives judeu que tinha sua loja em Moscou. Fui visitá-lo nas férias e fiquei conhecendo um amigo dele, um russo que sabia tudo sobre o Brasil. Esse cara dizia que tinha atravessado o Atlântico num barco a remo até o Brasil. No meio do oceano, dizia ele, tinha se perdido. Depois de dias à deriva, já sem esperanças, apareceu outro barco a remo pilotado por um negão muito grande. O negão ensinou pra ele o caminho para o Brasil, e ele tinha certeza de ter sido auxiliado por um orixá. Pois bem, o cara sabia tudo de samba, falava português perfeitamente e o caralho. Aí corta pra outra cena, sonho é assim: Estou numa salinha atrás da loja do meu amigo judeu e ouço uma discussão. Vou lá ver e o russo-brasileiro está lá, apontando uma arma para o dono da loja. O judeu diz: “É só isso mesmo que eu espero de um stalinista feito você, seguidor de um ditador sanguinário”. O cara fica puto: “Eu estou traindo a memória de Stalin, não tenho escolha, então cala a boca e me passa as jóias”. Nessa hora eu entrei e falei pro cara que tinha ouvido tudo. Exigi metade do resultado do roubo, ele concordou. Depois que ele foi embora, devolvi essa metade para o judeu e quis saber o que tinha acontecido.
Pois bem, o quase-brasileiro tinha sido encarregado pelo governo russo de colher informações sobre a história do Brasil desde a Independência até os dias de hoje. Os caras desconfiavam que o Brasil era um país de mentira. Não acreditavam que o quadros das proclamações da Independência e da República retratassem a realidade. Tinha um outro quadro também, invenção do meu sonho, chamado “A Primeira Constituição”. Tinha uns caras sentados, uns de farda outros de terno, numa mesa ao ar livre, assinando um livro com uma pena. Ao lado da mesa tinha um cara com um estandarte e na frente uma multidão, no meio da qual despontavam outros estandartes, com mensagens patrióticas e tal. Pois então, os russos também achavam que era mentira isso.
E os caras queriam saber coisas mais recentes também: Onde estavam os milhões desviados pelo esquema PC? Por que o país mudara de moedas tantas vezes em vinte anos (e o cara tinha cédulas de cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real e real pra mostrar pros chefes dele, esqueci alguma?).
Marquei de encontrar o espião no dia seguinte e fui conversando com ele no carro. Pra conquistar a confiança dele, fui elogiando o Stalin, e ele me soltou outras informações.
Caí na besteira de comunicar as autoridades brasileiras e li no Pravda do dia seguinte (no sonho eu sabia russo, desnecessário dizer): “Brasil declara guerra à Rússia”. Pra garantir meu rabo, peguei minhas coisas e me empirulitei pro Brasil. Aqui chegando, comecei a notar o clima de guerra. Todo mundo convocado, inclusive eu. A Globo fazendo matéria atrás de matéria sobre as ex-repúblicas soviéticas. Tinha uma matéria falando dos muçulmanos do Azerbaijão, outra mostrando uma sinagoga na Letônia onde tocava uma banda de rock, outra mostrando uma missa ortodoxa na Lituânia, tudo isso para apoiar os diplomatas brasileiros que estavam naqueles países tentando convencê-los a permitirem a instalação de bases brasileiras em seu território.
Aí teve uma batalha naval (de verdade, não aquela do Bozo) e eu fui pra lá junto com o Risadinha (meu amigo, tocador de berimbau) num porta-aviões. Muito louca a batalha, com navios, submarinos, helicópteros, caças. Depois disso ainda fomos os dois pilotando uns caças pra destruir o Kremlin, muito louco!
Depois da destruição do Kremlin, começaram os rumores sobre o uso de armas nucleares por parte da Rússia. Aí ficou todo mundo aqui no Brasil com o cu na mão: Como é que não tínhamos pensado nisso? A TV começou a mostrar as manobras do exército russo preparando a ofensiva. E claro que eu acordei nessa hora.
Porra, esse sonho foi melhor do que qualquer coisa que eu escrevi nos últimos tempos!

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